25 de fevereiro, de 2022 | 13:30
Lucro da Usiminas e reforma do alto-forno 3 impulsionam do Vale do Aço
Antônio Nahas Júnior *
A notícia divulgada pela Usiminas, na apresentação dos resultados de 2021, revelando que o projeto da reforma do alto-forno 3 foi retomado é extremamente positiva para nossa região. Esse alto-forno tem capacidade para produzir 2,4 milhões de toneladas ano, e é o maior desta planta siderúrgica. Em maio de 2021, a Usiminas anunciou a postergação da reforma para 2023. Agora, felizmente, ela será retomada. Os investimentos dão segurança ao investidor e à região, deixando evidente o interesse do grupo em não só permanecer, mas sobretudo reforçar a sua produção siderúrgica.Os dados financeiros apresentados pelo grupo são estonteantes. No período compreendido entre 2017 e 2021, as receitas subiram em cerca de 400%, apresentando taxa de crescimento de 25% ao ano. No mesmo período, a produção em toneladas de aço cresceu cerca de 20 por cento, ocupando a liderança do mercado brasileiro. Tudo isso ocorreu num período conturbado da economia brasileira, onde o consumo interno de aço decresceu.
Mas no ano de 2021, a empresa teve seu recorde histórico de lucro: 10,5 bilhões de reais, dos quais, apenas 1,9 bilhões foram originados de fatos não operacionais, sobretudo créditos originários do PIS e Cofins. Hoje a disponibilidade de Caixa da empresa supera suas dívidas, numa demonstração inequívoca de liquidez e sustentabilidade do grupo no médio e longo prazo.
Dos 10,5 bilhões acima, 75 por cento tiveram como origem a produção siderúrgica, sendo o restante devido à mineração. A margem operacional bruta da siderurgia (Ebitida) na siderurgia alcançou 38%, contra 59,8% na mineração. Enfim: a atividade siderúrgica mostra vigor, num momento onde a indústria brasileira agoniza e necessita que seja traçada uma política industrial que reconstrua sua importância construída ao longo de muitas décadas.
O Brasil já foi um dos maiores produtores mundiais de aço. Em épocas passadas, as principais siderúrgicas brasileiras foram privatizadas e a empresa estatal que organizava o setor - Siderbras - extinta. Infelizmente, as privatizações das empresas não surtiram os resultados desejados e, hoje, produzimos menos aço que a Turquia e o Irã está no nosso calcanhar. Ressalte-se que o vigoroso aumento da produção pela China reestruturou todo o mercado.
Nossa produção de aços estagnou há décadas e hoje alcança 31,6 milhões de toneladas, menos de dois por cento por cento do mercado mundial do aço. No mesmo período, fortalecemos nossa posição como grande exportador de minério de ferro. As duas atividades são importantes e deveriam crescer conjuntamente, sendo fortalecidas e complementadas. Mas isto não aconteceu.
Agora, neste momento onde o setor apresenta ótimo desempenho, torna-se importante a presença governamental para fortalecimento da siderurgia e da indústria nacional como um todo. Infelizmente, para nós, o que vemos em Brasília são atitudes desencontradas, confusas, prenhe de incompetências, como a recente suspensão sine die do leilão para duplicação da BR 381, vetor fundamental para o desenvolvimento da região. Uma novela que não termina porque, ao que parece, não se sabe fazer um Edital para concessão de rodovias. Que vexame. Que falta de profissionalismo... O setor privado está fazendo sua parte, com muito sofrimento e determinação. E o Estado, vai cumprir o seu papel?
* Economista. Participou em diversas administrações municipais em Ipatinga e Belo Horizonte. Atualmente é empresário e gerente da NMC Projetos e Consultoria
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Tião Aranha
28 de fevereiro, 2022 | 09:45O país tem dinheiro com sobra para gastar com os partidos políticos ( fundo eleitoral), mas não tem dinheiro ora ora gastar com pontes, sendo que as maiores indústrias do aço estão aqui, nesta região, a ponto de dominar e exportar pro mundo lá fora tal tecnologia. Cadê a força politica? Se é que tem?!”