06 de março, de 2022 | 07:00
Capítulo à parte
Fernando Rocha
Passados o carnaval e, também, os jogos do meio de semana por competições nacionais e continentais (O brasileiro é um feriado”. Nelson Rodrigues), o clássico Atlético x Cruzeiro toma conta de todas as atenções e gera enorme expectativa entre torcedores dos dois maiores rivais aqui nos nossos grotões.
A última vez que se enfrentaram foi há quase um ano e, assim como agora, o Galo era considerado franco favorito por possuir um time muito superior ao rival.
Mas, quem saiu vencedor por 1 x 0 foi o Cruzeiro; algo incomum, mas passível de acontecer em clássicos de grande tradição, como é o nosso maior confronto estadual, cada um com sua história e capítulos à parte.
Vibes distintas
De um lado, o time do Galo, considerado quase unanimemente o melhor time do país na atualidade, pois ganhou, em 2021, o Estadual, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, e já começou 2022 levantando a taça da Supercopa dos Campeões, superando o Flamengo, outro grande rival.
Do outro, o Cruzeiro, que busca se reerguer no cenário nacional depois de ser devastado por uma série de ações administrativas equivocadas e algumas até suspeitas, praticadas por diretorias anteriores, agora transformado em SAF, cujo dono é Ronaldo Fenômeno, ex-jogador e ídolo mundial, que tenta implantar um modelo de administração austero, ao mesmo tempo com a obrigação de montar um time competitivo e capaz de retornar este ano à elite do futebol brasileiro.
Resumo da ópera deste clássico: o Galo quer a vitória para se reafirmar como a grande potência do futebol nacional; o Cruzeiro vai lutar para vencer e se afirmar como uma equipe capaz de alçar voos mais altos, e voltar a ser respeitado no cenário nacional.
FIM DE PAPO
São vários os motivos para crer que teremos hoje um grande clássico entre Galo e Raposa. Um deles é a presença de Ronaldo Fenômeno no Gigante da Pampulha”, onde já brilhou - como em 1994, quando tinha apenas 17 anos, ao humilhar o zagueirão uruguaio do Galo, Kanapkis, com dribles desconcertantes. A presença do Fenômeno no estádio vai trazer motivação especial aos jogadores da Raposa, principalmente os mais jovens, pois estarão sendo vistos não só pelo ídolo e um dos maiores jogadores na história do futebol mundial, mas pelo patrão de todos eles.
Pelo lado atleticano, além de poder contar com a maioria esmagadora da torcida no Mineirão, pela sequência de títulos conquistados recentemente, considerado por ídolos como Reinaldo, o Rei”, como o maior time de toda a história centenária alvinegra, há certa tranquilidade quanto ao resultado. A derrota sofrida no Estadual de 2021 não foi esquecida pela torcida, que vai cobrar uma vitória a qualquer custo dos jogadores.
O América superou todas as expectativas ao derrotar o paraguaio Guarani, em Assunção, classificando-se de forma dramática, nos pênaltis, para disputar a Copa Sul-Americana ou até mesmo a fase de grupos da Libertadores, caso vença agora o Barcelona do Equador. Foi uma noite épica para os atacantes Wellington Paulista, autor de dois gols; Everaldo, que marcou de pênalti o gol da classificação; além do goleiro Jailson, que defendeu uma cobrança dos paraguaios que poderia ter eliminado o Coelho da disputa.
Há motivos de sobra para o torcedor americano e a imprensa ufanista da capital comemorar essa classificação do Coelho, sobretudo, pelo pouco investimento feito no time, cuja qualidade técnica é sofrível, mas compensada pela competência do técnico Marquinhos Santos, que tem tirado leite de pedra. A diretoria do Coelho apostou em Jailson, goleiro de 41 anos, em fim de carreira; no lateral Patrick e no zagueiro Maidana, ambos grossos como parede de igreja antiga; nos atacantes Wellington Paulista e Everaldo, que não seriam titulares em qualquer outra equipe da Série A. No futebol brasileiro, onde impera o imediatismo, os improvisos e as análises superficiais, o certo é o que dá certo ao menos momentaneamente. Olho vivo, pessoal, que cavalo não desce escada”. Ibrahim Sued. (Fecha o pano!)
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