08 de maio, de 2022 | 10:00

No Dia das Mães, casais homoafetivos e filhos asseguram: ''amor é amor''

(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
O Dia das Mães é uma das datas mais celebradas no calendário. Figura importante, tem um lugar especial no coração dos filhos, que, cada vez mais, podem ser fruto de estruturas diferentes do tal padrão da “família tradicional brasileira”. Andréia Carla de Souza e Germana Carvalho Torres são um casal homoafetivo que decidiu adotar um filho, Emanuel, hoje com 11 anos, assim como Márcia Almeida e Tatiane Andrade, que adotaram Jonathan, de 16 anos. Já Izabella Ferreira Assis Paiva é filha adotiva de Roberta Moreira e Kamilla Araújo Oliveira. Mesmo com histórias diferentes, todas elas têm uma característica em comum: o amor.

Arquivo pessoal
Izabella Ferreira Assis Paiva: ''somos irmão por irmão, uma família linda''Izabella Ferreira Assis Paiva: ''somos irmão por irmão, uma família linda''
Izabella Paiva, de 22 anos, foi adotada aos 17 por Roberta e Kamilla. A família de Timóteo é composta por cinco filhos: três biológicos, fruto de relacionamento heteronormativo anterior de uma das mães e dois adotivos. A jovem lamenta que as pessoas ainda tenham o preconceito enraizado, mesmo que velado, e viver numa casa onde existe liberdade de perguntar, de questionar e entender o que acontece no mundo é diferente.

Dias atrás, revela, uma colega de serviço questionou se Izabella e os irmãos eram gays pelo fato de terem duas mães. “O que não faz sentido nenhum, a pessoa nasce desse jeito. Ela não escolhe sofrer preconceito, não escolhe ser linchado e, infelizmente acontece, está nas estatísticas. São pessoas como essas, que são machistas, racistas, homofóbicas, mas que não se intitulam assim - talvez por não entenderem ou por ignorância-, são elas que colocaram o atual presidente (Jair Bolsonaro) no poder. E posso afirmar que com os discernimentos que tenho hoje em dia eu não teria se fosse criada por um casal de héteros”, afirma a jovem.

Amor

Nesta data, Izabella faz questão de afirmar que o amor não tem diferenciação e revela que o sentimento em relação às mães é de agradecimento. “É o que tenho dentro de mim. Agradecimento por existirem, por me adotarem, mas ao mesmo tempo acho uma palavra muito simples, o que sinto vai muito além. Temos companheirismo, respeito, amor e só queria, por mais que ache meio simples, agradecê-las por serem quem são, nos apoiarem e sempre pensarem no que é melhor para a gente. O que sou hoje em dia é por influência das duas, que sabem respeitar e ouvir. Quando cheguei já estavam juntas e tinham os filhos biológicos de uma delas (além de Izabella, a família tem Ana Liz, Suellen, Lucca e Matheo). Somos um pelo outro e temos amor e respeito, acima de tudo”, afirma.

Adoção

Arquivo pessoal
As mães, Germana Carvalho Torres e Andréia Carla de Souza com o filho Emanuel Torres Cotta As mães, Germana Carvalho Torres e Andréia Carla de Souza com o filho Emanuel Torres Cotta
Andréia Carla de Souza e Germana Carvalho Torres, de Ipatinga, têm um filho adotivo, Emanuel Torres Cotta, de 11 anos. Andréia relata que a criança adotada costuma passar por uma série de questões. Ela busca, de alguma forma, reafirmar a sua filiação. “E se incomoda ao longo da infância por não ter nascido da barriga, não ter a cor das pessoas da família e etc. E é comum inventarem estratégias para concretizar esses desejos. Ele não fugiu à regra. Inventou uma forma de nascer da minha barriga. Não quis ser marrom, dentre outras questões que sempre foram enfrentadas da forma como se apresentaram e foram dadas as respostas, dentro das possibilidades de entendimento dele, de acordo com a idade”, recorda.

A mãe revela que o menino costuma falar com naturalidade sobre a adoção e até o momento não perceberam dificuldade da parte dele em compreender ou aceitar o fato de ter sido adotado. “Nunca externou sentir diferença na criação por duas mulheres, contudo, já viveu a fase em que ele queria de todo jeito um pai, que foi vivida como as outras questões existenciais dele”, conta.

Jonathan Andrade, de Santana do Paraíso, é só amor quando o assunto são as duas mães. “Elas me deram um lar, hoje tenho 16 anos, fui adotado aos cinco e sempre imaginei viver num ambiente feliz como o que temos. Tanto faz se são duas mulheres ou se fossem dois homens, o importante é que não falta o principal, carinho e respeito”, assegura. Márcia Almeida e Tatiane Andrade, que preferiram não divulgar sua imagem, são sucintas ao dizer que, para elas, não há diferença na criação oferecida por uma família tida como tradicional ou por casais homoafetivos. “Deus criou o ser humano para ser feliz. Ser mãe é o auge desse estado, nos permite cuidar de alguém e amar, como um pedaço de nós mesmos, ainda que não haja relação consanguínea. Nós amamos nosso menino. Somos mães orgulhosas e faríamos tudo de novo”, garantem.

Preconceito

Para Andréia, o preconceito sempre esteve presente e permanece nos dias de hoje. “Já vivemos de tudo um pouco, seja na família, entre amigos, conhecidos, nas escolas e em todo ambiente em que vivemos. Mas partimos do princípio de que o diferente costuma incomodar até que seja conhecido e, então, passa a fazer parte da rotina e as pessoas podem decidir se manterão a distância ou se aproximarão”, avalia.

Maternidade

No Dia das Mães, Andréia menciona que ser mãe significa doação, tanto de amor quanto de tempo. Para ela, ser mãe ultrapassa os limites da consanguinidade. É uma relação que implica o desejo real de se dar ao outro. “Se eu pudesse mudar algo, teria sido mãe um pouco mais cedo, hoje tenho 49 anos (Emanuel chegou para as duas com 1 ano e 10 meses). Minha mensagem para quem deseja adotar é que façam de forma planejada e consciente, pois filhos são para a vida toda. E que adotem porque querem ser mães ou pais de forma genuína, pois maternar é uma tarefa avassaladora e desafiante, independentemente da via, biológica ou adotiva. Sobre o preconceito, ele fala apenas sobre o outro e seu olhar perverso. O amor é intransponível e independe do gênero ou sexo de seus pares”, conclui.
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