15 de outubro, de 2021 | 10:00

Como os professores estão lidando com as muitas transformações tecnológicas impostas pela pandemia

(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço)
De alguma forma a pandemia mudou a rotina de todas as profissões e, para os professores, essa mudança foi ainda mais intensa pois, de um dia para o outro, sem nenhuma preparação, os docentes trocaram a sala de aula por um espaço improvisado dentro das suas residências, além de terem que aprender a utilizar equipamentos de tecnologia da informação para as aulas e videoconferências, com dezenas de alunos ao mesmo tempo.

Muitas vezes sem o retorno e a participação instantânea dos estudantes, como ocorria na aula presencial, foi necessária uma verdadeira acrobacia de estratégias para prender a atenção do outro lado da tela. Seus celulares pessoais também se transformaram em via de consulta e tira dúvidas, quase que 24 horas por dia, atendendo vários grupos de turmas, cada um, com uma necessidade diferente.

E assim tiveram que enfrentar, como quase todo mundo, uma reviravolta profissional. Com o retorno gradativo das aulas presencias, veio outro desafio: sair do ensino remoto e migrar para o ensino híbrido, onde uma parte da turma assiste a aula presencial e essa mesma aula é transmitida para à outra parte dos alunos que está em casa. Somam a isso, os efeitos da pandemia, como a defasagem do aprendizado e desestruturação emocional de jovens e adultos. Mas sempre perseverando a máxima que ser professor é uma missão além da sala de aula, a pandemia de covid-19 veio pôr isso à prova, na prática. Esse é um resumo dos relatos de professores do Vale do Aço, que relatam suas dificuldades e conquistas nessa transição e como lidam com as emoções.


2020 deixou uma herança de defasagem escolar


Arquivo pessoal
Fernanda Satler Vilela considera que 2020 deixou um vazio no aprendizadoFernanda Satler Vilela considera que 2020 deixou um vazio no aprendizado
Fernanda de Araújo Satler Vilela é professora há 17 anos. Atualmente leciona a disciplina de Ciências no ensino fundamental II da rede pública de Coronel Fabriciano e no Colégio Católica Padre de Man: “Um desafio muito presente na pandemia foi a questão da dificuldade de acesso ao meio virtual, principalmente para os alunos da rede pública, a dificuldade de prosseguir com a educação dessa forma remota devido à falta de acesso dos alunos. Foi um ano em que se deu como concluído, mas de certa forma com muita defasagem, por quê era muito difícil para eles. Mesmo quando eram disponibilizados os blocos de atividades de estudo, muitos alunos também não iam à escola para buscar, e a falta de acompanhamento da família, faz com que esse acompanhamento ficasse a desejar, mais uma vez em relação aos alunos da escola pública.

Outro desafio que enfrentamos agora, em 2021, quando voltaram as aulas presenciais, é dar sequência na proposta curricular, diante de alunos com várias defasagens, em relação ao letramento e alfabetização, um aprendizado que deveria ocorrer no ensino fundamental I. Então a gente prepara uma aula pensando no perfil de aluno para o Fundamental II e no entanto nós não temos esse aluno, porque o ano de 2020 simplesmente em termos curriculares, ativamente não existiu na vida dele. Então eu considero que o desafio maior, no momento da pandemia 2020, foi lidar com a falta de acesso ao meio remoto, para que as aulas efetivamente acontecessem e no presente, agora que ainda estamos na pandemia mas, com esse retorno das aulas presenciais é lidar com os frutos da pandemia que é a defasagem dos alunos e isso eu trato especificamente na escola pública, não digo que na particular não exista essa falta de pré-requisito, mas no caso da escola pública é extremamente gritante”.


A tecnologia veio para ficar na educação


Arquivo pessoal
Helielson Ribeiro acredita que a tecnologia veio para facilitar o trabalho do professorHelielson Ribeiro acredita que a tecnologia veio para facilitar o trabalho do professor
Helielson Moreira Ribeiro, professor há 14 anos. Atualmente leciona em cursos de formação profissional de áreas administrativas no Senac MG.

“No decorrer da pandemia, o maior desafio para lecionar aulas não foi a adaptação às tecnologias, que já estavam sendo implementadas já há alguns anos, e sim elaborar estratégias para instigar os alunos a assistir às aulas e delas participarem de forma interativa e assertiva.

Implementar dinâmicas de grupo e promover atividades em equipe que funcionassem a contento, no formato EAD, foram desafios que se mostraram essenciais para transformar a forma como o aprendizado via acesso remoto era compreendido.

Mesmo com as aulas presenciais sendo gradativamente retomadas, os docentes que não entenderem que estas tecnologias vieram para ficar terão muita dificuldade na adaptação a esta nova realidade do mundo”.


