06 de janeiro, de 2022 | 13:40

Férias, pausa e renovação: como aproveitar?

Elaine Ribeiro *

O ano de 2021 trouxe, para grande parte das pessoas, um sentimento de esgotamento maior do que em anos anteriores. Sintomas como fadiga crônica, insônia, dificuldade de concentração e esquecimento, baixa na imunidade, perda ou ganho de apetite, depressão, irritabilidade e raiva, são indicativos de que algo não está bem, e têm levado mais pessoas à busca de psicólogos e psiquiatras.

No entanto, juntamente com a chegada de 2022, o mês de janeiro é, para muitos, tempo de férias e descanso. E como usar da melhor forma esse tempo livre dentro desse contexto em que passamos tanta tensão?

Pausas são tempos propícios para uma revisão de vida, para repensar o que desejamos para nossas vidas, para rever nossos hábitos. O ativismo, aquela necessidade constante de produzir, fazer e estar em movimento, somado aos excessos tecnológicos e de informação, têm favorecido crises de esgotamento.

Desligar-se efetivamente das atividades do trabalho nem sempre é fácil e, geralmente, acontece após alguns dias. Esse tempo necessário para o nosso corpo compreender que podemos acordar um pouco mais tarde, fazer atividades diferentes e, especialmente, nos permitir usufruir do tempo de descanso, exige um período de adaptação. Mesmo para mães, pais, ou aqueles que cuidam de alguém ou não podem parar totalmente, realidade para a maioria das pessoas, é possível pensar em alguma forma de diversão, de lazer.

Para evitar o esgotamento, é necessário mudar o ritmo, diminuí-lo, alterar um pouco a rotina. Nem sempre é a mudança de emprego que ajudará uma pessoa a reduzir seu cansaço, mas o seu estilo de vida. Desta forma, não apenas seu trabalho será fonte de satisfação, mas outros aspectos como a vida social, o lazer, a espiritualidade.

“Reaprender é uma das atribuições
mais antigas do homem: do andar ao
caçar, do viver ao sobreviver. Os
desafios mudaram pelo próprio
desenvolvimento da raça humana”


Para um ano novo realmente renovado não pense em milhares de planos ou férias cheias de coisas para fazer. O que também nos cansa, muitas vezes, é a rotina. E uma coisa que podemos fazer mesmo sem estar em férias, é mudar um pouco nosso dia, inserir alguma atividade diferente, voltar para a casa por outra rota, experimentar um novo sabor, parar debaixo de uma árvore por um momento e tomar um sorvete. Parece bobo, mas essas pequenas coisas “diferentes” renovam o nosso cotidiano. E jamais esqueça de adicionar a este cronograma, a tarefa mais importante: não fazer nada!

Muitos hoje, como mencionado acima, não conseguem fazer o cérebro operar em rotação mais baixa. É como um motor de alta velocidade, mas que precisa parar. O motor pode fundir, e aí, só um motor novo para resolver o problema. Mas, o cérebro, não. Busque atividades que te descansem, outras que te façam descobrir o sabor da vida, pois, tudo em nós, necessita de uma grande integração. Não basta ser o melhor na academia ou a pessoa que mais lê livros. É preciso reaprender a viver!

Dentro daquilo que parece o caos, como uma pandemia, ainda existe o tempo chamando agora, como o de contemplar a árvore ou o arbusto que cresce no seu quintal em silêncio. O mundo faz barulho, nosso cérebro capta tudo isso, mas o nosso interior, ali, onde só existem coisas que permitimos deixar entrar, precisa ter um espaço em silêncio. Isso não é para você passar um bom ano, é mais que isso: é para uma vida saudável.

A palavra é reaprender. Reaprender é uma das atribuições mais antigas do homem: do andar ao caçar, do viver ao sobreviver. Os desafios mudaram pelo próprio desenvolvimento da raça humana. Por fim, cuidar-se já é um ato de amor próprio e se você chegou até esse ponto do texto, não é porque você deseja somente ler. Existe algo dentro de você que precisa ser reaprendido.

Reaprenda a viver agora, volte para o caminho seguro, cuide-se, ame-se para que você possa cuidar do próximo, amá-lo.

* Psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II/Canção Nova:
Instagram @elaineribeiro_psicologa e Site: elaineribeiropsicologia.com.br.

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Comentários

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Tião Aranha

06 de janeiro, 2022 | 18:50

“Bom texto, só não encaixa na cabeça dos jovens: que tudo sabe sem nada ler. Risos. Tem que quebrar a cara mesmo. A história se repete.”

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