31 de março, de 2022 | 13:52

Educação e corrupção no Brasil: a fé como desculpa

Luís Fernando Lopes *

As notícias recentes a respeito de supostos pedidos de propina para liberação de verbas públicas destinadas à educação, reacende o alerta sobre um problema constante na história recente da democracia, o uso do poder político e da máquina pública para favorecimento próprio, bem como, para o favorecimento e enriquecimento daqueles que integram grupos de apoiadores.

Ainda que temas como honestidade, ética, integridade, verdade, moralidade e princípios religiosos estejam na pauta diária de alguns representantes políticos e de seus auxiliares, na prática, o que determinados discursos e ações noticiadas indicam, ainda que supostamente, é o descaso com a verba pública e a preocupação constante de representantes políticos em agradar aqueles que consideram apoiadores, mantendo seus cargos e os benefícios que oferecem.

Paradoxalmente, para manter as aparências, utiliza-se a desculpa da fé. Afinal, um governo de representantes religiosos pode ser considerado ético por natureza. Como é possível que representantes da verdadeira religião misturem fé e política em prejuízo do povo, principalmente do povo mais pobre? Muitos dirão: - “Isso não passa de campanha para difamar lideranças, ainda mais em ano eleitoral”. “Sós Deus pode julgar!” Contudo, mesmo entre grupos apoiadores parece haver discordância, o que no mínimo colabora para aumentar as suspeitas.

"Usar a fé e a religião
como desculpa para se
anter no poder e beneficiar-se,
principalmente, economicamente,
é uma atitude que provoca indignação"


O Brasil é considerado um país cristão, que tem Nossa Senhora Aparecida como padroeira, cuja imagem inclusive já foi alvo de ataques por um representante que se dizia evangélico. Não se trata aqui de simplesmente relembrar e condenar um ato violento de desrespeito religioso, em si já condenável, mas de refletir sobre a contradição em se dizer evangélico e viver e agir de modo totalmente contrário ao que ensina o Novo Testamento.

É comum ouvir em pregações e canções religiosas, que só Deus é coerente, mas fazer disso motivo para usar a fé e a religião de maneira geral como desculpa para se manter no poder e beneficiar-se, principalmente, economicamente, é uma atitude que provoca indignação. Falar da vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, injustamente crucificado, principalmente por motivos políticos para promover a injustiça e a exploração do povo mais humilde é no mínimo um sacrilégio, ou como se diz no jargão religioso, um pecado que clama aos céus!

Para encerrar essas breves reflexões parece oportuno lembrar as duras palavras de Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança” (Mt. 23, 25).

* Mestre e doutor em Educação. Professor da Área de Humanidades e do Programa de Pós-graduação em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional Uninter.

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Comentários

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Tião Aranha

03 de abril, 2022 | 14:46

“Os políticos usam a Educação pra ganhar a eleição, mas nunca vi um político visitando uma escola. Demagogia tb tem limite.”

Tião Aranha

03 de abril, 2022 | 14:41

“A mesma hierarquia politica de poder que existe na igreja tb existe entre os partidos políticos. É por isso que um não briga com o outro, ou, um gambá cheira o outro.”

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