11 de maio, de 2022 | 13:43

Hora de sair da zona de conforto

Renata Abreu *

Somos a maioria da população. E estamos nos consolidando cada vez mais também como maioria do eleitorado brasileiro. A diferença em relação aos homens nunca foi tão grande quanto neste ano, segundo levantamento feito pela GloboNews, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Veja isso: até o fim de março, as mulheres representavam 53% do eleitorado (78,4 milhões de títulos) apto a votar; os homens possuíam 47% (69,8 milhões). A vantagem de seis pontos percentuais tem crescido a cada eleição presidencial. E a reportagem mostra que ‘entre os grupos para quem o voto é, por lei, facultativo, isto é, pessoas das faixas etárias de 16 a 17 anos e acima dos 70 anos, essa discrepância é ainda mais acentuada: as mulheres são 56% e os homens, 44% do eleitorado’.

Sabe o que isso significa? Engajamento! É a reação feminina ao que está acontecendo no Brasil. Para o País sair da crise em que se encontra, precisa do envolvimento direto da população. As mulheres, como administradoras do orçamento familiar, são as que mais sentem o desemprego, a inflação, o custo de vida, o quanto está pesando no bolso comprar comida. É preciso se posicionar, se manifestar.

A mulher está mais engajada, mais ativa e mais participativa. Não foi sempre assim. No passado, vivia numa dicotomia: um pé na lua (sonhando com o príncipe encantado) e o outro, na senzala (escravizada pelo marido, família e sociedade machista). Foi uma luta ocupar o espaço no mercado de trabalho. Uma batalha para se libertar do papel de serviçal sem direito a réplica nem tréplica. Não tinha direito a nada, foi um custo danado conquistar o direito de votar e ser votada.

"Até o fim de março, as mulheres
representavam 53% do eleitorado
(78,4 milhões de títulos) apto a
votar; os homens possuíam
47% (69,8 milhões)"


Muita coisa já mudou. Ainda bem, mas ainda falta um bocado para ajustar esse desequilíbrio de gênero. No trabalho, mesmo mais inseridas como profissionais, a maioria ainda ganha menos que os homens. O preconceito ainda persiste e continuamos lutando por nossos diretos e por respeito. Ainda somos agredidas, violentadas e assassinadas pelo simples fato de sermos mulheres. Mas estamos reagindo mais, gritando mais, denunciando mais e criando leis e mecanismos para dar um fim a essa ultrapassada filosofia machista.

Se envolver com política, seja como eleitora ou como representante da população, participando do processo eleitoral, é mais um importante passo rumo ao tão necessário e importante equilíbrio para termos uma sociedade mais justa e igualitária. Não cabe mais convivermos com declarações que política é coisa de homem ou que mulher não é capaz de conciliar maternidade, família, carreira profissional ou mandato eletivo. Somos capazes disso e muito mais, e sem perder o romantismo e a ternura.

Podemos até chorar quietinha e longe dos olhos dos outros. Afinal, somos sensíveis, mas também somos corajosas. E cada vez mais determinadas na busca por aquilo que faz bem a nós e ao coletivo. Somos muitas chefiando famílias, criando e educando filhos responsáveis e respeitosos. Cuidando de si e dos outros.

Não sonhamos mais com o príncipe encantado. Mas continuamos a sonhar? Sim, claro. Sonhamos com comida na mesa. Sonhamos com Educação e Saúde de qualidades. Sonhamos pelo direito de ir e vir sem medo de sofrer violência. Sonhamos com a casa própria. Sonhamos por emprego.

Esse sonho coletivo pode virar realidade, mas é preciso sair da zona de conforto. Quanto mais mulheres estiverem engajadas na política, que é o instrumento transformador de uma sociedade, mais sonharemos sem medo de ser feliz! Um Brasil melhor depende cada uma de nós, mulheres! Eu quero. E você?

* Presidente nacional do Podemos e deputada federal por São Paulo

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