13 de janeiro, de 2022 | 14:48

PIB do vale do aço e desenvolvimento regional

Antonio Nahas Junior *


O geógrafo William Passos; o Diretor do IFMG, Alex Fernandes; o Diário do Aço e o Observatório das Metropolizações do Vale do Aço , têm dado uma grande contribuição no debate sobre rumos para o desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço, a maior aglomeração urbana do Brasil, excetuando aquelas existentes no Estado de São Paulo.

Procurando contribuir para esta discussão, apresento aqui algumas informações extraídas do artigo "A Economia dos Territórios de Desenvolvimento de Minas Gerais: Estrutura Produtiva e Dinâmica Intersetorial", escrito por vários autores, sendo a principal autora, Carla Cristina Aguiar de Souza.

O artigo foi publicado no livro Políticas Públicas e Desenvolvimento em Minas Gerais, (2021), organizado por Alexandre Queiroz Guimarães reunindo informações sobre renda; emprego e dinamismo de todos os territórios de desenvolvimento de Minas Gerais, tal como definido pelo Governo Estadual. São eles: Norte; Noroeste; Baixo Jequitinhonha; Mucuri; Alto Jequitinhonha; Vale do Rio Doce; Central; Vale do Aço; Metropolitano; Caparaó; Oeste; Vertente; Mata; Sul; Sudoeste; Oeste; Triangulo Sul; Triangulo Norte; Central; Vertentes; Metropolitano.

Utiliza o método estrutural-diferencial e o modelo insumo produto, que buscam descrever o crescimento econômico de uma região com base em sua estrutura produtiva, permitindo identificar os componentes deste crescimento.

O modelo mostra que a região possui dinamismo econômico; encontra-se estagnada ou decadente, bem como as vantagens competitivas regionais existentes, no período compreendido entre 2002 e 2015. As vantagens competitivas existem quando determinado setor cresce acima da média estadual, no território observado.

Neste período, a economia mineira apresentou expressivo crescimento, ampliando sua participação na economia nacional de 8,3% para 8,7%. O emprego formal ampliou em 71,9%, passando de 2,8 para 4,8 milhões o número de pessoas contratada., sendo que Minas emprega 10,03% da mão de obra nacional.

“As vantagens competitivas existem
quando determinado setor cresce acima
da média estadual, no território observado”


Para a análise dos territórios de desenvolvimento, os pesquisadores decompuseram a economia do Estado em 58 setores econômicos, conforme a classificação da CNAE. Esses setores foram classificados como estagnados e dinâmicos, conforme a taxa de crescimento que obtiveram no período.

VALE DO AÇO - A principal região do Estado, em termos de geração de renda e importância econômica é a Metropolitana de Belo Horizonte, que concentra 40,2% do PIB do Estado. Seguem em importância o Sul (9,88%); Zona da Mata (7,19%); Triangulo Norte (7,16%); Oeste (6,23%); Norte (4,46%); Triangulo Sul (4,10%) e Vale do Aço, com 3,08% do PIB do Estado.

A composição do PIB do Vale do Aço teve a participação predominante dos Serviços (44,4%); indústria (35%); Administração Pública (18,1%), sendo desprezível a importância da agropecuária.

Com relação ao Vale do aço, citamos trecho do artigo: "No Vale do Aço, três setores não existiram no período; três apresentaram registro de emprego apenas em 2015 e dois deixaram de existir no mesmo período. Esse é o território com o menor número de setores dinâmicos, apenas dois: fabricação de produtos de madeira e saúde e serviços sociais". A maioria dos setores está em desvantagem competitiva: 15 estagnados e 14 tendentes à estagnação. O baixo dinamismo dos setores presentes nesse território está relacionado à crise do aço vivida pelo país, visto que toda a economia dessa região foi desenvolvida em torno da metalurgia".

Este diagnóstico da economia do Vale foi influenciado pela crise pela qual passava a Usiminas no período da análise. Felizmente, no período 2015-2021, a Usiminas recuperou-se e teve um resultado extraordinário no biênio 2020-2021.
Todavia, o problema de fundo permanece e a região necessita de mobilização dos seus atores políticos para impulsionar o crescimento regional. Infelizmente, ainda perdura nos corações e mentes das principais lideranças a mentalidade municipalista.

Questões importantes e decisivas para o Vale do Aço, como a duplicação da BR-381; investimentos em novos ramais ferroviários; saneamento básico; inovação e desenvolvimento tecnológico, não são considerados nas políticas públicas municipais e mereceriam maior intervenção dos nossos líderes regionais.

"O problema de fundo permanece
e a região necessita de mobilização
dos seus atores políticos para
impulsionar o crescimento regional"


PIB E RENDA - Por fim, não podemos absolutizar os dados do PIB, como se estes refletissem todo o impacto regional do desenvolvimento. O PIB mensura o valor da produção de bens e serviços num determinado período de tempo, mas não clareia o valor da renda retida na esfera municipal.

Tecnicamente, PIB e renda são iguais, ou seja, o valor do PIB seria igual aos lucros auferidos no período; os juros pagos; os impostos recolhidos; aos salários e alugueis.
Assim, por exemplo, todos os impostos recolhidos na região contam como parte do PIB. Porém, apenas uma fração destes impostos movimentam a economia local. Há, portanto, muitos estudos a serem feitos para determinar os rumos regional do nosso desenvolvimento.

* Economista, empresário, especializado em Administração Financeira. [email protected]
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Comentários

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Javé - do Outro Lado do Mundo

13 de janeiro, 2022 | 17:04

“Para que as verbas federais cheguem com precisão e tenham melhor aproveitamento precisa que os líderes comunitários estabeleçam maior diálogo com os agentes políticos.”

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