01 de abril, de 2022 | 14:56

Um olhar para o Brasil

Luiz Flávio Arreguy Maia *

Ao traçar um panorama do estado atual de coisas no Brasil (Artigo Ano Velho, Ano Novo), indicamos que temos sido vítimas de maquiavélica desinformação na comunidade mundial. Isso, não obstante, cresce a elucidação, para vastas áreas da opinião pública, de partes ocultadas da realidade, sobretudo pela circulação livre de opiniões e informações verdadeiras nas mídias sociais.

Hoje vamos lançar luz sobre mais sombras do quadro geral, desfazendo confusões que grassam mundo afora e no país, promovidas pela grande imprensa e sustentadas por decisivos apoios. É evidente que grande não é sinônimo de boa, muito menos ainda significa confiável...

Para entender a expressão grande imprensa, é necessário destacar que há por aqui três jornais grandes (O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo); uma rede de TV que já esteve entre as maiores do mundo (Rede Globo), hoje meio decadente; e ainda algumas revistas semanais, também atravessando crise, que tem chegado ao ponto de algumas serem trocadas de mão em meio a riscos de falência (por exemplo Veja, vendida, e Época, descontinuada pelos editores). Mas o conjunto desse segmento ainda alcança uma grande parcela da população, sobretudo aquela formada por pessoas de menor renda e das regiões mais remotas.

Por outro lado, ocorreu significativo crescimento do engajamento obtido por canais independentes, como a Rádio Jovem Pan On Line, ou articulistas de renome, oriundos da imprensa “tradicional” como o jornalista Alexandre Garcia e outros. Sem compromissos com pautas pré-determinadas pelas empresas editoras, podem chegar a ter um número de inscritos da ordem de milhões de pessoas. Veiculados por meio da web e sem vínculos comerciais importantes, começaram a se dedicar à difusão de informações geralmente sonegadas pelos veículos da agora chamada velha imprensa.

A novidade é que agora sites independentes como Kim Paim, Jornal da Cidade on Line, Te Atualizei e outros, são sustentados por contribuições espontâneas de seus seguidores. E não param de crescer, a ponto de ameaçarem a concorrência, primeiro as chamadas TVs fechadas (a cabo) como Globo News e CNN Brasil, e mesmo os sites online mantidos pela grande imprensa, vez que todos os veículos impressos acima citados mantêm versões digitais, como ocorre no resto do mundo. Mais e mais brasileiros deixam de ser reféns de versões uniformes de veículos aparentemente concorrentes.

As forças do chamado establishment brasileiro incluem os maiores partidos políticos (Partido dos Trabalhadores-PT, Partido da Social Democracia Brasileira-PSDB e Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB, que comandaram o Executivo nos últimos 30 anos; as entidades classistas do empresariado, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras. Personalidades da elite dominante oriundas ainda do judiciário, da advocacia, do comércio e outros, acabam compondo uma discreta e onipresente rede de formadores de opinião, que pautam a imprensa e por ela são pautados.

“Hoje essas forças [do establishment]
são confrontadas por efusivo pipocar
de vozes e ações da direita conservadora”


Trata-se de uma interação contínua e sustentada, que formatou opinião dominante única ao longo das últimas décadas. Mas hoje essas forças são confrontadas por efusivo pipocar de vozes e ações da direita conservadora. Infelizmente, esta Direita ainda não dispõe de organização mínima, nem de articulação suficiente, travando em condições desiguais uma guerra tão relevante. Mas segue crescendo e falando um pouco mais alto todos os dias. Haja vista a enorme multidão de pessoas que acorreram às ruas em defesa de pautas conservadoras, nas diversas manifestações que dominaram o panorama nacional. Fenômeno presentemente em recesso, desde o surgimento das restrições impostas por autoridades regionais em razão da malfadada covid-19.

O resultado é o clima de confronto e polarização que tomou conta da sociedade brasileira. Para o observador mediano, internamente, as águas estão turvas, e muitos oscilam entre o crédito e o descrédito às verdades oficiais. Afinal, elas são ratificadas por um grande número de protagonistas, no campo político e econômico, e sobretudo nos embates que chegam ao judiciário.

Os exemplos mais relevantes dessas ratificações ocorrem nas contestações judiciais de decisões do Executivo, promovidas pelos minúsculos partidos de oposição esquerdista radical, como a Rede Sustentabilidade ou o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), embates nos quais, sistematicamente, o lado conservador é derrotado. São tristemente lembradas também as decisões hostis à liberdade de expressão contra vozes conservadoras, que chegaram até à prisão por crime de opinião antes de terminados os julgamentos. Ou o bloqueio de rendas obtidas por canais sob investigação, por supostamente praticarem desinformação deliberada ou pregação de violência, hoje designados eufemisticamente por Fake News.

Hoje veremos um clássico exemplo, que ficou patenteado nestes tempos encerrados pelo carnaval. Afinal, na Quaresma é tempo bom para meditarmos. Como se por artes misteriosas, desapareceram das manchetes o alarmismo e a intimidação com que a população foi controlada dois anos inteiros. Omitiu-se a espetacular redução dos casos fatais por causa da covid, as amplas vagas disponíveis nos leitos de UTIs, e as medicações desenvolvidas para dominar a doença real.

Por outro lado, as autoridades estaduais e municipais, que hoje determinam o que pode e o que não pode ser feito na rua, fecham solenemente os olhos às atividades espontâneas de grande número de pessoas. Elas afinal saíram às ruas para beber, dançar e cantar, como se não houvesse amanhã, como se diz por aqui...

Como ficou o noticiário? Simples: cobertura simpática aos desfiles informais, blocos de rua, festas particulares ou semi-públicas, zero referências à falta de máscaras, nenhuma contagem de quantos apareciam por metro quadrado, nas fotos. No feriado, ao descansar no litoral e passar por praias lotadas, e ser saudado efusivamente por populares, o presidente da República foi notícia. Não pela genuína simpatia de que goza, e com que desmascara manipuladas pesquisas de intenção de voto, mas pelas “aglomerações” que provocou. Esta é a Imprensa Velha, um consórcio, que hoje desempenha papel muito relevante nas hostes esquerdistas brasileiras. Não posso encerrar estas notas sem registrar a postura isenta deste Diário do Aço, que me acolhe com total respeito à liberdade de opinião. Garantia de sucesso merecido, contraste com tanta coisa ruim que descrevi.

* Advogado e administrador, com longa experiência na gestão de organizações públicas e privatização de estatais

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Comentários

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Tião Aranha

03 de abril, 2022 | 11:59

“A volta dos eventos públicos comandos pelos políticos porque é ano de eleição e ninguém usando máscara, é só vir aqui na praça do coreto domingo em Timóteo, como que se a Pandemia já estivesse acabado. A rádio citada pelo colunista faz descarada campanha Política pro governo. Todo mundo a serviço do Sistema. Risos.”

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