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27 de março, de 2022 | 07:00

Final aguardada

Fernando Rocha


O Atlético está com pés, mãos e mais da metade do corpo na final do Campeonato Mineiro. Há não ser que ocorra uma ou duas zebras descomunais, que seriam: o Cruzeiro ter perdido ontem por dois gols de vantagem para o Athletic no Mineirão e o Galo perder hoje por três gols de diferença para a Caldense.

Assim, três anos depois - a última final entre os dois maiores rivais foi em 2019 -, Cruzeiro e Atlético devem fazer a aguardada grande decisão e salvar a mediocridade deste Estadual, um dos piores nos 107 anos de existência.

Com tempo suficiente para organizar a final, que será disputada em jogo único no Mineirão, espera-se que a “mandante” Federação Mineira cumpra sua obrigação e divulgue, já a partir de amanhã, todos os detalhes envolvendo o clássico decisivo, sobretudo, a logística da venda de ingressos, bem como as medidas de segurança para que não se repitam cenas de violência envolvendo torcidas, como têm sido registradas aqui e no restante do país.

Campanha sórdida

Sobre o último pênalti marcado a favor do Atlético contra a Caldense, no primeiro jogo da semifinal, motivo de mais uma polêmica na mídia e nas redes sociais, não tenho dúvida de que o VAR agiu corretamente ao alertar o assoprador de apito para ir ao monitor rever lance, e logo após confirmar a marcação.

Há em curso uma campanha sórdida, disfarçada sob o manto de zoações normais entre torcidas rivais, movida pela imprensa rubro-negra carioca e parte da imprensa paulista, impulsionada aqui nos nossos grotões pela ala da imprensa azul, que não aceitam o Atlético no topo do futebol nacional.

Essa é uma pressão que, infelizmente, funciona no futebol, embora todos saibam que times com elencos da qualidade de Atlético, Flamengo, Palmeiras - considerados hoje os melhores do nosso futebol -, pelo volume de jogo e domínio territorial sobre os adversários, sempre terão mais pênaltis marcados a seu favor e os números estão aí para comprovar.

O meu receio é de que essa onda continue nas disputas do Brasileiro e da Libertadores, influenciando os assopradores de apito a não marcarem pênaltis a favor do Galo, mesmo os mais claros e indiscutíveis como esse último da Caldense, o que seria uma volta ao passado quando o clube foi um dos mais prejudicados na história do futebol nacional.

FIM DE PAPO

Se o time vai muito bem dentro de campo, fora dele o ambiente voltou a ficar conturbado no Cruzeiro. Mas existe uma luz no fim do túnel para que se concretize a compra da SAF pelo Ronaldo Fenômeno, esclarecendo todas as dúvidas quanto às condições do contrato, em reunião marcada para a próxima quinta-feira.

A torcida celeste, influenciada pela boa fase do time e os bons exemplos de gestão profissional desde a chegada de Ronaldo e sua equipe, deseja em sua grande maioria que o ex-jogador continue à frente do clube. Todos os envolvidos nessa operação precisam estar com os espíritos desarmados, calmos, para que haja nessa reunião uma solução de consenso. Não pode é dar xabu na votação do Conselho Deliberativo, prevista para o próximo dia 4 de abril, quando serão necessários 90% dos votos favoráveis dos conselheiros para o acordo ser fechado.

O Clube Atlético Mineiro completou 114 anos de fundação na última sexta-feira vivendo a melhor fase de sua história. Atual Campeão Brasileiro, da Copa do Brasil e bi-estadual, o time comandado pelo “Turco” Mohamed defende 31 jogos de invencibilidade no Mineirão, sendo 17 vitórias seguidas, cerca de 300 dias sem perder uma partida no maior palco do futebol mineiro. Hulk ainda entrou para a história do Mineirão, ao se tornar o maior goleador do estádio pós-reforma para a Copa do Mundo de 2014, com 32 gols. Vale ressaltar que neste momento o Galo joga desfalcado de quase um time inteiro entre jogadores contundidos, suspensos - como é o caso do Hulk - ou servindo seleções nas eliminatórias da Copa do Mundo.

Tem um samba de sucesso interpretado pelo Péricles que diz no refrão: “Nunca foi sorte, sempre foi Deus”. Tudo que tem acontecido ao Atlético nos últimos anos não é sorte e muito menos foi com a ajuda da arbitragem. Foi, isto sim, fruto de muita competência, trabalho da sua diretoria, comissões técnicas e, principalmente, da qualidade de seus jogadores. (Fecha o pano!)
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