11 de abril, de 2022 | 00:01

Parkinsonianos relatam desafios e necessidade de informação sobre a doença

O Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Parkinson, lembrado em 11 de abril, é uma data voltada para o esclarecimento e as possibilidades de tratamento para que o paciente e sua família tenham uma melhor qualidade de vida. Elita de Paula da Silva Gomes, de 62 anos, e Gervásio Pierre Araújo Fraga, de 58 anos, ambos de Timóteo, foram diagnosticados há alguns anos e não se deixaram abater.

O parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central e pode causar tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, dentre outros sintomas. Gervásio, que é morador do bairro Novo Horizonte, observa que esta segunda-feira poderia ser mais um dia como outro qualquer, porém seu diagnóstico precoce, aos 28 anos, fez com que transformasse a adversidade em luta.

“A importância de datas como o 11 de abril está no fato de lembrarmos aos nossos governantes que existimos e precisamos de políticas públicas que possam dar maior qualidade de vida. Políticas como medicação em dia; equipe multidisciplinar, formada com profissionais na área fisioterapia, psicologia, nutrição, neurologia e terapia ocupacional. Isso é o básico para vivermos com qualidade”, aponta.

Ele acrescenta que as dificuldades enfrentadas estão ligadas aos medicamentos – que nem sempre são encontrados no SUS e custam caro, se adquiridos de forma particular - e de profissionais que possam atender com qualidade. “Conviver com uma a doença que não tem cura e que é progressiva, é como se houvesse um relógio acelerado dentro da gente. Nos causa ansiedade, tristeza, desequilíbrio e insegurança. Porém, mantenho sempre a esperança de que a cura vai chegar”, anseia.

Conhecimento

Elita, que mora em um sítio, próximo ao bairro Eldorado, observa que datas como a do dia 11 de abril são importantes para levar à população conhecimento sobre a doença. “As pessoas quase não conhecem e os sintomas são bem aparentes, podemos sofrer preconceito por causa desse desconhecimento. Uma das dificuldades é conviver com uma doença grave e degenerativa. Mas sabendo lidar, temos condições de viver uma vida tranquila”, avalia.

Arquivo pessoal
Gervásio Pierre Araújo Fraga tem esperança em uma cura para a doençaGervásio Pierre Araújo Fraga tem esperança em uma cura para a doença
Ela recebeu o diagnóstico em junho de 2001. “Meu neurologista me disse que no meu caso não foi tão agressivo. Agora que aumentou um pouco o tremor e a rigidez, mas eu faço normalmente as atividades diárias, também dirijo. Só não escrevo, porque minha letra ficou torcida. O diagnóstico foi um impacto, mas sempre tive o apoio da família e isso foi muito importante para mim. Procuro me informar sobre a doença, tomar os medicamentos e manter a tranquilidade. Pratico atividades físicas, me mantenho em movimento, cuido das minhas flores. Esse contato com a natureza me dá tranquilidade”, afirma.

Gruparkinson

Em Timóteo, os pacientes têm o suporte do Gruparkinson, grupo de apoio aos parkinsonianos do Vale do Aço. Gervásio e Elita são dois dos fundadores da entidade e se orgulham em realizar este trabalho.

Arquivo pessoal
Elita aconselha que os parkisonianos procurem informação sobre a patologia Elita aconselha que os parkisonianos procurem informação sobre a patologia
“No Gruparkinson nós oferecemos fisioterapeutas e fonoaudióloga, além de um ambiente acolhedor, e tratamos o portador do parkinson com muito amor e carinho. Resgatamos a dignidade e a vontade de viver. É possível conviver com a doença e ser feliz. Venha aprender com a gente. O Gruparkinson fica situado na rua Maria Rodrigues de Carvalho, 727 - bairro Novo Horizonte, em Timóteo. O telefone de contato é o 3848-3931 e o contato pode ser feito de segunda a sexta, das 7h às 12h”, orienta Gervásio.

Por sua vez, Elita salienta que a instituição organizada, com mais pessoas em busca de um objetivo, tem mais força. “E essa representatividade ajuda muito. Constantemente pessoas buscam o grupo para receber orientação sobre medicamentos e como conviver melhor com o parkinson. O grupo é bem estruturado, tem fisioterapia, pilates e presta ajuda a todos os parkisonianos, não somente de Timóteo, mas do Vale do Aço”, reforça Elita.

Mensagem

Gervásio deixa uma mensagem de apoio para os parkinsonianos. “Nunca desanime ou deixe de sonhar. A cura está próxima, temos que acreditar. O futuro a Deus pertence”, confia. Elita pontua que o diagnóstico de uma doença incurável e degenerativa assusta, mas é preciso conhecê-la e quais são as possibilidades em termos de medicamentos paliativos. “Além de procurar informação sobre a patologia e fazer coisas prazerosas. É preciso viver. Não tenha vergonha, você não é inferior a ninguém”, conclui Elita Gomes.
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