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Em eventos pelo Brasil agendados pelos pastores, o ministro deixa claro a influência dos pastores no MEC
O ministro da Educação Milton Ribeiro ainda não se pronunciou acerca de um áudio em que ele foi gravado admitindo que prioriza o atendimento a prefeitos que chegam ao ministério por meio dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Esses dois religiosos não têm cargos oficiais no governo, mas há relatos que eles embarcam até em aviões oficiais em viagens pelo país. Os dois se apresentam como presidente e assessor da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, respectivamente.
Falando a dirigentes municipais dentro do ministério, Milton Ribeiro disse que segue ordem do presidente Jair Bolsonaro (PL). A captura do ministério pelos pastores, que intermediam o acesso de prefeitos ao Ministério da Educação e controlam a agenda do ministro, foi revelada pelo jornal Estado de São Paulo em uma série de reportagem.
Na conversa gravada, Milton Ribeiro diz que a liberação de recursos foi um “pedido especial” de Bolsonaro. "Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do (pastor) Gilmar (Santos)", diz ele – Arilton Moura e Gilmar Santos estavam presentes na reunião. “A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", diz ele. O áudio foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.
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''Nesses últimos anos, Deus me deu esse privilégio de comungar uma comunhão e uma amizade muito sólida com o pastor Milton Ribeiro''
“Não tem nada o com Arilton, é tudo com o Gilmar”, diz Milton Ribeiro, provocando risadas do interlocutor. A imprensa noticiou que Gilmar e Arilton estiveram em pelo menos 22 agendas oficiais do Ministério da Educação desde o começo de 2021, das quais, 19 delas com a presença do ministro.
Na gravação de áudio, o ministro comenta ainda sobre um “apoio” que ele pediria em troca da liberação das verbas – embora não fique claro do quê se trata exatamente ou por qual forma se daria o pagamento da vantagem indevida.
“Então o apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser publicado. É apoio sobre construção das igrejas”, diz ele – a gravação de áudio parece ter sido interrompida no meio de uma fala em que o ministro enumeraria mais exemplos.
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O pastor Arilton Moura atua ao lado de Gilmar Santos, ambos da Igreja Assembleia de Deus
Os recursos obtidos pelos prefeitos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e são destinados à reforma e construção de escolas e creches. Também podem ser usados para adquirir ônibus escolares e materiais didáticos, entre outros itens.
Conforme o Portal da Transparência, o Orçamento do Fundo para 2022 é de R$ 45,6 bilhões, dos quais R$ 18,5 bilhões estão reservados para transferências a estados e municípios.
É nesta fatia dos recursos que estão os valores transferidos a prefeituras cujos mandatários participaram de reuniões com o titular do MEC, Milton Ribeiro, por intermédio dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Os dois se apresentam como presidente e assessor da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, respectivamente.