01 de julho, de 2022 | 11:00

O livro não está apenas sobre a mesa

Luiz Fernando Schibelbain *

The book is on the table, mas muito mais do que isso. Hoje, a língua é uma commodity vital no mundo globalizado. A economia baseada em serviços e informações faz exigências crescentes sobre as habilidades linguísticas dos envolvidos, novas tecnologias e mídias mudam o cenário cultural, a migração produz populações linguisticamente mais diversas em todo o mundo. Esses desenvolvimentos mudam as condições em que línguas são aprendidas e ensinadas.

A globalização e o ensino de línguas devem levar em consideração as questões que esse processo traz para a jornada de aquisição de uma língua adicional. Reunindo várias vertentes no debate da globalização, há muito a ser explorado nos temas que vão da alfabetização ao bilinguismo e da identidade à internet. As escolas que incluem uma jornada bilíngue em seus currículos precisam olhar para bem além da sala de aula.

Aprender cores e contar até dez não pode mais ser o objetivo de uma aula de inglês, por exemplo. Essa aula deve acomodar, também, discussões sobre contextos e habilidades que podem ser explorados na relação entre o aluno, seus pares e os outros, na vida de cada estudante, família e comunidade local e global, da multiculturalidade à transdisciplinaridade.

Língua é o meio primário da interação social humana e a interação é o meio pelo qual as relações sociais são construídas e mantidas. E, embora ainda haja muita interação cotidiana dentro das redes locais, como tem ocorrido ao longo da história humana, bilhões de pessoas em todo o mundo também participam de redes que vão além do local. As novas tecnologias de comunicação permitem que os indivíduos tenham intercâmbios regulares com outros que nunca conhecerão pessoalmente.

A distância, sabemos, não é um problema para essas redes não locais, mas a língua continua sendo uma questão de importância prática. A comunicação global requer não apenas um canal compartilhado (como a internet ou uma videoconferência), mas também um código linguístico compartilhado. Para muitos intercambistas, os códigos relevantes terão sido aprendidos em vez de adquiridos de forma nativa. Em muitos contextos, então, a intensificação das relações sociais mundiais também intensifica a necessidade de membros de redes globais desenvolverem competência em uma ou mais línguas adicionais, ou dominar novas formas de usar idiomas que já conhecem. Ao mesmo tempo, a globalização muda as condições em que ocorre o processo de ensino e aprendizagem de idiomas.

“A comunicação global requer não apenas
um canal compartilhado (como a internet
ou uma videoconferência), mas também
um código linguístico compartilhado”


Em escolas brasileiras que ofertam a possibilidade de os alunos conviverem com uma língua adicional ao português, que na imensa maioria é a inglesa, há uma oportunidade gigantesca para explorar dezenas de contextos a partir de cada tema a ser trabalhado no cronograma anual. Além dos tradicionais, muito bem compreendidos pela maioria dos professores, a criação de vínculos com outras áreas do conhecimento, da exposição artística e cultural de outros povos, do pensamento crítico com perguntas norteadoras e da colaboração ao escutar, falar, compreender, argumentar e mediar, construindo pontes entre indivíduos, núcleos sociais, comunidades e panoramas mundiais, são extremamente relevantes e possíveis. Principalmente porque o inglês propicia um infindável acesso para além do livro didático.

O protagonismo do docente de Língua Inglesa, atualmente, não pode ficar somente no áudio e vídeo de um ponto gramatical ou de uma celebração específica oriunda de países anglófonos com alguma canção memorizada, por exemplo. É primordial aproveitar essa oportunidade para fazer a diferença na vida dos alunos porque eles precisam ultrapassar os limites do livro e da carteira, compreendendo o seu papel como cidadãos de um país portadores de ferramentas que ecoem a sua voz para além das fronteiras.

Isso se faz com muita riqueza cultural e linguística, que vai auxiliar a promover ainda mais a compreensão e a análise crítica do que ocorre em outros lugares no planeta onde a vida se organiza de forma diferente. Afinal, há muitas mesas e muitos conteúdos no mundo que são trazidos até nós pelo inglês. Seize this time. The book is not only on this table.

*Luiz Fernando Schibelbain é gerente de conteúdo no PES English

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

01 de julho, 2022 | 14:52

“Recentemente. um excelente Professor de Inglês, velho companheiro e amigo, foi aconselhado pelas coordenadoras, conteudistas e sem noção de línguas estrangeiras. a parar de ficar dando aulas focando a cultura dos países de língua inglesa. Portanto, tomando como base esse artigo, ele está corretíssimo.”

Tião Aranha

01 de julho, 2022 | 13:01

“Eu falava recentemente desta necessidade de mudança das ferramentas da Educação. Se um conhecimento é inserido num livro ele será facilmente transmitido e funciona como uma luz na escuridão. O problema hoje é a falta de conteúdo dos livros no que tange a visão holística e de interdisciplinaridade. Risos.”

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