05 de janeiro, de 2022 | 09:00

Macaco ameaçado de extinção é visto no Parque Estadual após 30 anos sem registros

Orlando Vital / UFV
Primata ganhou o nome de Sagui Caveirinha pelo contorno branco em seu rostoPrimata ganhou o nome de Sagui Caveirinha pelo contorno branco em seu rosto

O esforço e trabalho de pesquisadores para identificação e conservação de espécies existentes no Parque Estadual do Rio Doce (Perd) vêm colhendo muitos frutos. Das 25 espécies de primatas mais ameaçadas no mundo, três são brasileiras, e destas, duas podem ser encontradas na unidade de conservação localizada nos municípios de Dionísio, Marliéria e Timóteo. As informações são resultado de pesquisas de um projeto ambiental executado no Perd.

No fim do último ano, o projeto “Primatas Perdidos” registrou a presença do sagui-da-serra-escuro, também chamado de Sagui Caveirinha. Ele foi avistado no Parque Estadual do Rio Doce, após 30 anos sem registros publicados.

O programa atua com espécies de primatas invasores, na conservação de primatas ameaçados de extinção e avaliação do risco da covid-19 em primatas não-humanos. A coordenadora Vanessa Guimarães explica que, no Perd, existem sete espécies de macacos, sendo três delas ameaçadas de extinção, conforme a lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.

Um deles é o Muriqui, o maior macaco das Américas e o Sagui Caveirinha. “Há 30 anos que não tínhamos registro dele (Caveirinha) aqui no parque, e depois de tanta luta do projeto fizemos esse registro. São cinco indivíduos, provavelmente o único grupo desta espécie aqui no Perd”, afirmou.

Anderson Figueiredo
Bióloga Vanessa Guimarães explica como será o trabalho para preservação da espécie localizadaBióloga Vanessa Guimarães explica como será o trabalho para preservação da espécie localizada
A terceira espécie ameaçada e registrada no Perd é o Bugio Ruivo, que possui uma coloração mais avermelhada. Além de fazer as análises para conservação das espécies, o projeto também realiza avaliações de patógenos, doenças que esses animais possam pegar, como o covid-19. “Como o parque recebe muitos turistas e infelizmente há uma interação com os animais, porque os turistas alimentam esses animais indevidamente, nós avaliamos doenças como a covid-19. E já há registros de indivíduos como gorila e chipanzé que pegaram a doença em outros locais, e por isso faremos essa avaliação aqui dentro do parque também”, completou Vanessa.

Animais não devem ser alimentados

A bióloga lembra que humanos não devem alimentar animais silvestres, principalmente em áreas de preservação, pois isso pode provocar várias doenças, reforçando o risco de extinção. “A natureza oferece todo o tipo de alimento que eles precisam e quando as pessoas alimentam os animais, além de acostumá-los à alimentação humana, eles podem pegar doenças como obesidade, diabetes, cáries”, ressaltou.

Espécies invasoras

Vanessa Guimarães conta que, das setes espécies registradas no Perd, duas foram introduzidas de forma incorreta na unidade de conservação, resultado muitas vezes do tráfico de animais, quando espécies são devolvidas à natureza, mas em locais que não são o seu hábitat natural. “Esses animais invasores ameaçam as espécies nativas como o sagui caveirinha, pois eles vão competir pelo mesmo hábitat, pela alimentação. Além disso, ao reproduzir, eles vão ter uma mistura genética e com isso a exclusividade genética do Caveirinha irá declinar com o tempo, prejudicando essa espécie já ameaçada”, argumentou.

O “Primatas Perdidos” tem como objetivo fazer um levantamento para saber a localização dos grupos invasores e a ideia é retirar esses indivíduos da unidade. Enquanto isso, o grupo de Sagui Caveirinha será levado para um centro de conservação, possibilitando a sua reprodução e aumentando a população. Depois desse processo, as espécies invasoras serão reintroduzidas no Perd.

Primatas registrados no Perd

Segundo informações da bióloga Vanessa Guimarães, são sete espécies de primatas registradas pelo projeto, dentro da área do Parque Estadual. O Muriqui, considerado o maior macaco das Américas, podendo medir um metro e meio. O Bugio Ruivo, com sua tonalidade avermelhada; o Macaco-Prego frequentemente avistado na área de acampamento; o Sauá, que possui um comportamento mais recluso, o Sagui Caveirinha de contorno branco na cara. E também o Sagui de Cara Branca e o Mico Estrela, esses últimos considerados invasores.
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