15 de abril, de 2022 | 10:00

Advogado aborda relação entre Judiciário e a mídia

Arquivo pessoal
O autor reforça que o livro trata do ativismo judicial e da judicialização das demandas sociaisO autor reforça que o livro trata do ativismo judicial e da judicialização das demandas sociais

O doutor em Ciências da Comunicação e mestre em Filosofia do Direito, Hermundes Flores, conversou com o Diário do Aço sobre o resultado de pesquisas realizadas durante seu doutorado. O professor e advogado, que atua em Ipatinga, lança no próximo dia 7 um livro fruto deste processo de estudos. Intitulada “Judiciário Midiatizado: Judicialização, ativismo e comunicação”, a obra aborda a relação entre Direito e Comunicação. A publicação já está disponível para a venda nas plataformas online.

Hermundes defendeu sua tese no mês de março de 2021 e as pesquisas renderam um livro. “Tradicionalmente, as pesquisas sobre a relação entre Judiciário e Comunicação Social estão muito preocupadas com a influência dos meios de comunicação e do público sobre o poder Judiciário. Mas o livro mostra que no contexto da midiatização, esse cenário mudou, o Judiciário e o sistema de Justiça, como polícias, Ministério Público e bancas de advocacia não estão mais a reboque de influências, de pressões. Até podem em determinados assuntos serem pressionados, mas também fazem pressão e essa é a grande mudança que eu vejo, que a pesquisa mostrou e que está relatado no livro”, aponta.

O autor reforça que o livro trata do ativismo judicial e da judicialização das demandas sociais, mas diferente do que tem sido feito. “Aborda o ativismo no contexto da midiatização. Ou seja, a midiatização complexifica o ativismo, que não é apenas da iniciativa do juiz num despacho. Mas se dá também nas redes, mediado pelas redes e que é algo interessante de se pensar”, pontua.

Questionado se a Operação Lava Jato é um exemplo deste caso da midiatização, o professor concorda e acrescenta que o sistema de Justiça funciona como um ator, um sujeito ativo que propõe o agendamento dos temas, que chama a imprensa e que usa os meios - não somente a imprensa, mas as mídias sociais-, os grupos de WhatsApp, para propor e influenciar no sentido que o Judiciário quer que suas decisões tenham, perante a sociedade. “Quer dizer, o movimento que a gente nota, especialmente num caso como a Lava Jato, é da operação utilizando dos meios de comunicação, como parte da sua estratégia, até para condenar previamente o réu, para obter aprovação prévia daquilo que ela quer fazer, obter aprovação prévia dos seus públicos e até formar públicos que endossem as metas que ela já definiu”, destaca o advogado.

Inacessibilidade

Até pouco tempo, o acesso ao Ministério Público, promotores, advogados e demais operadores do Direito não era tão facilitado como hoje, como observado no dia a dia da imprensa, que atualmente tem contato com estes atores. “Isso certamente mudou, o Judiciário está mais transparente, eu diria, e isso gera consequências, positivas e negativas. Ele tomou a iniciativa de se mostrar, a reunião do plenário do Supremo Tribunal Federal é transmitida ao vivo. Os ministros estão no Twitter, Instagram e etc., e mesmo nas comarcas do interior, o Judiciário já pratica um modelo de Comunicação e tem uma comunicação oficial, não é apenas objeto da notícia, ele agenda e propõe a notícia e utiliza dos meios para circular os temas, seja por WhatsApp, YouTube, e daí por diante”, salienta.

Livro

Em seu livro, Hermundes adianta que o leitor encontrará uma reflexão mais teórica e conceitual para ajudar a entender os movimentos que envolvem a midiatização e estudos de caso práticos, mostrando como casos emblemáticos os atores do sistema de Justiça, se envolveram, relacionaram e interagiram com a sociedade circundante, utilizando os meios de comunicação e mídias, para se relacionarem com os públicos que ela queria que acompanhassem na construção do sentido de operação. “Tem casos da Lava Jato – o livro não é sobre a operação-, e outros, onde o leitor vai poder encontrar um estudo mais cuidadoso e aprofundado, para entender como o judiciário tem funcionando dentro desse contexto da midiatização”, esclarece.
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Comentários

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Tião Aranha

15 de abril, 2022 | 14:15

“Não bastasse a judicializacao da política, agora querem judicializar a mídia. Reforma do judiciário ninguém fala. A esquerda ganhando vai judicializar tudo. Isso que eles chamam de Estado de direito ?.”

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