03 de abril, de 2022 | 09:30
Infectologista destaca importância do tratamento precoce para casos de leishmanioses
Caso uma pessoa com leishmaniose não seja tratada da forma correta, a doença pode causar complicações graves e até a morte do paciente. O alerta é da infectologista que atua em Ipatinga, Carmelinda Lobato, em entrevista ao Diário do Aço. E, para abordar a respeito dos perigos da leishmaniose, a profissional lembra que será realizado, na próxima quinta-feira (7), das 13h às 16h50, o I Simpósio de Leishmaniose Evidências de Cuidados na Assistência Hospitalar.
Carmelinda Lobato informou que o simpósio será aberto a todos os interessados e ocorrerá no auditório do Hospital Municipal de Ipatinga, no bairro Cidade Nobre. Profissionais de saúde, estudantes ou qualquer interessado poderá participar, porém, o número de vagas é limitado e as inscrições devem ser feitas pelo telefone (31) 3828-5681, das 13h às 18h. Vale ressaltar que o objetivo maior desse evento é atualizar os profissionais de saúde para realização de um diagnóstico precoce e tratamento adequado para evitar as complicações da leishmaniose”, explicou.
Zona endêmica
Conforme a infectologista, Ipatinga está numa zona endêmica para as leishmanioses, que são divididas em dois tipos a cutânea e a visceral. Com relação à leishmaniose cutânea, em 2021, tivemos 71 casos e em 2022 são quatro casos registrados até o momento. Já em relação à leishmaniose visceral, em 2021 foram 12 casos registrados e ainda sem caso confirmado em 2022. Os bairros mais acometidos com leishmaniose cutânea, no ano passado, foram Imbaúbas, Bom Retiro e Canaã. Enquanto os bairros mais acometidos com leishmaniose visceral, em 2021, foram Esperança e Bom Jardim”, detalhou.
Sintomas
Na entrevista, a infectologista apontou os sintomas provocados pelos dois tipos de leishmanioses. A cutânea causa feridas arredondadas, com bordas elevadas que têm duração de 15 dias ou mais e que não cicatrizam sem o tratamento específico. Já a leishmaniose visceral provoca febre prolongada, emagrecimento, aumento de baço e fígado, atinge a medula óssea causando anemia, baixa de leucócitos e de plaquetas. Essas alterações, se não tratadas, levam à morte do paciente”, afirmou.
Transmissão
Carmelinda Lobato também explicou que a transmissão das leishmanioses, causadas pelos protozoários do gênero Leishmania, ocorre por meio da picada do flebotomíneo, o mosquito-palha, responsável por transmitir os parasitas, e que o cão é o principal hospedeiro deles. Locais que acumulam muito lixo e/ou matéria orgânica atraem o mosquito-palha e a transmissão da leishmaniose se reforça. Vivemos numa região endêmica para as leishmanioses cutânea e visceral. Dessa forma, medidas de prevenção são fundamentais para o controle, dentre elas, evitar o acúmulo de lixo, limpar quintais e terrenos”, salientou.
Tratamento
Conforme Carmelinda Lobato, o tratamento da leishmaniose cutânea pode ser feito com aplicação local de remédio (glucantime), ou por meio da aplicação na veia. O tratamento é prolongado, mas pode ser feito na unidade básica de saúde. Em alguns casos há necessidade de internação para uso de Anfotericina B (antifúngico). O glucantime, em dosagem diferente, também pode ser usado para a leishmaniose visceral, sempre com aplicação na veia. Nos casos graves, há necessidade de hospitalização para uso da Anfotericina B”, finalizou.
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