12 de maio, de 2022 | 13:55

Tempo seco aumenta em 20% problemas renais; pedra nos rins é a campeã

Carlos Vaz *

Uma em cada 10 pessoas no mundo deve desenvolver cálculo renal em algum momento da vida. Ou seja, a doença, que é conhecida também como pedra nos rins, deve atingir 10% da população mundial. Mas existe um fator climático que vem alterando as perspectivas e pode fazer com que esse número cresça e muito: as grandes oscilações de temperatura.

A relação é simples: quando se chega nos extremos da temperatura, como nos dias muito quentes, os casos de pacientes com cálculos renais crescem cerca de 30%. Os efeitos das altas temperaturas nos rins atingem mais homens do que as mulheres. Uma pesquisa feita no verão americano comprovou essa conexão, mas o alerta também serve para o período do inverno, por causa do tempo muito seco.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), existe um aumento de 20% nos casos relacionados a problemas renais devido à baixa umidade. O desenvolvimento de pedras nos rins é o campeão de aumento nesse período seco. A causa do aumento pode ser explicada pela desidratação que essa condição climática costuma causar. Nesse caso, a desidratação faz com que a urina fique mais concentrada, ou seja, propício para que os cálculos renais apareçam.

Além da desidratação, outros fatores fazem com que a concentração da urina aumente e, consequentemente, cresçam as chances de pedras nos rins, como a baixa ingestão de água. Vale lembrar que a baixa ingestão de água anda junto com a desidratação pela baixa umidade, pois quando o tempo está seco existe uma maior demanda por água do corpo, fazendo com que ele resseque mais rápido.

O tratamento, portanto, consiste em fazer a hidratação ao longo das 24h do dia. Não é recomendado beber 1 litro de água à noite e outro pela manhã e ficar desidratado durante o dia. É preciso manter uma regularidade na hidratação. A orientação é de que se urine em média um volume de 2 litros por dia, assim os cálculos dificilmente vão aparecer em quem não tem predisposição à formação deles.

"Além da desidratação, outros fatores
fazem com que a concentração da urina
aumente e, consequentemente, cresçam
as chances de pedras nos rins, como
a baixa ingestão de água"


A longo prazo, a perspectiva é que o número de pessoas com pedras nos rins aumente ainda mais e o motivo é um velho conhecido: o aquecimento global. Estudos internacionais apontam que o agravamento do fenômeno impacta diretamente na saúde dos rins, pois com o aquecimento gradual do planeta, as pessoas podem viver mais em meio às altas temperaturas. Isso prejudica o funcionamento do órgão, que vai além do limite para um funcionamento pleno.
As expectativas sobre a saúde dos rins da população vão além dos cálculos renais e preocupam: em 2040, as doenças renais crônicas, que causam insuficiência, podem ser a 5ª maior causa de mortes no mundo.

Adultos entre 40 e 60 anos devem estar sempre em alerta, já que o número de pessoas nessa idade com cálculos renais está crescendo, principalmente nos homens. Quando o paciente desenvolve pedras nos rins, a percepção de sintomas não é automática. Muitas vezes demora-se muito tempo até que a primeira dor surja. O ideal é procurar um urologista assim que perceber alguma alteração que possa vir a ser um problema renal.

Muita água e vigilância são aliadas quando se trata das questões nos rins. Com o tratamento no início da doença é possível evitar cirurgias e internações, já que essas pequenas “pedrinhas” no sistema urinário podem causar muita dor e desconforto.

* Médico pela UFMG, urologista, fellow em cirurgia laparoscópica e robótica em Paris, mestre em oncologia e diretor presidente do Hospital Urológica

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