08 de abril, de 2022 | 14:38

Burocracia tributária custa R$ 430 bilhões por ano ao Brasil

Antonio Tuccilio *

Estudo da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) mostra que são necessárias 600 horas por ano para o cumprimento de obrigações tributárias pelos contribuintes junto à Receita Federal. É um custo extremamente elevado. Para se ter uma ideia, pesquisa feita entre 190 países mostra que a média não passa de 234 horas.

Esses dias li excelente artigo do querido colega Carlos Leony, presidente Associação dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Afresp), e de Fábio Rocha Verbicário, superintendente de Automatização da Fiscalização e do Atendimento da Sefaz-RJ. No texto, eles destacam o quanto o Brasil perde ao limitar a gestão tributária.

De acordo com o Núcleo de Tributação do Insper, enquanto países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) possuem custo administrativo tributário de 0,28% do PIB, no Brasil esse peso é estratosférico: são 19,7% – sem colocar o contencioso judicial na conta.

A perda acarretada por esse modelo institucional é absurda. Cálculo conservador feito por Leony e Verbicário chegou ao número: são R$ 429,5 bilhões. Um absurdo.

Para ter uma noção do tamanho do desperdício, esse total corresponde a 15% da arrecadação tributária anual do país, cujo valor previsto para 2022 é de R$ 2,5 trilhões, somando os impostos municipais, estaduais e da União. Mais ou menos um mês de arrecadação. Nesse valor cabe os ganhos de uma reforma tributária no país.

“É inacreditável que o modelo
de administração tributária
esteja estacionado desde 1960”


É inacreditável que o modelo de administração tributária esteja estacionado desde 1960. Naquele tempo, a fiscalização era pessoal e individual, sem o uso da tecnologia da informação. São 62 anos de estagnação.
Indiscutivelmente, está aí uma trava à administração tributária. Se o Brasil quer mesmo entrar para OCDE, tem um longo caminho pela frente. É necessário adotar e aplicar as boas práticas das administrações tributárias dos países líderes.

No artigo, os autores destacam a necessidade de o Brasil “trilhar o caminho da ciência da administração tributária”. Assino embaixo. É preciso ter um sistema tributário mais previsível, independente das leis tributárias em vigor ou que possam ser adotadas. Impressionante o montante de dinheiro perdido.

* Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Tião Aranha

08 de abril, 2022 | 16:59

“? um serviço público muito caro e o contribuinte nunca tem retorno do Estado dos impostos que paga.”

Envie seu Comentário