09 de janeiro, de 2022 | 11:00

Falta de mão de obra na indústria e o desemprego no Brasil

Anita Dedding *

O Ministério da Economia manteve sua estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), em 2021, em alta de 5,3%. O cálculo foi elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). Para 2022, a projeção é de alta de 2,51%. O ministério mantém as projeções de crescimento da economia de 2023, 2024, 2025, todas em 2,5%. Conforme a Secretaria, mesmos que as incertezas continuem elevadas com os desafios de enfrentamento à pandemia, deve-se considerar os indicadores no primeiro trimestre que apontam continuidade da recuperação da atividade econômica, destacando ainda que “a retomada do crescimento sustentável da economia ocorrerá com a elevação da produtividade através das reformas estruturais e do processo de consolidação fiscal, e ainda devem ser considerados quais projetos devem ser prioritários para o Brasil”.

Com esse cenário macroeconômico e a melhora no cenário global, pincipalmente com o crescimento da economia nos Estados Unidos e na China, que são importantes parceiros brasileiros, a indústria precisa estar atenta ao rápido avanço da tecnologia e à transformação digital da economia, como oportunidades para o seu fortalecimento e para continuar no enfrentamento da pandemia, no aumento da produtividade, na redução de custos de produção, e na criação de novos modelos de negócios.

As tecnologias avançadas e sua integração para automação, controle em processos de manufatura, envolvendo o uso da robótica, de novos materiais, eficiência energética, big data, entre outros, vem requerendo um perfil profissional diferenciado, nesse contexto.

Especialmente a indústria vem sofrendo a falta de profissionais qualificados para atendimento às suas atuais necessidades. Mesmo que os projetos econômicos do Congresso, que ficaram pendentes devido à pandemia e voltaram a serem discutidos, como a Reforma Tributária, não serão suficientes para garantir de fato um crescimento econômico.

O que realmente poderá mudar este quadro é a efetiva vacinação da população e a adequação dos programas de qualificação profissional à realidade das indústrias, para aumentar a sua contribuição na geração de empregos. São mais de 14 milhões de pessoas desocupadas conforme o IBGE, sendo o setor de serviços o mais afetado com quase 1 milhão de pequenas empresas quebradas que estão demandando programas de apoio.

Mesmo com um grande número de desempregados no país, a indústria tem dificuldade de contratar profissionais qualificados, e conforme o relatório da ManpowerGroup apresentado no Fórum Econômico Mundial, este fenômeno é global e atinge 54% das empresas no mundo todo.

“Para minimizar a falta de profissionais
qualificados é necessário uma mobilização
entre o governo, instituições de ensino e empresas”


Essa alta mundial de desempregados, confirma que com o avanço da tecnologia as relações de trabalho e as buscas por talentos mudaram, as empresas hoje são focadas na busca de soluções, e para isso são necessárias agora domínio de novas habilidades, isto é um novo perfil profissional envolvendo não apenas hard skills, habilidades técnicas, mas a valorização de soft skills, habilidades comportamentais que incluem características de personalidade e de temperamento.

Vale destacar que as vagas nas indústrias, ainda na sua maioria, são voltadas para operadores de prensas, ponte rolante, centro de usinagem, solda e ainda para chateadores, serralheiros, ajudante de produção entre outras, confirmando a pesquisa da CNI de 2020, revelando que as áreas mais afetadas nas empresas são as de operadores e técnicos de produção, seguidas de profissionais da área de contabilidade/finanças, administração, vendas e marketing.

A educação é um problema estrutural da economia brasileira principalmente pela má qualidade da educação básica e que não se resolve no curto prazo. O mundo inteiro vem se preparando para mudanças na formação e capacitação de pessoas, antes mesmo da pandemia. A busca por talentos está mais intensa, com a retomada da economia e com os investimentos na modernização dos processos produtivos pelas indústrias.

Como alternativa, empresas realizam capacitação na própria empresa ou investem em parcerias com instituições de ensino para enfrentar o problema.

Para minimizar a falta de profissionais qualificados é necessário uma mobilização entre o governo, instituições de ensino e empresas, para que num esforço conjunto, possam aprimorar e criar novas políticas públicas no sistema de ensino brasileiro, para a valorização e reconhecimento dos profissionais de cursos técnicos, além dos profissionais com curso superior, acompanhando tendências mundiais, fomentar a importância da interdisciplinaridade para soluções de problemas, tomadas de decisões, e finalmente, promover a importância da ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, associadas às necessidades da sociedade.

* Mestre em Engenharia Mecânica pela Unicamp, gerente divisional de Tecnologia Industrial da ABIMAQ e secretária executiva do IPDMAQ.

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Comentários

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Javé - do Outro Lado do Mundo

09 de janeiro, 2022 | 14:39

“Não existe a interação entre instituições de ensino e empresas, a Educação nunca foi de verdade prioridade neste país, se assim o fosse os professores seriam mais valorizados.”

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