14 de junho, de 2022 | 13:49

Um livro e um desejo...

Nena de Castro *

Lançar um livro num país que despreza a educação e exalta as armas, usar as letras para o bom combate, desafiando, incentivando, rasgando o véu da ignorância, parece insano. Pois foi o que aconteceu comigo e outros maravilhosos autores durante o 13º Salão do Livro de Ipatinga. Que festa linda, com sabor de vitória, afinal, voltamos a nos encontrar após a famigerada pandemia e a celebrar a existência com peças teatrais, dança, cantos e encantos capitaneados pelo LIVRO, este objeto transformador de vidas. Cada aluno levou consigo os ensinamentos do grande Marcelo Xavier, com a visualização da exposição baseada em seu livro “Se a criança governasse o mundo”. Textos foram escritos, ideias foram trocadas e saíram todos enriquecidos, levando consigo a iluminação que o saber proporciona.

Professora com muitos anos de lida em escolas, sei das tentativas de relegar a Educação a segundo plano, o que resulta no fracasso de nossos jovens e crianças no decorrer de suas vidas como cidadãos de segunda classe, destinados a serem manipulados por certos “uns”.

Nossos preclaros políticos, adeptos dos deuses gregos que permaneciam coçando o respectivo, enquanto faziam nada com coisa alguma, não cuidam do país e sim de seus próprios bolsos, que enchem de dinheiro do povo, enquanto permanecemos à deriva, sem rumo certo nesse mundo de contradições e desigualdades.

A Educação que liberta, que abre fronteiras, que traz mudanças, passa inevitavelmente por um planejamento de ações positivas, instalações condignas e salário condigno dos professores. Somos o país que tem o pior piso salarial dos mestres do Ensino Fundamental para a EDUCAÇÃO entre 40 países. Não inventei isso, está no relatório da OCDE (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico) divulgado o ano passado.

Sem essa valorização, sem reciclagem, sem salários decentes para os docentes, é muito difícil que consigamos sair dessa situação vergonhosa e caótica. A valorização do professor é o primeiro passo para garantir uma educação de qualidade. A atuação do docente tem impacto dentro e fora de sala de aula, seja no desempenho dos estudantes, na qualidade da escola e no progresso do país.

Sem educação pública de qualidade não há como combater a injustiça social, a pobreza, a desigualdade. Sem educação pública de qualidade não há como formar novos valores, hábitos e construir uma cidadania crítica. Necessário se faz romper o desrespeito histórico do poder público, e o despreparo administrativo. Porque geralmente o professor não participa das tomadas de decisão, atuando como um mero executor. Também, porque não nos indignamos, não protestamos, não exigimos. EDUCAÇÃO, até agora não foi uma prioridade. Acorda, Brasil!

E como foi no Salão do Livro, em que o aprendizado tomou cores e formas divertidas e instigantes, nosso desejo como escritora e educadora é que o país se transforme por meio da Educação. E nada mais digo, a não ser GRATIDÃO ao Instituto Usiminas, à Cibele Teixeira, Camilinha Valente, Nancy Nogueira, Pablo Cardoso, Cumpadi Mandruvachá, Narjara LEILOCA Ribeiro, João Senna dos Reis, e todos os amigos que foram prestigiar o lançamento do meu livro ‘As Pererecas e as velhinhas e outros causos”.

Brigaduuu, gente! Z AU REVOIR

* Escritora e encantadora de histórias

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

14 de junho, 2022 | 20:31

“Parabéns pelo lançamento das "Pererecas" e, principalmente, por este belo artigo em defesa da Educação Pública de qualidade. Muito obrigado!”

Tião Aranha

14 de junho, 2022 | 16:26

“Aqui Educação nunca esteve em primeiro plano, fazem com a Administração pública o mesmo que fazem com o carnaval, acaba um começa o outro. Não sei qual é o legado que os políticos pretendem deixar para os seus filhos e netos dum país inundado de corrupção. Sei lá, parece que comem no mesmo coxo, passam determinado tempo na cadeia, quando são despistadamente julgados- ninguém fala mais nis crimes da Lava-jato; voltam e voltamos com a mesma cara como - se nada tivesse acontecido. Pior: não devolvem nada daquilo que roubou.. O pecado capital é dobrado, e o prejuízo que causam a nação é impagável. Assistimos a tudo e a todos calados no silêncio da cumplicidade. A lei foi feita só pro mais fracos. Professor e Advogado deveriam ter vergonha de exercer nobres profissões num país incólume. Ou quem sabe o que temos é a memória curta. Ainda falam que existe a tal de Democracia. Que corre risco. Risos.”

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