Presidente da Petrobras defende lucro e diz ser contra tabelar preço de combustíveis

Em 2021 a Petrobras já reajustou a gasolina em 60% nas refinarias, o diesel, em mais de 50% e o gás de cozinha em mais de 30%

19/10/2021 às 10:51
Arquivo DA
General afirma que estatal não tem como controlar os preços dos combustíveis praticados no Brasil e atribuiu a alta às consequências da pandemia e da retomada econômica

O presidente da Petrobras, o general da reserva do Exército, Joaquim Silva e Luna negou que a empresa seja responsável pela alta de preço dos combustíveis e que a busca por lucro não deve ser condenada.

Somente em 2021 a Petrobras reajustou o preço da gasolina em 60% nas refinarias, e o diesel, em mais de 50%. A gasolina comum mais cara no Brasil hoje já custa R$ 9 o litro. O preço médio varia de R$ 6,60 a R$ 7.

Na esteira da alta de preços, o gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha, já acumula alta de mais de 30% desde o fim de 2020 e o preço do botijão de 13 quilos já passa de R$ 110, o que representa mais de 10% do salário mínimo.

O general Luna, entretanto, afirma que os reajustes são indispensáveis:
“O que evita o desabastecimento nos mercados e viabiliza o crescimento equilibrado da economia é justamente a aceitação de que os preços são determinados pelo mercado, não por ‘canetadas’, disse em entrevista à imprensa esta semana.

Silva e Luna defendeu que a estatal não tem como controlar os preços dos combustíveis praticados no Brasil e atribuiu a alta às consequências da pandemia e da retomada econômica, além de citar que fatores climáticos como ‘pouca chuva e pouco vento’ também interferem no cenário.

Acrescentou que decisões de governos passados, que optaram pelo congelamento de preços se mostraram completamente equivocadas. “O Brasil já tentou medidas heterodoxas em outros momentos, sempre sem sucesso. Tabelar preços sempre trouxe as piores consequências econômicas para qualquer país que o faça. E ninguém imagina cometer erros velhos”, disse.

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Política de preços regida pelo PPI

A atual política de preços da Petrobrás foi colocada em vigor durante o governo de Michel Temer, que estabeleceu a chamada a política de paridade internacional (PPI), repassando os aumentos dos preços do petróleo no mercado internacional e também do dólar, modelo que foi mantido pelo governo de Jair Bolsonaro.

Só a moeda subiu quase 30% em 2020 e acumula alta de 5% neste ano. Ainda há a disparada no preço do barril do petróleo, que nesta segunda-feira foi negociado a US$ 79,53. A título de comparação, em dezembro de 2020 o barril custava US$ 47,4.

Embora a situação da inflação no País se deva também ao conturbado cenário político, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, têm dito que a alta de preços é um fenômeno mundial.

Na quinta-feira 14, o presidente sinalizou o interesse de privatizar a Petrobras uma vez que, segundo ele, não pode controlar os preços. “Eu tenho vontade, já tenho vontade de privatizar a Petrobras. Vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer, porque o que acontece: eu não posso, não é controlar, eu não posso melhor direcionar o preço do combustível, mas quando aumenta a culpa é minha”, disse em entrevista à rádio Novas de Paz, de Recife.

Questionado sobre a possibilidade da privatização, o presidente da estatal disse que essa decisão cabe ao governo. “Considero que essa é uma escolha do acionista majoritário [o governo]”.

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Deste outubro de 2016, quando o governo Michel Temer (MDB) implementou na Petrobras o Preço de Paridade de Importação (PPI), o custo dos combustíveis não para de subir.

Os economistas apontam que o PPI favorece dois setores da economia, especificamente, os importadores de derivados (Shell e Mubadala), que cresceram no país a partir de 2016 e aqueles que querem comprar as refinarias. Além disso, assegura rentabilidade para quem comprou ação da Petrobras, à custa de quem paga os preços altos nas bombas.

A composição de preços no PPI é explicado da seguinte forma pela diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira:

“Em vez de formar o próprio preço considerando os custos para fazer cada derivado, [com o PPI] a Petrobrás pega o valor internacional e acrescenta o custo de importação para ficar no mesmo preço que os importadores têm para vender aqui no mercado brasileiro. No lugar de fazer o preço o mais baixo possível para concorrer no mercado contra os importadores, a Petrobrás aumenta o dela para ficar igual ao dos concorrentes. Na prática, há uma dolarização do combustível para que ceda espaço ao mercado internacional”, detalhou.
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