27 de março, de 2022 | 09:00

Encarecimento de energia elétrica aumenta procura por sistema solar

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No caso de residências, as placas são instaladas no espaço disponível no telhadoNo caso de residências, as placas são instaladas no espaço disponível no telhado
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
A conta de energia elétrica do brasileiro está cada vez mais cara. As últimas faturas da Cemig trazem um adicional de escassez hídrica, ampliando o gasto com o serviço. O gestor de Projetos da empresa EME Solar, localizada no Distrito Industrial de Ipatinga, Gabriel Costa Faustini, explica que a procura por instalação de placas de energia solar fotovoltaica aumentou entre 15% e 20%, num comparativo dos meses de fevereiro deste ano e de 2021.

Conforme explicou, alguns motivos justificam a procura. “O valor de cada quilowatt vem aumentando muito. Em fevereiro de 2021, um kWh custava em torno de R$ 0,90. Em fevereiro de 2022 chegou a R$ 1,15. Mais de 20% em um período de 12 meses. Além disso, desde setembro de 2021 está sendo cobrada a bandeira mais cara, chamada de escassez hídrica, que cobra R$ 14,20 a cada 100 kWh de consumo. A bandeira vermelha patamar 2, a mais cara anteriormente, cobrava R$ 9,49 a cada 100 kWh”, exemplifica.

Gabriel acrescenta que as novas instalações de painéis têm ocorrido não somente pelo encarecimento da energia elétrica. “Em janeiro de 2022, foi sancionada a nova lei para o setor de geração distribuída. Resumindo, ela permite que as concessionárias de energia cobrem um percentual de toda geração que é exportada para a rede de distribuição. Essa cobrança passará a ocorrer a partir de janeiro de 2023. Aqueles que realizarem a instalação ainda em 2022, estarão livres de tal cobrança, até o ano de 2045”, aponta o gestor, detalhando a alta procura por energia fotovoltaica neste ano, já que a partir de 2023 haverá novos encargos para esta modalidade.

Marco regulatório

A lei em questão é a 14.300/2022, conhecida como o marco regulatório da geração distribuída de energia. A norma é voltada para consumidores que geram sua própria energia elétrica, especialmente por meio de fontes renováveis.

Ela permitirá às unidades consumidoras já existentes — e às que protocolarem solicitação de acesso na distribuidora em 2022 — a continuação, por mais 25 anos, dos benefícios hoje concedidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por meio do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE). Essa lei também define as regras que prevalecerão após 2045 e quais serão as normas aplicáveis durante o período de transição.

Investimento

Em sistemas residenciais, os orçamentos para instalar a energia solar ficam próximos de R$ 20 mil. Gabriel explica que, normalmente, entre quatro e oito placas são suficientes para atender a uma residência, dependendo da potência de cada placa a ser utilizada. “Hoje temos disponíveis no mercado placas de 340 watts até placas de 665W cada uma. O que importa mesmo para geração é o somatório final da potência: oito placas de 340W resultam em um sistema de 2.720W. Já quatro placas de 665W resultam em um sistema de 2.660W”, exemplifica.

No caso de residências, as placas são instaladas no espaço disponível no telhado. É necessário apenas fazer uma análise crítica da estrutura para verificar a necessidade de reforços. O ideal é que não tenha sombreamento, pois o sistema depende de luz para funcionar. Se o dia estiver muito quente e o sistema estiver sombreado, não irá funcionar adequadamente. Sistemas de grande porte podem ser instalados em estrutura especiais, diretamente no solo.

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Luciano de Menezes aprovou o sistema instalado e a redução no gasto mensalLuciano de Menezes aprovou o sistema instalado e a redução no gasto mensal
Satisfação com o resultado

Morador do bairro Jardim Panorama, Luciano Alves de Menezes tem 18 placas em sua residência e não se arrepende do investimento. “Procurei pelo serviço no ano de 2019, em razão do aumento crescente na conta de energia. Minha avaliação é que valeu muito a pena. Hoje pago somente a taxa mínima para a Cemig, assim como a taxa de iluminação. Caso não tivesse o sistema de energia solar em casa, provavelmente não teria alguns hábitos e tampouco teria outro aparelho de ar-condicionado, que utilizamos com frequência e sem preocupação com o valor a ser pago no fim do mês”, relata.

Luciano gostou tanto do serviço que indicou aos amigos e alguns aderiram. “Acredito que essa deve ser a tendência daqui pra frente. O principal benefício é a economia. A instalação que tenho em casa resulta em 850w hora/mês e meu consumo é de 600w, hoje pago R$ 50 pela disponibilidade do padrão. Já a taxa de iluminação pública varia, em média, R$ 65,00. Foi um bom investimento”, reitera.

Meio ambiente

Além de investir em um sistema com vida útil em torno 25 a 30 anos, este gerador de energia não polui o ambiente. “Um sistema residencial de pequeno porte é capaz de economizar toneladas de CO2 (dióxido de carbono) por ano. É uma fonte de energia renovável e pode ser instalada em edificações já existentes. A instalação pode, inclusive, valorizar o imóvel. Todo cliente, seja de pequeno ou grande porte, ainda precisa pagar uma taxa mínima para a Cemig e taxa de iluminação pública. Mesmo com o sistema instalado, depende do fornecimento de energia da concessionária. Caso a energia da rede caia, o sistema gerador fotovoltaico, conectado à essa mesma rede, deve ser desligado automaticamente. Esta é uma norma aplicada a todos os sistemas chamados de ‘on-grid’”, enfatiza Gabriel Faustini.

Já o sistema off-grid independe da rede elétrica da concessionária. Para isso, precisa de baterias. “O problema das baterias é o custo muito elevado e a vida útil reduzida. As baterias mais tecnológicas e mais caras têm uma vida útil de cinco ou no máximo dez anos. Então, estes sistemas são utilizados normalmente em locais remotos, onde não chega rede de distribuição elétrica”, conclui.
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