08 de março, de 2022 | 07:00
Clássico bom
Fernando Rocha
Se clássico bom é aquele que gera discussões e polêmicas uma semana antes e outra após a sua realização, este disputado anteontem no Mineirão passou no teste.
Achei o primeiro tempo fraco, com os jogadores dos dois lados bastante ansiosos, errando muito, sobretudo, os do Atlético rendendo abaixo do esperado; casos de Hulk, Keno, Nacho e Arana.
No segundo tempo, o jogo melhorou, com muita correria dos dois lados, erros de passe e de finalizações, até que o garoto timoteense Vítor Roque, de 17 anos, aproveitou um descuido da dupla Godín-Natan e fez 1 x 0 para o Cruzeiro.
O gol saiu minutos depois de o técnico Turco Mohamed trocar Savarino e Keno, ambos muito mal na partida, por Ademir e Vargas, respectivamente, tornando o Galo ainda mais ofensivo.
Aos 27, Hulk cabeceou na trave. Aos 38, caiu na área em lance difícil para o árbitro Igor Benevenuto, que, sem ajuda do VAR, marcou pênalti, na minha opinião equivocadamente, o que possibilitou o empate alvinegro por intermédio do próprio Hulk.
Nos acréscimos, aos 51 minutos, Arana acertou pela primeira vez um cruzamento para colocar Ademir Fumacinha” na cara do gol; ele que não perdoou e marcou o gol da vitória atleticana por 2 x 1.
Na qualidade
Quando se reuniram com a Federação Mineira para tratar do regulamento e das questões administrativas, antes do início deste Estadual, os clubes concordaram com a decisão esdrúxula da entidade em não implantar, por medida de economia, o VAR, já na primeira fase ou pelo menos nos clássicos.
Aqui, nos nossos grotões, costuma-se dizer que o combinado não é caro”, portanto, se tivesse o VAR, certamente, o pênalti no Hulk seria anulado e a história do clássico poderia ter sido outra.
Resumo do clássico: o Galo, mesmo jogando abaixo do normal, ganhou o jogo pela qualidade do seu elenco. O Cruzeiro foi um time muito bem organizado e merecia ao menos o empate, realçando o bom trabalho até aqui do técnico uruguaio, Paulo Pezzolano, dando esperanças à torcida celeste quanto ao acesso este ano à Série A nacional.
FIM DE PAPO
Sobre essa história repetida de favorecimento ao Atlético por parte da arbitragem mineira, trata-se de mais uma falácia ou bobagem ao vento. O árbitro Igor Benevenutto esteve muito bem até o pênalti mal marcado, mas não se trata de uma pessoa desonesta ou mal intencionada. Muito menos seus companheiros da arbitragem. O lance do pênalti foi difícil de ser interpretado, e sem o VAR para dirimir as dúvidas não há como condená-lo por nada. O tempo de 8 minutos de acréscimo também foi coerente com o que ocorreu em paralisações na partida.
Pela manhã, antes dos cartolas cruzeirenses e atleticanos almoçarem e sinalizar a paz para as torcidas, um jovem de 25 anos foi morto durante uma briga marcada por redes sociais, entre marginais que se dizem torcedores organizados. Desta vez, conseguiram ludibriar até mesmo a Polícia Militar, que passou batida sem conseguir detectar com antecedência a movimentação, o que poderia ter impedido o confronto.
Políticos logo apareceram, em busca dos holofotes sempre generosos da mídia nessas ocasiões, prometendo endurecer com leis severas contra esses marginais. Embora cético em relação a isso, torço para que, dessa vez, saia alguma coisa do papel para acabar com essa balbúrdia, esse autêntico festival de horrores que estamos assistindo no futebol brasileiro nesses últimos dias.
Vitor Roque é uma joia rara, que caiu no colo da SAF/Cruzeiro, cujo dono Ronaldo Fenômeno já está lambendo os beiços para passar o garoto na prata e recuperar um pouco do que já gastou pagando dívidas do clube. O que todo cruzeirense espera da SAF/Cruzeiro e do Fenômeno” é que deixem-no jogar pelo menos a Série B deste ano, pois o garoto tem potencial para se tornar o ponto de desequilíbrio do time visando ao retorno à Série A. O importante é o principal, o resto é secundário”. Neném Prancha (Fecha o pano!)
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]













