07 de maio, de 2022 | 19:21

Instalação “Cobra Cariru” revisita lendas para criticar descarte de lixo na natureza

Fotos: Rodrigo Zeferino
Últimos dias para visitar a obra do cenógrafo e arquiteto Joab Sangi que está exposta no jardim externo do Centro Cultural Usiminas Últimos dias para visitar a obra do cenógrafo e arquiteto Joab Sangi que está exposta no jardim externo do Centro Cultural Usiminas

Uma instalação vistosa e curiosa, no jardim externo do Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga, vem chamando a atenção do público e já recebeu visitas especiais de alunos de diversas escolas do Vale do Aço. A obra é projeto desenvolvido pelo arquiteto e cenógrafo Joab Sangi com o objetivo de revisitar a memória originaria da região, “em uma homenagem aos que vieram antes”.

“Através dos contos locais e das lendas indígenas, a obra atua na cidade, a fim de denunciar o descarte abusivo de resíduos na natureza. Transformar o lixo da cidade em obra de arte e ressignificar o conceito do que é lixo são os maiores desafios do artista”, comenta a produção.

Nessa série, Joab se inspirou na lenda da cobra encantada que permanece até hoje na memória folclórica da cidade de Ipatinga. Diz a lenda que “Cariru” foi uma serpente gigante que por centenas de anos, protegeu a região que hoje conhecemos como Vale do Aço. A cobra fantástica que vivia às margens do rio Doce, território originário dos povos indígenas, guardava o local que naquele tempo era conhecido como “Vale Verde”.

Com suas escamas reluzentes e seu olho mágico, Cariru cegava os colonizadores e invasores que chegavam mal-intencionados à região. Quando avistavam a cobra, os olhos deles não suportavam o brilho exuberante que refletia da serpente. Todos ficavam cegos, imediatamente. Perturbados pela aparição da cobra e sem poder enxergar, eles se perdiam na mata e morriam de fome ou por acidente. Aqueles que olhavam a cobra nos olhos e conseguiam fugir, enlouqueciam de medo. Reza a lenda que essa história deu origem ao nome do bairro na cidade de Ipatinga, onde a cobra viveu por centenas de anos escondida na “Fícus”, uma linda árvore à beira da avenida Japão, tombada pelo patrimônio histórico e artístico da cidade.

A instalação atrai a atenção do público e de alunos das escolas do Vale do AçoA instalação atrai a atenção do público e de alunos das escolas do Vale do Aço

Denúncia
Nessa instalação, a série Cariru denuncia a poluição plástica que impacta a região do Vale do Aço. O sistema atual de produção, de uso e de descarte de lixo no mundo está falido, e, praticamente, garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza. “Esse comportamento afeta a qualidade do ar, do solo, das águas e a vida da população humana e animal. É urgente mudar esse cenário e levar esse debate para as escolas, ruas e nas casas dos cidadãos”, alerta a produção.

O impacto educacional da arte no espaço urbano e privado é uma das estratégias do artista para promover diálogos das suas obras na cidade, onde elas são produzidas e pensadas. As latas recicladas que compõem a obra Cariru, em especial, foram doadas pela população e por estabelecimentos comerciais de Ipatinga.

A instalação pode ser visitada até próximo o dia 17, diariamente no período das 10h às 20h, no jardim externo do Centro Cultural Usiminas com entrada é gratuita. O projeto é uma realização da GaleriA3; projeto de criação de Joab Sangi; curadoria de João Carlos Cardoso; montagem de Joab Sangi e Marcos Rufino; assistente de montagem de Lucimar Severiana, Bruno Rodrigues, Chrika de Oliveira, Mel de Faria, Filipe Fernandes, Danilo Antunes, Jeff di Jesus; serralheria de Ildmarques Celestino Rosa, Richard Lucas Reis Silva e Pablo Oliveira.
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