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Com a retomada de casos de covid-19, Ministério da Saúde volta a defender o ''kit covid''
Com a retomada do crescimento dos casos de covid-19, em uma nova onda provocada pela variante Ômicron do coronavírus SARS-CoV-2, trouxe à tona novamente a polêmica sobre o emprego do chamado "kit covid", formado por medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e dipirona.
Mais de 45 mil professores, pesquisadores e profissionais da saúde assinaram uma carta de repúdio à nota técnica do Ministério da Saúde que defende a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento contra covid-19 e questiona a segurança das vacinas – o inverso do que dizem estudos em todo mundo. O abaixo-assinado aberto em um site de petições on-line no sábado (22/1), pede com urgência a adoção das normas que barrariam o “kit covid” aprovadas em dois turnos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema de Saúde (Conitec).
A carta faz duras críticas ao documento assinado pelo secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde da pasta da Saúde, Hélio Angotti Neto. “Nos sentimos perplexos quando lemos a vasta lista de estultices apresentada pela nota técnica”, diz o manifesto. “É espantoso que o Ministério da Saúde recuse normas propostas elaboradas por um grupo de pesquisadores, convocados pelo próprio Ministério, criando uma situação sem precedentes em nosso País.”
A carta afirma que, ao publicar a nota técnica, a pasta da Saúde “transgride não somente os princípios da boa ciência, mas avança a passos largos para consolidar a prática sistemática de destruição de todo um sistema de saúde”.
A petição foi amplamente divulgada por médicos e cientistas nas redes sociais no fim de semana. A nota de repúdio foi redigida primeiramente pelo patologista Paulo Saldiva. Outras cinco profissionais ajudaram-no na redação: a infectologista Anna Sara Levin, a patologista Marisa Dolhnikoff, a endocrinologista Berenice Mendonça, a fisiatra Linamara Batistella e a pediatra Sandra Grisi.
Saldiva avalia que a nota técnica do ministério é uma “coleção de bobagens”. “Na realidade é um parecer que cristaliza o discurso negacionsita nas mídias sociais”, alerta.
De acordo com o manifesto, "causa enorme preocupação o fato de que as rédeas do Ministério da Saúde estejam sob a posse da ideologia, da desinformação e, principalmente, da ignorância".
Senado quer ouvir Ministério da Saúde sobre nota técnicaA Frente Parlamentar Observatório da Pandemia de Covid-19 deve convidar o secretário Hélio Angotti Neto, para prestar esclarecimentos sobre a nota técnica.
Deve haver esta semana uma deliberação na frente parlamentar, criada pelo Senado para fiscalizar e acompanhar os desdobramentos da CPI da Covid, para chamar o ministro da Saúde Marcelo Queiroga ao Senado, a fim de explicar o documento, o apagão de dados sobre a pandemia e o atraso da vacinação das crianças.
Pesquisa sobre coronavírus vem desde a décaca de 1960Os coronavírus fazem parte de uma velha conhecida família de vírus, responsáveis por infecções respiratórias em seres humanos (resfriados) e em animais. São pesquisados desde 1960.
O SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus, é uma cepa identificada em 2019 que, tem características genéticas que o tornam mais transmissível e capaz de causar quadros clínicos mais graves. Diferentemente do que algumas pessoas divulgam nas mídias sociais, o vírus e suas mutações já eram sim, alvo de pesquisas, que foram aceleradas com os danos causados aos humanos a partir de 1960, com impactos na economia global. (Com informações de agências)