21 de janeiro, de 2022 | 14:49

Vacina sim

Márcio Coimbra *


O Brasil é um país tradicionalmente conhecido por sua profunda adesão em todas campanhas de vacinação. Assim conseguimos nos tornar referência mundial, desde os governos militares, por ousados programas que passaram a atingir os mais distantes pontos do território nacional. Erradicamos doenças, protegemos nossa população e asseguramos menor pressão em nosso sistema de saúde.

Porém, vivemos tempos estranhos. Alguns trocaram a ciência pelo obscurantismo e a razão pela cegueira política. Possuímos um Presidente que negou a pandemia, criou uma série de obstáculos para as vacinas chegarem ao braço dos brasileiros e por fim atrasou a chegada dos imunizantes para as crianças. O Brasil vacina apesar de Bolsonaro, uma realidade que envergonharia qualquer líder mundial, mas que enche o Presidente brasileiro de orgulho.

"Vivemos tempos estranhos.
Alguns trocaram a ciência
pelo obscurantismo e a razão
pela cegueira política"


Tudo indica, entretanto, que o Brasil é maior que Bolsonaro -- e muito mais inteligente, vale ressaltar. Enquanto o Presidente segue liderando uma seita, o resto do país optou pela razão e pela ciência, repetindo os altos níveis de vacinação tradicionais. Com praticamente 167,3 milhões de vacinados, temos 78,4% da população que já iniciou o processo de imunização e 68,6% com as duas doses. Entre o bolsonarismo e a ciência, o povo brasileiro já fez claramente sua opção pela razão.

As mais novas vítimas do coletivo negacionista de Bolsonaro são as crianças. Enquanto o mundo vacina menores há meses, pais brasileiros influenciados pela insana narrativa antivacina de Bolsonaro preferiram deixar de imunizar seus filhos. Felizmente a retórica do atraso fica restrita aos poucos que enxergam virtude em discursos vazios de um populismo que esconde um simples movimento político eleitoral.

"Temos um presidente que negou a
pandemia, criou uma série de obstáculos
para as vacinas chegarem ao braço dos
brasileiros e por fim atrasou a chegada
dos imunizantes para as crianças"


Naturalmente esta é mais uma batalha que Bolsonaro irá perder, pois prefere posar de Dom Quixote, porém sem qualquer Sancho Pança capaz de livrar-lhe dos seus delírios. A vacinação de crianças tornou-se um sucesso absoluto, porém parlamentares bolsonaristas seguem tentando subtrair o direito dos pais em proteger seus filhos. Mais um flerte do bolsonarismo que rima com seu projeto autoritário.

As vacinas salvam cerca de 3 milhões de vidas por ano no mundo. A eficiência de todas as vacinas em circulação tem sido demonstrada pelas 1,15 bilhões de pessoas imunizadas totalmente no mundo até o momento. A vacinação em massa é responsável pela erradicação de uma série de doenças, mas, para isso, é necessário imunizar uma parcela significativa da população. É preciso termos em mente que a vacinação é sempre um ato coletivo.

O Brasil é um destes grandes exemplos. Apesar de vivermos hoje o eclipse de nossa presidência, conduzida por um homem que nega a ciência, nosso país mostrou que nossa tradição vacinal é mais forte do que os delírios daqueles que não dialogam com a razão. Vacina é o passaporte para a vida. Nada pode ser mais importante do que isso. Em termos de vacinação, mais uma vez os brasileiros têm mostrado a sabedoria que falta ao presidente.

* Presidente da Fundação da Liberdade Econômica. Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal

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Comentários

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Tião Aranha

21 de janeiro, 2022 | 23:14

“Bom texto. É a luta do futuro contra o presente. Kant dizia que é tarefa difícil manter a paz e a estabilidade, e somente tal coisa acontece com a união de todos. Na Democracia prevalece sempre a decisão da maioria.”

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