Alex Ferreira/Arquivo DA
Importadores preem dificuldades, caso preços dos derivados não sejam reajustados em breve
A Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) prevê que a Petrobras deverá reajustar o preço dos combustíveis em breve.
A projeção é que haja um reajuste de 12% no preço da gasolina e de 24% no diesel, que corresponderiam à diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e externo. Sem o reajuste, os importadores temem que haja dificuldades de abastecimento.
O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, explicou que: “o mercado espera ações da Petrobras alinhadas com seu discurso de necessidade de preços alinhados ao mercado, para evitar desabastecimento e dar segurança para que sejam realizados os investimentos necessários”. A informação foi publicada nesta quinta-feira (5) pelo jornal Correio Brasiliense.
O preço médio do litro da gasolina comum no Brasil hoje é de R$ 7,283, já do óleo diesel é de R$ 6,610, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente a semana de 24 a 30 de abril. Os preços variam de cidade para cidade.
O último ajuste de preços pela Petrobras ocorreu em 10 de março, quando preço da gasolina passou a acumular alta de 24,5% em 2022 e o preço do diesel passou a acumular alta de 35%.
Impactos na economia A disparada nos preços do Diesel nos últimos dois anos em impacto direto em vários setores da economia. Um deles é o de transportes urbanos. As concessionárias têm reivindicado a correção nos preços das tarifas, conforme já
noticiado pelo Diário do Aço.
No Vale do Aço, por exemplo, desde março a Saritur, que detém concessões em Ipatinga, Timóteo e Coronel Fabriciano reivindica correção de 31,26% no preço da passagem em Timóteo e em Coronel Fabriciano, conforme ofício entregue às prefeituras. Se aplicado o índice sobre os atuais R$ 4,20, a passagem iria para R$ 5,51. As empresas afirmam que a tarifa técnica mínima precisaria ser de R$ 5,38.
Petrobras anuncia lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022
Nesta quinta-feira (5), a Petrobras anunciou que teve lucro líquido de R$ 44,5 bilhões nos primeiros três meses de 2022. O resultado representa 3.000% de rentabilidade em comparação com o mesmo trimestre de 2021, quando a estatal teve um ganho de R$ 1,3 bilhão.
A receita de vendas da estatal foi de R$ 141,6 bilhões no primeiro trimestre, segundo o balancete. Cerca de 80% dos ganhos do período foram provenientes das atividades de Exploração e Produção (E&P) e 20% decorrem de ganhos provenientes dos demais segmentos, como refino.
“Este resultado financeiro deve-se ao fato de termos agora uma Petrobras saneada, que reduziu os encargos com pagamento de dívida, investe com responsabilidade e opera com eficiência. Por isso, é possível gerar esse retorno importante para o acionista, em especial a sociedade brasileira, representada pela União. Tudo isso gera desenvolvimento econômico em toda a cadeia produtiva, gerando emprego, renda e arrecadação de tributos para o país”, destaca o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho.
Para onde vai o lucro da Petrobras?
O principal acionista da Petrobras é a União, com 28,6% do capital social da empresa. O governo também detém participação na companhia via BNDESPar, com 6,9%, e BDNES, com 1% das ações.
Em 2021, do lucro de R$ 106,6 bilhões auferido pela companhia, R$ 37,3 bilhões foram pagos ao governo federal na forma de dividendos. O recurso entra no caixa do Tesouro Nacional.
Em fevereiro deste ano a Petrobras também anunciou o pagamento de R$ 37,3 bilhões em dividendos aos acionistas minoritários. Dividendos representam uma participação do acionista nos lucros de uma empresa, e são distribuídos proporcionalmente à quantidade de ações que o investidor possui. De acordo com a Lei das S.A., as empresas de capital aberto têm que distribuir no mínimo 25% dos seus lucros a acionistas.
Apenas no primeiro trimestre deste ano, a Petrobras pagou quase R$ 70 bilhões em impostos, royalties e participações para o governo federal, um valor superior ao lucro líquido auferido no período. (Com informações da Petrobras e Agência Brasil)