21 de junho, de 2022 | 15:30

Presidente da Usiminas concede entrevista e fala sobre desafios de sua gestão

Em tom leve, Ono falou sobre assuntos variados e adiantou que 8 mil empregos temporários serão gerados no período de reforma do alto-forno 3 na usina em Ipatinga

Bruna Lage
Alberto Ono (centro) assumiu a presidência no lugar de Sergio Leite, que esteve à frente da companhia nos últimos seis anos  Alberto Ono (centro) assumiu a presidência no lugar de Sergio Leite, que esteve à frente da companhia nos últimos seis anos

O novo presidente da Usiminas, Alberto Ono, recebeu a imprensa regional na manhã desta terça-feira (21) para um bate-papo. A entrevista foi concedida no Centro de Memória Usiminas, no bairro Castelo, em Ipatinga, onde o executivo falou pela primeira vez numa coletiva, desde que assumiu o cargo, no mês de maio. Em tom leve, Ono falou sobre assuntos variados e adiantou que 8 mil empregos temporários serão gerados no período de reforma do alto-forno 3 na usina em Ipatinga.

Conforme divulgado pela empresa, no ano em que a companhia comemora 60 anos de operação e com um histórico de atuação na área social, Usiminas estabeleceu metas relevantes, também, na área de sustentabilidade e modernização do processo produtivo e se prepara para enfrentar os principais desafios futuros, como a reforma do alto-forno 3, da Usina de Ipatinga. 

Entre os destaques no trimestre, alinhada à estratégia de Sustentabilidade da Usiminas, a empresa anunciou, em fevereiro, uma parceria para geração própria de energia renovável com a Canadian Solar, uma das maiores do setor no mundo.

O acordo vai possibilitar uma produção mais sustentável, por meio da melhor utilização dos recursos naturais e da redução dos impactos ambientais e dos custos de energia. O contrato prevê a autoprodução de 30 megawatts médios de energia renovável, por 15 anos, a partir de 2025, o que representa cerca de 12% do volume de energia consumido pela companhia. 

Desafios

“O primeiro grande desafio desta gestão é a reforma do alto-forno 3, um grande investimento. Outro desafio é manter a competitividade da empresa. Menciono ainda a questão da descarbonização, que é um fator desafiador para muitas empresas, muito grande para uma siderúrgica. É uma mudança bastante dramática, na maneira como o aço é produzido. Hoje ainda é um desafio tecnológico, porque a busca é por uma solução que tenha volume de produção e que seja viável economicamente. Temos acompanhado, mas é algo para médio longo prazo”, adianta Ono.

Questionado sobre as partículas sedimentáveis, conhecidas popularmente como pó preto, o presidente esclareceu que a busca por uma solução neste caso é de curto prazo. “É um tema distinto da descarbonização. Mas vai ser feito, já existe inclusive cronograma”, reforça.

Sustentabilidade

Um dos pontos classificados pelo presidente como primordiais é a sustentabilidade. “Que tem vários aspectos. Do ponto de vista socioambiental, econômico e do ponto de vista da continuidade da empresa no longo prazo”, pontua. Nos primeiros meses do ano, a Usiminas assinou a nova Carta de Sustentabilidade da World Steel Association, se comprometendo com uma série de princípios que devem embasar suas ações e posicionamentos relacionados às questões de sustentabilidade na indústria do aço. No total, a carta traz nove princípios, abrangendo temas de meio ambiente, social, de governança e econômicos, entre outros. 

Alto-forno 3

Alberto Ono lembra que a reforma do alto-forno 3 deve ocorrer no segundo trimestre de 2023. No preparativo será necessário um estoque de geração de placas. “E para isso seria importante retomarmos o alto-forno 2. Quando isso será feito ainda está em fase de análise, mas deve ser num período anterior à parada do alto-forno 3, mas estamos definindo o melhor momento. A expectativa é que a reforma vá gerar um pico de 8 mil pessoas trabalhando na planta, entendemos que terá um impacto positivo, embora seja temporário (durante 110 dias), mas durante esse período terá um número de vagas expressivo disponibilizado para a comunidade”, destaca.
O alto-forno 2 da usina em Ipatinga tem capacidade para produzir 55 mil de toneladas de ferro-gusa por mês ou pouco mais de 600 mil toneladas por ano, mas está parado desde setembro de 2021, em função de um incidente. A usina conta também com o alto-forno 1, também com capacidade anual de 600 mil toneladas de gusa, com a operação retomada em agosto de 2020.

