Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Alex Ferreira
Com o novo reajuste preço da gasolina deve chegar a R$ 7; etanol também não para de subir e já é vendido a R$ 5,25 o litro, nas cidades do Vale do Aço
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (25) que vai reajustar os preços da gasolina e do diesel em suas refinarias a partir de amanhã (26). O litro da gasolina vendido pela empresa às distribuidoras passará de R$ 2,98 para R$ 3,19, o que representa um aumento de R$ 0,21 ou de cerca de 7%.
Com o novo reajuste preço da gasolina deve chegar a R$ 7 o litro, o diesel pode encostar em R$ 6. Na esteira dos aumentos, o etanol também não para de subir e já é vendido a R$ 5,25 o litro, nas cidades do Vale do Aço.
A Petrobras afirma que a parcela da gasolina vendida nas refinarias no preço final do produto encontrado nos postos chegará a R$ 2,33, com um aumento de R$ 0,15. A variação é menor que os R$ 0,21 de reajuste nas refinarias porque a gasolina tem uma mistura obrigatória de 27% de etanol anidro.
Já o litro do diesel passará a ser vendido por R$ 3,34 nas refinarias da Petrobras, o que representa um aumento de cerca de 9% sobre o preço médio atual, de R$ 3,06.
No caso do diesel, a Petrobras calcula que o impacto para o consumidor final seja um aumento de R$ 0,24, porque o diesel vendido nos postos tem uma mistura obrigatória de 12% de biodiesel.
A Petrobras justifica que os reajustes no preço garantem que o mercado "siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento".
"O alinhamento de preços ao mercado internacional se mostra especialmente relevante no momento que vivenciamos, com a demanda atípica recebida pela Petrobras para o mês de novembro de 2021. Os ajustes refletem também parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio", afirma a empresa.
Bolsonaro afirma que não vai interferir em preços dos combustíveisDomingo, ao participar de atividades externas na companhia do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que o governo federal não vai interferir na execução da atual política de preços da Petrobras e de nenhum outro setor.
Bolsonaro também confirmou ter conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o futuro da empresa petrolífera, não descartando, inclusive, a opção de privatização – hipótese que admitiu ser “complicada.”
“Alguns querem que a gente interfira no preço, mas não vamos interferir no preço de nada. Isto já foi feito no passado e não deu certo”, disse o presidente ao admitir que não tem poderes para influenciar na definição de negócios e de preços da companhia.
A Petrobras é uma empresa criada pelo governo brasileiro em 1953 para explorar o potencial do Brasil na produção petrolífera. Entretanto, não é mais 100% estatal. A empresa é uma sociedade de economia mista desde 1997. A União é seu principal acionista, mas a empresa deve seguir regras de mercado, assegurando os interesses (pagamento de dividendos) dos demais acionistas.
Entenda o que é o PPI implantado no governo Michel Temer na Petrobras
Deste outubro de 2016, quando o governo Michel Temer (MDB) implementou na Petrobras o Preço de Paridade de Importação (PPI), o custo dos combustíveis não para de subir. Os economistas apontam que o PPI favorece dois setores da economia, especificamente, os importadores de derivados, que cresceram no país a partir de 2016 e aqueles que querem comprar as refinarias.
Além disso, assegura rentabilidade para quem comprou ação da Petrobras, à custa de quem paga os preços altos nas bombas. A composição de preços no PPI é explicado da seguinte forma pela diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira:
“Em vez de formar o próprio preço considerando os custos para fazer cada derivado, [com o PPI] a Petrobras pega o valor internacional e acrescenta o custo de importação para ficar no mesmo preço que os importadores têm para vender aqui no mercado brasileiro. No lugar de fazer o preço o mais baixo possível para concorrer no mercado contra os importadores, a Petrobras aumenta o dela para ficar igual ao dos concorrentes. Na prática, há uma dolarização do combustível para que ceda espaço ao mercado internacional”, detalhou.