15 de fevereiro, de 2022 | 07:00

Keno decisivo

Fernando Rocha


Apesar da opinião contrária de alguns colegas, achei um bom jogo esse clássico América 0 x 2 Atlético, no Independência, que recebeu pouco mais de 5 mil torcedores, o que só ratifica o desinteresse dos torcedores pelo estadual.

Pelo menos não teve ensebação, cera técnica, nada disso. Os dois times estiveram determinados em busca da vitória e utilizaram o que tinham de melhor em seus elencos.

O equilíbrio prevaleceu até a metade do 2º tempo, quando os treinadores começaram a mexer nas equipes e, por possuir jogadores com mais qualidade, o Galo levou a melhor, sobretudo, após a entrada de Keno, que fez a estreia na temporada em alto estilo com duas assistências para os gols alvinegros.

Outro que desequilibrou foi Nacho Fernández, que teve outra atuação estupenda, com grande movimentação e assistências, especialmente, para Hulk, que não estava numa tarde inspirada e perdeu muitos gols.

No fim das contas, placar merecido que dá ao Galo um impulso extraordinário visando à decisão da Supercopa, no próximo domingo, contra o Flamengo, com grandes chances de levantar a taça pela primeira vez.

Santo de barro

O Cruzeiro foi a Tombos com o time formado em sua maioria por jovens da base, e bateu com facilidade o “Gavião Carcará”, por 3 a 0, na noite de sábado.

Vários jovens da base se destacaram, mas o nome do jogo foi Daniel Júnior, 19 anos, canhoto, que começou a partida pela primeira vez como titular e teve atuação destacada, marcando ainda o primeiro gol da Raposa, que abriu o caminho para essa importante vitória e a manutenção da liderança do Campeonato Mineiro.

A molecada da Toca deu conta do recado, não decepcionou, mas é preciso ir “devagar com o andor, pois o santo é de barro”, não sendo recomendável colocar sobre os ombros desses jovens a responsabilidade de decidir, resolver a parada, uma vez que o time tem apenas um mês de treinos e passa por uma profunda reformulação interna.

FIM DE PAPO

O Atlético volta a campo, hoje à noite, no Mineirão, utilizando, provavelmente, um time alternativo contra o Athletic, de São João del-Rei, que faz uma campanha surpreendente, ocupa a 3ª colocação, com 13 pontos, mesma pontuação do alvinegro. Mas as atenções estão voltadas mesmo para a decisão da Supercopa, domingo, na “Arena Pantanal”, contra o Flamengo, confronto que ao longo dos últimos 95 anos teve muita polêmica, jogos históricos, verdadeiras batalhas de bastidores, decisões, classificações emocionantes em fases de mata-mata, goleadas - como o 6 x 1 aqui no Ipatingão, em 2004 -, atuações nefastas da arbitragem, como as de José Assis Aragão, na decisão do Brasileiro/1980, e de José Roberto Wright, na Libertadores de 1981.

Atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil, o Atlético vai encarar o Flamengo em uma decisão direta, depois de 42 anos. O Flamengo vai disputar esta decisão porque foi o vice-campeão brasileiro. De acordo com o regulamento, se um mesmo time vencer as duas competições, como foi o caso do Galo, o segundo colocado do torneio de pontos corridos entra na disputa. A premiação é de R$ 5 milhões para o campeão e o vice fica com R$ 2 milhões, mas o que vale mesmo é a rivalidade das torcidas, talvez a maior entre clubes de diferentes estados.

Lembro-me muito bem das polêmicas decisões envolvendo Atlético e Flamengo, na década de 80, que deixou marcas eternas, principalmente, do lado alvinegro, inconformado com os erros de arbitragens e a parcialidade da CBF, que beneficiou o rubro-negro carioca nos bastidores. Passados 42 anos, chego à seguinte conclusão, que a meu juízo explica tudo o que aconteceu: o Atlético tinha um timaço, com Reinaldo, Éder, Luisinho e Cia., mas o Flamengo, de Zico, Adílio, Júnior e outros, também, era um grande time. O que fez a diferença a favor dos cariocas foi a sua força política nos bastidores da CBF, que lhe deu inúmeras facilidades e todas foram muito bem aproveitadas.

O colunista do jornal “O Globo”, Lauro Jardim, foi quem deu a notícia em primeira mão. Um pouco mais de um mês após deixar o Cruzeiro, o goleiro Fábio acionou extrajudicialmente o novo gestor do clube, o ex-atacante Ronaldo, cobrando uma dívida que gira na casa de R$ 20 milhões, referente a premiações, luvas e salários atrasados. Na semana passada, o filho do goleiro, que treinava nas categorias de base do Cruzeiro, se desvinculou do clube, dando indícios de que Fábio iria acionar a Justiça cobrando a dívida. Só reforça o que costumamos dizer aqui nos nossos grotões: “quando casa é ‘meu bem’; quando separa é ‘meus bens’”. (Fecha o pano!)
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