O professor também cuida do estado emocional dos alunos


Arquivo pessoal
Luciana Torres Silva conta como a pandemia trouxe problemas emocionais para os alunosLuciana Torres Silva conta como a pandemia trouxe problemas emocionais para os alunos
Luciana Pacheco Torres Silva, professora há 25 anos. Leciona Química para o ensino médio na rede estadual e no Colégio Católica Padre de Man: “O primeiro grande desafio para nós professores foi realmente aprender a lidar com a tecnologia, antes só usava celular e de repente aprender a trabalhar em plataforma e transmitir aulas. Se não fosse a ajuda dos mais jovens, os meus filhos no caso, seria mais difícil. E no início foi desafiador o fato de dar aula online e não ter o retorno do outro lado, pois nem sempre o aluno ligava a câmera, era preciso ficar o tempo todo chamando, questionando tentando interagir, é diferente do presencial que você está ali cara a cara, é muito mais fácil.

Outro grande desafio é lidar com as emoções, eu não posso só dar aula, eu sou professora de Química e eu tenho que olhar para o meu aluno, que não via há muito tempo, e perceber se ele está diferente. Os meninos têm vindo com muitas emoções e às vezes sobrecarregados, se sentindo sobrecarregados, já não estão mais acostumados com a aula presencial, estão ainda se adaptando. E assim se adaptando a lidar com as emoções, com a sociedade, com o ser humano.

E o professor tem que ficar antenado nessas emoções, eu nunca vi tantos casos de pessoas, de alunos que estão sempre chorando, cheio de altos e baixos. É uma missão mesmo, e não ser apenas o professor da minha disciplina e também ser companheira dos alunos, se dar bem com eles, conversar”.



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Comentários

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Carlos Roberto Martins de Souza

15 de outubro, 2021 | 17:24

“O MÁGICO DO GIZ
Carlos Roberto Martins de Souza

Não descuide da nobre missão de educar
Não se abata com desafios na caminhada
Nem abra mão na sua tarefa de ensinar
Não seja o professor apenas de fachada

Como um bom mágico e com a verdade
Tendo o nobre giz como varinha poderosa
Faz o número mais difícil a qualquer idade
Permitir ao homem uma jornada gloriosa

Você é o único ser capaz de transformar
Aquela pobre desatenta galinha poedeira
Que depois de botar só sabe cantarolar
Numa elegante ave numa águia guerreira

Professor é a palavra mais linda e mágica
Rodeada de segredos e mistério profundo
É ele quem com todo carinho traz a lógica
Nos ensina viver nos prepara para mundo

Professor é a emoção a verdade a razão
A força a segurança e a nossa coragem
Ele é a esperança e é toda compaixão
É todo saber retido numa só bagagem

É vida que a vida em si não se explica
É luz da nossa jornada que se acende
É fórmula de vencer a vida que se aplica
É mão segura e amiga que nos estende

Ele é aquela dor que não se pode ver
Só quem com ela sofre e guarda a sente
Sua palavra carinhosa nos faz aprender
A tocar o nosso frágil barco para frente

Professor é o silêncio é o segredo total
E a vontade louca e alucinante de gritar
É barulho que sufoca de forma brutal
E ao mesmo tempo é o querer escutar

Com ele há sempre o dom do perdão
Ele é força motriz que não deixa cair
É mão que nos aponta uma direção
Quando já não se têm para onde ir

Professor se emociona também chora
E guarda todos alunos em seu coração
Todo dia o dia todo prá ele não tem hora
É mestre mais fiel a favor da educação

Deixo as minhas solenes homenagens
Aos heróis e construtores da educação
Vamos ajudar a levar as suas bagagens
Parabenizando a todos pela bela opção”

Rosiane Albino

15 de outubro, 2021 | 11:06

“Que Matéria MARAVILHOSA, mostrou com excelência todos os desafios que a educação enfrentou em 2020.”

Gildázio Garcia Vitor

15 de outubro, 2021 | 10:38

“A Professora Fernanda Satlher foi minha aluna na antiga quinta série na E.E. Padre De Man, no inicio dos anos 1990. Depois, em 2014, foi minha "chefe" e colega de trabalho na E. M. Altina Olívia Gonçalves, no Bairro Iguaçu. Parabéns e obrigado por todas as lições! Sucesso!”

Gildázio Garcia Vitor

15 de outubro, 2021 | 10:22

“Parabéns a todos os Professores, especialmente os das redes públicas, que, apesar de todos os obstáculos, continuamos acreditando na "utopia do possível", que consiste em auxiliar os nossos alunos e suas famílias a inventarem um chão onde os seus sonhos irão florescer e dar bons frutos.”

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