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Comerciante disse ter ficado chateada com repercussão do caso e agora vai nem doar nem vender ossos
A polêmica causada por uma foto, em que um açougue anuncia que “ossos são para vender e não para doar”, levou o Procon Estadual de Santa Catarina a fazer um apelo para que comerciantes doem os ossos (bovinos e suínos) e não os vendam.
O caso que motivou a polêmica ocorreu no começo da semana. Um estabelecimento afixou um cartaz com o preço de R$ 4 o quilo do osso.
O caso “viralizou” e nesta quinta-feira, o Procon de Santa Catarina e a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) pediram que os estabelecimentos evitem esse tipo de prática.
“No momento de crise que estamos vivendo, é até desumano que esses estabelecimentos estejam cobrando por ossos”, disse Tiago Silva, diretor do Procon-SC.
A proprietária do açougue afirmou à imprensa local que sempre doou ossos de boi, mas que a cobrança passou a ser praxe entre os açougues da região ultimamente. A comerciante disse ter ficado “muito chateada” com a exposição que o estabelecimento teve. “Eu já doei muito, e todos vendem, agora não vamos mais vender nem doar", disse.
Alex Ferreira/Arquivo DA
Carne de primeira, que custava em média R$ 19 em 2019 hoje custa acima de R$ 30 o quilo
Economistas afirmam que a valorização do dólar frente ao real gerou dois efeitos imediatos sobre os preços das carnes, tanto a branca (aves) quanto a vermelha (bovina e suína).
Primeiro, os insumos ficaram mais caros para os produtores. É preciso lembrar que a soja é uma commodity (produto de origem primária comercializado nas bolsas de mercadorias e valores de todo o mundo) cotada em dólar e também exportada. Depois, os grandes frigoríficos viram na exportação melhores oportunidades. Com isso, preferiram exportar em vez de abastecer o mercado interno.
Como resultado, em 12 meses, a carne vermelha acumula alta de 30,7%, o que fez com que o consumo do alimento caísse 14% em 2021, no mercado interno. Este é o menor nível de consumo de carne bovina no Brasil em 26 anos.
A carne ficou inacessível para as famílias de baixa renda, que têm procurado substitutos para o alimento, optando por partes menos nobres, como pé e pescoço de frango. Ovos e outras fontes de proteína foram adotadas, mas também enfrentam o aumento de preços. Sobraram os ossos.
No Rio de Janeiro, um caminhão com restos de carne e ossos no bairro da Glória, na Zona Sul da cidade, virou ponto de distribuição para moradores que têm fome. A imagem foi parar na primeira página do jornal Extra e teve repercussão internacional.
Primeira página do jornal Extra, do RJ, repercutiu no Brasil e no exterior