Silvia Miranda
''Não tenho a intenção de parar de dar aula'' diz Antônio Augusto
(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço)Hoje não é Dia do Professor, mas vamos falar de um servidor público que há 45 anos leciona em uma mesma escola. Antônio Augusto Abreu, conhecido como professor Antônio Augusto, se mudou para Coronel Fabriciano no início da década de 70 e em outubro de 1976 passou a ensinar ciências, para turmas do ensino fundamental da escola Polivalente, onde permanece até os dias atuais.
Natural do município de Miraí, na Zona da Mata mineira, Antônio Augusto, estudou no famoso Colégio Coluni, da Universidade Federal de Viçosa. E foi onde deu os primeiros passos para o magistério, atuando como regente de turma. O professor conta que, a educação rígida e disciplinada dos pais, muito contribuiu para se tornar um profissional dedicado. E de regente de turma, foram surgindo alguns convites para substituições temporárias de professores títulares, ainda na cidade de Viçosa.
A morte dos pais, trouxe Antônio Augusto para Coronel Fabriciano, onde veio estudar na antiga Universidade do Trabalho (UT), hoje Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste). E quando se mudou, veio a oportunidade de lecionar a disciplina de ciências na escola polivalente, onde começou em 4 de outubro de 1976. “Não tenho a intenção de parar de dar aula, sou apaixonado pela educação. Eu não quero dinheiro, eu quero é prazer, pois o dinheiro geralmente nos corrompe”, diz orgulhoso.
A vaidade e o cuidado com a saúde, segundo ele é um dos segredos para a disposição e entusiasmo para o trabalho, aos 71 anos de idade. Mas ele deixa um conselho para quem quer seguir na carreira de educador. “É preciso respeito e conteúdo, os alunos também precisam de respeito para reconhecerem a importância do professor. E conteúdo de qualidade é essencial pra as aulas, ter zelo com o trabalho”, destaca.
Antônio Augusto também trabalhou no Colégio João Calvino, na antiga Puc e também na Escola Estadual Rotildino Avelino. Porém foi no Polivalente em que permanece por mais tempo. Em todos esses anos, lecionou para até três gerações de várias famílias, e muitos alunos que se tornaram grandes profissionais. O jeito bem humorado, e as brincadeiras críticas em sala de aula, é uma de suas marcas. Antônio Augusto foi também diretor do Polivalente por três vezes.
O educador chegou a dar 42 aulas por semana. E em todos os anos de trabalho relata o carinho e reconhecimento recebido pelos alunos. Com espírito jovem e entusiasta, o educador relembra as muitas mensagens e relatos de agradecimento, recebidos pelos estudantes durante todos esses anos.
Inspiração Silvia Miranda
Inspiração para ex-aluna que também se tornou professora e diretora da escola
A diretora da escola, Vanerssa Carla Ventura, foi aluna do professor Antônio Augusto na década de 90. E depois de formada foi funcionária da escola, quando Antônio Augusto foi diretor, sendo responsável pela parte contábil da instituição. O convívio com o professor foi importante na sua inspiração, para futuramente se tornar professora na mesma disciplina de ciências. “Ele sempre me ajudava, dava apoio e conselho nos estudos. E quando me candidatei para diretora de escola, eu fui até ele pedir licença e ele me deu total apoio, mesmo também concorrendo ao cargo”, relembra. Vanerssa destaca a grande experiência do professor, onde sempre busca levar para as aulas conceitos práticos das matérias.
A escolaA Escola Estadual Padre José Maria de Man, no bairro Santo Elói, em Coronel Fabriciano é tradicionalmente chamada de Polivalente e foi instalada nos anos de 1970, assim como várias outras pelo Brasil, numa proposta de um novo modelo de ensino, no governo da ditadura. Atualmente funciona do quinto ao nono ano, do ensino fundamental II.