27 de março, de 2022 | 11:00

O calor do Sol a serviço dos brasileiros

Luiz Antônio dos Santos Pinto*

A crise hídrica e energética de 2021 alertou novamente os brasileiros sobre os riscos de apagão, preocupando os setores produtivos e afetando a economia. Também impactou de modo significativo o orçamento das famílias, com a majoração das contas de luz, que alimentou a inflação. Atender à demanda de eletricidade é um desafio agudo a ser enfrentado pelo País, ante o quase esgotamento do potencial hidrelétrico e o grau ainda relativamente baixo de desenvolvimento de fontes alternativas.

À parte de todo esse complexo cenário está o aquecimento solar, único sistema absolutamente independente da rede elétrica, autossuficiente e capaz de atender a amplas e diversificadas aplicações. Consiste na utilização do calor emitido pelo Sol para o aquecimento de outras superfícies e da água. Além de sustentável, é eficiente para indústrias, grandes polos de produção, condomínios, empresas e residências, funcionando bem em piscinas, chuveiros e torneiras.

Trata-se de uma tecnologia 100% brasileira, cuja estrutura é composta pelos coletores solares (placas) e um reservatório térmico. Às vezes, confunde-se esse processo com a energia fotovoltaica, que consiste na geração de eletricidade a partir da energia solar, mas é atrelada à rede elétrica e tem impacto na conta de luz. Os aquecedores solares, porém, são cada vez mais conhecidos pelos brasileiros e se tornam mais acessíveis. Podem ser usados em qualquer casa ou edificação mesmo que ainda não tenha encanamento para água quente, como nas cozinhas de restaurantes, hotéis, pousadas e residências, nos tanques de lavagem de roupas e nos banhos.

“Os aquecedores solares de
água são até quatro vezes mais
eficientes do que outros equipamentos
capazes de aproveitar energia solar”


Os aquecedores solares de água são até quatro vezes mais eficientes do que outros equipamentos capazes de aproveitar energia solar e atendem a aplicações residenciais de baixa até alta renda, comerciais, industriais e serviços. São a melhor alternativa para evitar o consumo dos chuveiros elétricos, que sobrecarregam muito o sistema no horário de ponta (entre 17 e 21 horas), representando mais de 7% de toda a eletricidade gasta no Brasil e cerca de 37% da residencial, segundo dados do Balanço Energético Nacional da Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2021) e Pesquisa de Posse de Hábitos de Uso e Consumo (Eletrobrás, 2019).

A tecnologia é capaz de ajudar o País a evitar blecautes, diminuindo o consumo de eletricidade principalmente no horário de ponta. Os equipamentos geram energia térmica durante o dia e a armazenam para ser consumida também à noite, funcionando como uma bateria. A produção acumulada correspondente de eletricidade dos aquecedores solares de água instalados no Brasil é de aproximadamente 13,5 GW, o que equivale a quase toda uma usina de Itaipu, que é de 14GW.

Ampliar o uso dos aquecedores solares seria uma contribuição relevante ao Brasil, reduzindo o consumo nacional de eletricidade principalmente nos horários de ponta, e para as famílias e empresas, que teriam grande economia nas contas de luz. Os aparelhos proporcionam água quente nas torneiras e banhos quentes mesmo quando ocorrem apagões, ao contrário de qualquer tipo de aquecimento gerado a partir da rede elétrica. Assim, seria importante a incorporação dos aquecedores solares de água no planejamento da matriz energética nacional, sua ampliação e diversificação. É difícil entender por que a medida ainda não foi adotada pelas autoridades do setor.

* Engenheiro, é presidente da Abrasol (Associação Brasileira de Energia Solar Térmica).

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