19 de maio, de 2022 | 13:47

Testosterona não é a solução para todos os casos de falta de libido

Sarina Occhipinti *

Estar atento aos sinais do nosso corpo é importante para identificar os motivos que causam algum comportamento estranho ou inesperado. E a falta de libido pode ocorrer e estar relacionada a questões físicas ou emocionais e deve ser examinada mais a fundo. Mas o que é a libido? O nome está relacionado ao desejo sexual, e por isso, pode estar alto ou baixo em algumas pessoas, em determinadas fases da vida.

Os aspectos hormonais influenciam tanto quanto os aspectos psicológicos. Essas alterações na área do desejo para homens têm muita relação com testosterona, mas também tem relação com ansiedade e estresse que podem influenciar demasiadamente na falta do desejo sexual.

Já em mulheres a maior parte das queixas está relacionada a predominância estrogênica, isto é, uma fase do climatério onde o estrogênio está desproporcional em relação a progesterona e isso pode ocorrer a partir dos 35 anos.

"A falta de libido é um problema
que pode ser a causa de uma relação
amorosa problemática mas também
pode ser consequência dela"


Outra causa comum de queda de libido em mulheres é a menopausa, e para isso o mais indicado é a reposição hormonal. O uso da testosterona em mulheres é indicado numa patologia denominada Desejo Sexual Hipoativo e o diagnóstico é feito pelas queixas e não pelo valor de testosterona no sangue. Os estudos demonstram que a testosterona nesses casos tem efeito moderado.

A falta de libido é um problema que pode ser a causa de uma relação amorosa problemática mas também pode ser consequência dela. O importante é identificar as origens bioquímicas, anatômicas ou psicológicas e tratá-las.

Levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo por meio do Cresex (Centro de Referência e Especialização em Sexologia) do hospital estadual Pérola Byington, falta ou diminuição do desejo sexual atinge 48,5% das mulheres que procuram auxílio médico por conta de disfunções sexuais.

Outro levantamento feito pelo Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), mostrou que a falta de libido representa o maior número de queixas registradas no Ambulatório de Sexualidade da Ginecologia, somando 65% das reclamações.

"É importante consultar um médico
para que seja possível identificar
a causa e, assim, iniciar o
tratamento mais adequado"


A falta de orgasmo em mulheres é um problema muito mais comum do que se pensa, alguns estudos apontam que mais de 80% das mulheres queixam de anorgasmia e a causa está muito relacionada à falta de conhecimento do próprio corpo. Existe uma ideia de que a área da vagina seria a região mais sensível e responsivo ao orgasmo mas não é. Essa região é pouco inervada para permitir a passagem do feto quando do processo do nascimento. A área feminina que corresponde ao pênis no homem é o clitóris, então, é lá que deve ser friccionado para que a mulher chegue ao clímax da relação sexual.

É importante consultar um médico para que seja possível identificar a causa e, assim, iniciar o tratamento mais adequado. Nos casos em que a falta de libido é devido ao uso de algum medicamento, o médico pode alterar a dosagem, efetuar a troca do medicamento, ou até mesmo a suspensão do remédio. Quando está relacionado com alterações hormonais, pode ser recomendada a realização da correção dos hormônios apropriados.

Alguns medicamentos que aumentam o fluxo sanguíneo genital também podem ajudar em alguns casos. O uso de medicamentos fitoterápicos costuma surtir poucos efeitos e, portanto, não são os mais indicados.

Mas se a falta de libido estiver relacionada a questões emocionais, é importante procurar um médico ou psicólogo que seja capacitado em tratar ansiedade e estresse que são as causas mais comuns. Para casos específicos na esfera sexual a melhor solução é buscar um tratamento com profissional especializado.

* Especialista em Clínica Médica - email: [email protected]

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Comentários

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Tião Aranha

19 de maio, 2022 | 17:54

“O homem sempre vence pela bravura, a mulher pela brandura. Assim, a questão do prazer sexual na mulher esteja mais ligado ao fator psicologico, já que pra ela tem que satisfazer o todo, e não a parte; como é no caso do homem, o pênis.”

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