Mão de obra

O executivo esclarece que a Usiminas Mecânica será um importante fornecedor de serviços durante a reforma do alto-forno 3. “Estamos discutindo isso, mas deve ser a principal prestadora de serviço da reforma. Teremos a necessidade de mão de obra qualificada para esse período, estamos trabalhando com parceiros e entidades como o Senai, para formar essa mão de obra, para que seja, à medida do possível, aqui do Vale do Aço. Mas será um grande desafio conseguir essas 8 mil pessoas e esse assunto vem sendo discutido junto com outras áreas na usina de Ipatinga”, salienta.

O vice-presidente Industrial da Usiminas, Américo Ferreira Neto, acrescentou que a Usiminas tem trabalhado com os parceiros locais para que essa mão de obra tenha qualificação necessária. “Temos conversado para que criem seus centros de qualificação, no caso daqueles que não tiverem esse centro, temos as escolas Senais. Mas é lógico que até pelo volume dessa reforça, vamos contar também com pessoas de fora da região”, esclarece.


Acontecimentos mundiais e os impactos na siderurgia


Questionado pelo Diário sobre os impactos da pandemia da covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia, Alberto Ono pontua que o Brasil está experimentando isso de várias formas. “Não estamos desconectados do mundo, basta observar por exemplo o preço dos combustíveis, todo mundo viu que teve uma alta bem expressiva e quando a gente olha, um dos motivos é exatamente o confronto entre Ucrânia e Rússia. Esse cenário afetou toda a parte do petróleo e gás no mundo”, contextualiza.

No caso da siderurgia não é diferente, segundo o presidente, uma vez que tanto Ucrânia quanto Rússia, são grandes produtores de aço, minério de ferro e carvão. Eles participavam ativamente do mercado de aço e de matérias-primas, mas quando começou o conflito criou-se um desequilíbrio entre oferta e demanda.

“Isso atingiu a logística de suprimento e os preços. Depois de um primeiro impacto houve um equilibrou na situação, mas bem diferente do que era antes do conflito. Se afeta? Afeta em questão de disponibilidade, preços. Outro ponto é a demanda. Em função da potencial falta de gás natural na Europa, a atividade econômica está diminuindo, estão encarando uma potencial crise econômica e isso também atinge a demanda por aço. Observamos no início do conflito um desiquilíbrio, amorteceu um pouco, ainda não sabemos o que vai acontecer, mas que somos sujeitos a influência disso, somos”, avalia.

Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Sadan

22 de junho, 2022 | 00:38

“Que saudades do Profexo!”

Pedro

21 de junho, 2022 | 22:38

“Ainda bem que aposentei desta empresa, usiminas nunca mais.”

Marcos Guimarães

21 de junho, 2022 | 16:40

“SIm!
Concordo com o Executivo! É um grande desafio conseguir a mão de Obra qualificada, pois esbarra em um antigo problema, SALÁRIO.
Outro problema, são as Demissões sem motivo aparente, demitem pessoas por causa do "MODUS OPERANDI" que não está alinhado com a Empresa, o que é isto afinal?
Outro Problema é a Formação Profissional que precisa melhorar muito! Estes rapazes e moças fazem um curto estágio e depois de contratados, os Funcionários mais experientes, em muitos casos não apadrinham o Novato e em 90 dias dispensam o Jovem alegando baixa Produtividade, fizeram isto com o meu filho recém-saido do Senai.
Fizeram isto também comigo, e olha que tenho quase 30 anos de experiencia e formações na Manutenção. Então, o problema não está apenas na questão salarial, mas esbarra em Gerentes que precisam cumprir Metas esdruxulas, e dentre elas, Metas de Advertencia e de Demissão.
O Senhor Presidente da Usiminas, precisa rever este conceito e acabar com essa Cultura que acaba com o Poder de Atração da Empresa.
Muitos trabalhadores saíram do Vale do Aço e foram embora para outros Estados e para fora do Brasil por causa das condições, eu sou um deles.
Desejo sucesso aos meus colegas que estão ali e dão o sangue, eles merecem o respeito e o nosso reconhecimento.”

Envie seu Comentário