23 de janeiro, de 2022 | 07:00
Para pior
Fernando Rocha
A bola volta a rolar para mais uma temporada do futebol brasileiro. E tudo começa com os estaduais, um apêndice sem similar no mundo, por razões políticas, mantido vivo e que prejudica o já normalmente tumultuado calendário, provocando jogos a cada três dias.
O Campeonato Mineiro será aberto nesta terça-feira (25), às 21h, no Estádio Ronaldo Junqueira - Ronaldão”, em Poços de Caldas, onde vão se enfrentar Caldense e América. Na quarta-feira (26), outros cincos confrontos com a participação de Atlético e Cruzeiro fecham a primeira rodada.
Com a torneira financeira da Globo minguada, as cotas fartas até então pagas aos três grandes” por suas participações caíram a menos da metade, além de haver uma redução significativa da ajuda” aos pequenos” do interior.
Por conta disso não se pode esperar outra coisa, que não seja uma queda brusca na qualidade técnica da competição, ou seja, o que já era ruim tende a piorar.
O favorito ao título é o Atlético, seguido por América e Cruzeiro. O Tombense, que subiu este ano à Série B nacional, desponta como a principal equipe do interior, o que não quer dizer nada, pois, como já dizia na década de 60 o folclórico treinador Gentil Cardoso, futebol é uma caixinha de surpresas”.
Novos tempos
Repercutiu no mundo do futebol a condenação por estupro do jogador Robinho, ex-Santos, Galo e Seleção Brasileira, pela justiça italiana, a nove anos de prisão, pelo crime cometido em 2013, quando ainda jogava naquele país. Infelizmente, as leis frouxas do nosso país lhe garante a impunidade e não irá parar atrás das grades.
Porém, muito pior será viver sem paz para circular livremente pelas ruas, desfrutar a fortuna que acumulou com o seu bom futebol, sem sofrer a condenação pública pelo grave erro cometido.
Que o mau exemplo de Robinho sirva para todos nós refletirmos, até mesmo a imprensa, que colaborou durante décadas para difundir a banalização de crimes sob o manto da cultura popular, em todos os níveis.
Que graça tem rir de uma pessoa, fazer piada, porque tem cor diferente da sua? Que graça tem rir, fazer piada, de alguém que difere da sua preferencia sexual?
Não há, em minha opinião, nenhuma vergonha em se arrepender por erros cometidos. O saudoso ex-governador Leonel Brizola dizia que pedir desculpas, se arrepender, mudar de opinião, faz parte dos direitos humanos”.
Vamos nos medir com a régua do presente, que deve ser igual para todos. Que os muitos eventuais Robinhos” soltos por aí saibam: os tempos mudaram. E muito bom que mudou.
FIM DE PAPO
Foi esdrúxulo o resultado da reunião que deveria decidir a limitação de público nos estádios, em razão do avanço da contaminação pela variante ômicron da covid-19, entre a Secretaria Estadual de Saúde e a Federação Mineira de Futebol. Decidiu-se que nas duas primeiras rodadas do Mineiro os estádios poderão receber até 20 mil pessoas, proibindo crianças até 12 anos de entrar às praças esportivas do estado.
Na prática, não proibiu nada, pois o certo seria limitar o público por percentual de capacidade dos estádios, como foi feito em alguns estados, como São Paulo, Bahia e Pernambuco. Com o Mineirão à disposição da CBF para sediar o jogo da seleção brasileira contra a do Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, os times da capital jogarão no Independência, que, por sua vez, terá lotação máxima, tornando-se uma festa para a disseminação do vírus e pondo em risco a vida das pessoas. Atribuída, equivocadamente, ao ex-presidente francês Charles de Gaulle, a frase dita pelo embaixador Carlos Alves de Souza, que atuou representando o Brasil no exterior até os anos 1960, continua muito atual: O Brasil não é um país sério”.
Depois de um mês de trabalho, o diretor de futebol da SAF-Cruzeiro, Pedro Martins, deu o ar da graça numa entrevista coletiva à imprensa, onde falou o que todo mundo já sabia. Boa parte das receitas foram antecipadas e, por conta disso, Martins reiterou a política de austeridade implantada pela nova administração. Na parte mais significativa da entrevista, o dirigente foi enfático ao dizer que o peso da camisa não levará o Cruzeiro, naturalmente, de volta à Série A”.
Alvíssaras! Parece que a chegada de Ronaldo Fenômeno e sem perspectiva de um aporte milionário, finalmente, a ficha caiu para todos no Cruzeiro. Antigos dirigentes e a torcida viviam no mundo da fantasia, acreditando que só pelo gigantismo o clube se ergueria para retomar o protagonismo no futebol nacional. Ledo engano. A dura realidade do clube mostra, claramente, que só com muito trabalho, uma política de pés no chão” e apoio incondicional da torcida, poderá brigar de fato para voltar à Série A, o maior objetivo nesta temporada. (Fecha o pano!)
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