O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado pelo governo federal como o índice oficial da inflação do Brasil e divulgado pelo IBGE dia 10/11, atingiu 1,25% só em outubro, acumulando 8,24% nos 10 primeiros meses de 2021. Como novembro e dezembro, tradicionalmente, são meses de aceleração de preços, minha estimativa, reproduzindo o cálculo do IBGE, é a de que a inflação oficial brasileira encerre 2021 entre 11,50% e 13,00%, acima dos 10,67% de 2015, o pior ano do governo Dilma Rousseff, que contribuiu para o impeachment do ano seguinte.
Embora o Banco Central disponha da capacidade de evitar que os preços subam ainda mais, aumentando a taxa de juros, a inflação de 2021 está muito espalhada pela economia, com aumento em todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE que compõem a chamada cesta de compras de referência para a distribuição das médias ponderadas do cálculo (alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação).
Os grandes motivadores para a escalada do aumento dos preços foram a gasolina (alta de 42,72% nos últimos 12 meses), a energia elétrica (alta de 30,27% no mesmo período) e o botijão de gás de cozinha (aumento de 37,86% desde outubro do ano passado).
"Embora o Banco Central disponha
da capacidade de evitar que os preços
subam ainda mais, aumentando a taxa
de juros, a inflação de 2021 está
muito espalhada pela economia"Entre os alimentos, o frango inteiro subiu 29,26% nos últimos 12 meses e o frango em pedaços, 33,28%. O açúcar refinado subiu 47,82%, o café moído aumentou 34,53% e as carnes subiram 19,71%.
Outro item importante, a Construção Civil, associado à moradia dos brasileiros, acumulou alta de 21,22% no período. O custo nacional da construção, por metro quadrado, passou de R$ 1.475,96 em setembro para R$ 1.490,88 em outubro, sendo R$ 888,45 relativos aos materiais e R$ 602,43 à mão de obra. No ano, os materiais de construção subiram 25,08%, e nos últimos 12 meses, 33,39%.
Cada brasileiro tem um índice pessoal de inflação, com uma cesta de compras individual formada pelos produtos e serviços que cada pessoa consome regularmente e que pode ser bem diferente da cesta média da população brasileira. Com isso, o seu índice pessoal de inflação pode ser maior ou menor do que o IPCA.
Se você, por exemplo, não consome carne vermelha e não tem filhos em escola particular, seu índice pessoal de inflação, com certeza, é diferente do IPCA, cujo cálculo coloca peso considerável na variação do preço da carne e da mensalidade escolar.
"O que chama a atenção é que a imprensa
e as mídias sociais não parecem manifestar
a mesma preocupação com a inflação atual,
como manifestaram em 2015 ou de 2016"Entretanto, a informação sobre a inflação medida pelo IPCA é importante para todo mundo porque ela serve de referência para que tenhamos uma noção do nosso poder de compra, isto é, se estamos empobrecendo de um ano para o outro ou não.
Se, de um ano para o outro, o IPCA aumentar mais que a sua renda ou o seu salário, você estará perdendo poder de compra e, portanto, empobrecendo, mas, se de um ano para o outro, o IPCA for igual, isso significa que você não perdeu poder de compra e está na mesma situação. Entretanto, se de um ano para o outro, o seu salário ou a sua renda aumentar mais que o IPCA, isso indica que o seu poder de compra aumentou e que você está um pouco mais rico que no ano anterior.
O que chama a atenção é que a imprensa e as mídias sociais não parecem manifestar a mesma preocupação com a inflação atual, como manifestaram em 2015 ou de 2016. Quando a inflação rompe a barreira dos 10%, lembravam alguns economistas, a economia foge ao controle completamente.
* Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Jornal Diário do Aço. Email:
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