Reprodução álbum pessoal
Bruno (em pé) e Dom, faziam incursão na Amazônia desde 2018, desapareceram dia 5/6 e seus corpos foram encontrados neste domingo (12)
O embaixador brasileiro no Reino Unido informou à família do jornalista britânico Dom Phillips, por meio de uma ligação na manhã desta segunda-feira (13), que os dois corpos (do jornalista e do indigenista Bruno Pereira) encontrados na região de buscas do Vale do Javari, amarrados em uma árvore.
Em entrevista ao The Guardian, jornal britânico para o qual Dom Phillips trabalhava, o cunhado de Dom, Paul Sherwood, informou que o representante do governo brasileiro não informou o local e disse que ainda será preciso identificar os corpos encontrados.
“Ele disse que queria nos informar de que foram encontrados dois corpos. Ele não descreveu o local e apenas disse que foi no meio da floresta, que eles estavam amarrados em uma árvore e que ainda não tinham sido identificados”, contou Sherwood.
Antes mesmo que as autoridades confirmassem oficialmente, a mulher do jornalista, Alessandra Sampaio, já tinha afirmado que os corpos do seu marido e do amigo dele, o indigenista Bruno Araújo Pereira tinham sido encontrados e que faltavam exames da medicina-legal.
Ambos estavam desaparecidos havia mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, um local nas proximidades da fronteira com o Peru, tomado por garimpeiros e caçadores ilegais, além de narcotraficantes.
A Polícia Federal afirmou para Alessandra que os corpos precisavam ser periciados. Bruno e Dom tinham sido vistos pela última vez no dia 5 ao chegarem a uma localidade chamada comunidade São Rafael. De lá, eles partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas não chegaram ao destino.
Bruno Pereira, além de indigenista apoiava a causa indígena. Servidor federal licenciado da Funai, ele também dava suporte a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari ,(Univaja). Bruno também já tinha sido coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte.
Já, Dom Phillips, morava em Salvador e fazia reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como Washington Post, New York Times e Financial Times, além do Guardian. Ele trabalhava na produção de um livro sobre o meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson. Phillips e Bruno faziam expedições juntos na região desde 2018, de acordo com o The Guardian.
Polícia Federal no Amazonas/Reprodução
Corpos foram encontrados no meio de uma mata
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Juíza decreta prisão temporária de suspeito em caso de desaparecimento no AmazonasPressão internacional Sob pressão interna e internacional, o governo brasileiro tratou de intensificar as buscas aos dois desaparecidos e determinou que equipes da Marinha, do Exército e da Força Nacional de Segurança fossem enviadas à Atalaia do Norte para auxiliarem nas buscas iniciadas oficialmente no dia 6 de junho, um dia depois que foi noticiado o desaparecimento do jornalista e do indigenista .
O Governo do Amazonas também enviou uma força-tarefa da Secretaria e Segurança Pública do Estado composta por policiais civis e militares, além de mergulhadores do Corpo de Bombeiros. As buscas contaram, ainda, com o apoio de voluntários e comunitários e indígenas da região. (Com informações do site Amazônia Real e Agências).
Divulgação
Equipes das forças armadas e da polícia do Amazonas faziam buscas na área do desaparecimento desde o dia 6 de junho
Objetos pessoais das vítimas foram encontrados domingoA Polícia Federal no Amazonas divulgou, no começo da noite de domingo (12), que a força-tarefa encontrou, no rio Itaguaí, objetos pessoais dos dois desaparecidos. Sábado, uma embarcação que “aparentemente” pertenceria a Amarildo da Costa Oliveira, preso desde a terça-feira por suspeita de envolvimento no sumiço de Bruno e Dom, foi localizada na região.
“No esforço de busca foram percorridos cerca de 25 km, com procuras minuciosas pela selva, em trilhas existentes na região, áreas de igapós e furos do Rio Itaquaí”, informou a PF em nota à imprensa.
Segundo o comunicado, foram localizados um cartão de saúde, uma calça, um chinelo preto e um par de botas pertencentes a Bruno Pereira, e outro par de botas e uma mochila contendo roupas pessoais, de Dom Philips.
“Nada é mais importante do que a busca pelos senhores Bruno Pereira e Dom Phillips. Os órgãos federais e estaduais reforçam o compromisso com a elucidação dos fatos e mantém a esperança de encontrá-los”, conclui a nota.
Também no domingo o coordenador do Corpo de Bombeiros em Atalaia do Norte (AM), Barbosa Amorim, disse à imprensa que sua equipe teve a “grata satisfação de ter êxito em encontrar uma mochila”, na qual havia um notebook e roupas.