Alan Santos/PR
Aliados de Bolsonaro avaliam que a situação de Pedro Guimarães é insustentável, por manchar a reputação do governo com o eleitorado feminino, maioria entre os eleitores brasileiros
O presidente da Caixa, Pedro Duarte Guimarães, é acusado de tocar e abordar de maneira inapropriada as funcionárias do banco. Nos bastidores da política nesta quarta-feira em Brasília, a saída do Executivo é considerada iminente após denúncias de assédio sexual. Aliados de Bolsonaro avaliam que a situação de Pedro Guimarães é insustentável, expectativa é tentar emplacar um nome feminino no lugar de Guimarães.
O governo Jair Bolsonaro montou uma operação emergencial para estancar a crise política envolvendo o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. A denúncia foi feita pelo jornalista Rodrigo Rangel, no Metrópoles.
Em reunião urgente ocorrida na noite de terça-feira (29), no Palácio da Alvorada, Bolsonaro e seus aliados decidiram que as denúncias são graves e podem manchar a reputação do chefe do Executivo com o eleitorado feminino, público que ele luta para conquistar votos. As mulheres são maioria entre o eleitorado brasileiro. São 80,4 milhões de eleitoras e 71,8 milhões de eleitores, conforme dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral.
As denúncias começaram a ocorrer no fim do ano passado. Dentre as acusações, funcionárias do banco relatam toques não autorizados, convites e abordagens inapropriadas por parte de Pedro Guimarães.
As mulheres que denunciam Pedro concordaram em contar os relatos, desde que suas identidades fossem preservadas. Na reportagem publicada pelo portal Metrópoles, nomes fictícios foram usados para preservar a identidade das vítimas.
Cinco mulheres, que trabalham ou trabalharam em equipes que servem diretamente ao gabinete da presidência da Caixa disseram que se sentiram abusadas durante compromissos de trabalho.
Segundo os relatos, várias das ocorrências estão relacionadas a viagens realizadas como parte do programa Caixa Mais Brasil. De acordo com "Ana", a depender da proximidade que tem com algumas das mulheres, Pedro Guimarães passa a se sentir "dono" delas.
"É comum ele pegar na cintura, pegar no pescoço. Já aconteceu comigo e com várias colegas. Ele trata as mulheres que estão perto como se fossem dele," conta. Ana conta que, ao negar suas abordagens, o presidente passou a ignorar, como se ela não existisse. "Quando escuta, vira a cara e passa a ignorar. Quando me encontrava, nem me cumprimentava mais".
Ainda segundo os relatos das vítimas, o presidente costumava promover funcionárias, mesmo que não preenchessem os requisitos necessários, e acabavam sendo transferidas para a sede, por desejo de Guimarães. O economista também é acusado de sempre escolher as mulheres que acha "interessante" para as viagens.
Em nota encaminhada à imprensa, a Caixa Econômica Federal afirmou que não tinha conhecimento das acusações.