05 de abril, de 2022 | 11:19
Deu a lógica
Fernando Rocha
O Galo ganhou porque, no momento atual, é muito melhor do que o Cruzeiro. Sempre digo que o futebol imita a vida: às vezes diz o que deve ser feito, outras vezes o que evitar.
Neste caso das duas torcidas presentes em igualdade no estádio, vimos quão bestial o ser humano é, como reage em relação ao seu semelhante, sobretudo, quando está em grupos, ao ofender uns aos outros gratuitamente com gestos e palavrões, como se fossem inimigos e não adversários na preferencia por um time de futebol.
Por outro lado, democratiza o espaço e obriga os jogadores de ambos os lados se dedicarem mais, irem até o limite de suas forças e capacidades, para mostrar o que realmente sabem, enquanto praticantes deste ofício do qual se tornaram profissionais.
Outra taça
No primeiro tempo, como já era esperado, os dois times reforçaram suas marcações, mas o Cruzeiro correu mais, por ser inferior tecnicamente e saber que só assim teria alguma chance de sair com o resultado positivo.
O técnico do Galo, o argentino Turco Mohamed, apostou numa escalação previsível, que o grande Nelson Rodrigues chamaria de óbvio ululante”, mas algumas peças, como Keno, não funcionaram e o placar mais justo seria o empate.
O gol do Galo só saiu aos 31 minutos, por conta da força e da qualidade técnica do imarcável” Hulk, que fez a diferença em chute de fora da área, surpreendendo o bom goleiro Rafael Cabral, que a meu juízo não falhou no lance.
No segundo tempo, aos 14 minutos, Turco Mohamed fez o que tem sido uma constante nos jogos do Galo: usou a qualidade do banco de reservas e mudou o panorama da partida, ao sacar o ineficiente Keno para a entrada de Ademir, que iniciou a jogada que Hulk passou a Nacho, que, com muita categoria, driblou o zagueiro Oliveira fazendo um golaço: 2 x 0.
O time do Galo acabou com o ligeiro domínio do Cruzeiro e o terceiro gol saiu logo depois, em contra-ataque que resultou em pênalti incontestável do goleiro Rafael Cabral em Hulk, convertido por ele mesmo: 3 x 0. Outra taça merecida para o capitão Réver erguer e levar a torcida alvinegra ao delírio.
O gol de honra celeste, marcado por Edu no finzinho da partida, serviu para contemplar a luta e o empenho dos jogadores cruzeirenses, aplaudidos pela torcida na saída do gramado.
O torcedor da Raposa tem, sim, motivos para acreditar que esse time sob o comando de Paulo Pezzolano poderá fazer uma boa campanha na Série B e retornar à elite do futebol nacional.
FIM DE PAPO
Para atender um desejo do meu filho Vinicius, de 14 anos, que nunca tinha visto um clássico com o Mineirão dividido ao meio pelas duas torcidas, desafiei os perigos enfrentando a perigosa BR-381 e fui a BH. Valeu a pena, pois, de fato, foi um belo espetáculo, que tem muito ainda para ser melhorado visando os próximos anos.
Em primeiro lugar, se a novidade ou a grande atração do espetáculo eram as torcidas, não vi motivos para o volume de som do estádio tão alto, a ponto de silenciá-las por completo durante a pré-hora da partida. O show do pagodeiro Pixote, também, foi prejudicado pelo palco pequeno, afastado, escondido da maioria do público, além da péssima qualidade do som, que não permitiu entender nada do que ele cantava.
Outro detalhe foi o exagerado tamanho da área de separação das torcidas, o que comprimiu os torcedores do Galo e da Raposa nos locais destinados a elas, obrigando milhares de pessoas a assistir o jogo em pé, incomodados e incomodando uns e os outros, a maioria absoluta sem usar máscara, com sério risco à saúde, pois o vírus da covid-19 continua circulando e a pandemia não acabou.
Mas, de um modo geral, a festa foi bonita. O esquema de segurança da Polícia Militar funcionou perfeitamente e nenhum grave incidente entre torcidas foi registrado. O trio de arbitragem e o VAR foram muito bem e, para isso, contribuíram os jogadores, que quiseram apenas jogar futebol sem atrapalhar o espetáculo. Os assopradores de apito daqui dos nossos grotões ou os de fora acertam e erram do mesmo jeito. Dessa vez, erraram menos e acertaram mais. (Fecha o pano!)
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