Agência Brasil Reprodução instagram
Queiroga está entre os integrantes do governo que acompanharam o presidente em Nova Iorque
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou, por meio de suas mídias sociais, que testou positivo para a covid-19. Queiroga fez parte da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que esteve em Nova York (EUA) para a a 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O ministro disse que "ficará em quarentena nos EUA, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária". "Enquanto isso, o Ministério da Saúde seguirá firme nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil."
Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) informou que os demais integrantes da comitiva realizaram o exame e testaram negativo para a doença e que o ministro passa bem. Entretanto, o primeiro caso foi descoberto entre um diplomata que saiu do Brasil havia cerca de dez dias, para preparar os trâmites da viagem presidencial.
Marcelo Queiroga tem 55 anos de idade e está vacinado desde março deste ano. Por ser médico, ele estava entre os grupos prioritários para a imunização. Já recebeu as duas doses da CoronaVac, vacina produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Nenhuma vacina impede que uma pessoa se contamine com o coronavírus. O objetivo do imunizante é evitar que, se contaminada, a pessoa tenha efeitos graves da covid-19.
Ignorando esse conceito, bolsonaristas antivacinas aproveitaram a notícia da contaminação do ministro da Saúde, para atacar a campanha de vacinação. Os internautas não perdoaram: "Ele se vacinou mas não é mutante, tem que usar máscara e se cuidar, coisa que o chefe dele não faz. A vacina apenas diminui a possibilidade de morte e de hospitalização. Não torna invulnerável", disparou uma das seguidoras do ministro no Twitter.
Anvisa recomenda quarentena para equipe que foi a NYTodos os integrantes da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que tiveram contato com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, devem adotar medida de isolamento social, permanecendo em quarentena assim que retornarem ao Brasil. A recomendação foi expedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Pelo fato de Queiroga ter sido diagnosticado com Covid-19, em exame feito nos Estados Unidos, a Anvisa remeteu um ofício na madrugada desta quarta-feira, à Casa Civil da Presidência da República, com as orientações sanitárias que seguem as medidas protetivas no caso da pandemia.
A recomendação da Anvisa deve ser aplicada, inclusive, ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo a agência as medidas devem ser seguidas por todos que tiveram contato com o ministro durante a viagem à Nova York, em que o presidente participou da Assembleia Geral da ONU.
Volta antecipada Bolsonaro e o restante de sua comitiva embarcaram na noite desta terça-feira (21) de volta para o Brasil. O presidente fez o discurso de abertura da sessão de debates da 76ª Assembleia Geral da ONU e logo depois retornou.
Em seu discurso, Bolsonaro disse que o Brasil está trabalhando na atração de investimentos da iniciativa privada e que possui “tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo”.
Além de fazer o discurso de abertura, o presidente também se encontrou com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Boris Johnson, para tratar com as relações comerciais entre os dois países e o fortalecimento da parceria bilateral, e com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, para tratar, entre outros temas, do acordo Mercosul-União Europeia.
Repercussão internacional do discurso A imprensa internacional repercutiu na noite de terça-feira, o discurso de Bolsonaro na ONU. Para alguns veículos, o presidente adotou um tom "provocador", além de ser uma "figura controversa" e destacaram que ele é um "não vacinado".
Para o jornal estadunidense New York Times, Bolsonaro começou a Assembleia Geral "defendendo o uso de remédios ineficazes para o tratamento de coronavírus e afastando críticas ao histórico ambiental de seu governo".
"Não vacinado e provocador, Bolsonaro tentou evitar críticas em discurso da ONU", diz o texto.
O Washington Post, enfatizou que o presidente quebrou um 'sistema de honra' da ONU ao não estar vacinado. O jornal classificou o discurso como "desafiadoramente estranho para um evento que deve focar principalmente na resposta global à pandemia".
O argentino Clarín ressaltou a fala do presidente sobre o Brasil estar "à beira do socialismo" e o fato de ele ter afirmado que não há corrupção em seu governo. Ele "é investigado por um escândalo na tentativa de compra fraudulenta de vacinas", destacou o periódico.
Entre outras publicações, o britânico The Guardian afirmou que o presidente brasileiro mostrou ser uma "figura controversa durante a pandemia" ao minimizar os impactos da covid-19 e se recusar a ser vacinado.