20 de setembro, de 2021 | 10:07

Sinal de alerta no mercado financeiro com projeção da inflação em 8,35%

Previsão é que taxa Selic suba para 8,25% ao ano até o fim de 2021, como forma de conter disparada de preços impulsionada por dólar alto e outros fatores da política econômica do governo

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
Arquivo DA
Com a disparada da inflação mercado projeta elevação imediata da taxa de juros Com a disparada da inflação mercado projeta elevação imediata da taxa de juros

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu, novamente, de 8% para 8,35% neste ano. É a 24ª elevação consecutiva na projeção. A estimativa está no Boletim Focus de hoje (20), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos.

Para 2022, a estimativa de inflação é de 4,10%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,25% e 3%, respectivamente.

A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%.

Em agosto, puxada pelos combustíveis, a inflação subiu 0,87%, a maior inflação para o mês desde o ano 2000, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, o maior acumulado desde fevereiro de 2016, quando o índice alcançou 10,36%.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 5,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Amanhã (21) e quarta-feira (22), o Copom realiza a sexta reunião do ano para definir a Selic.

Na ata da última reunião, em agosto, os membros do comitê já indicaram que deve haver nova elevação, de 1 ponto percentual. Essa também é a expectativa do mercado financeiro, de que a taxa suba para 6,25% ao ano no encontro do Copom desta semana.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 8,25% ao ano. Na semana passada a projeção era 8%. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica suba para 8,50% ao ano. E para 2023 e 2024, a previsão é 6,75% e 6,50% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

As instituições financeiras consultadas pelo BC mantiveram a projeção para o crescimento da economia brasileira este em 5,04%. Para 2022, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 1,63%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,30% e 2,50%, respectivamente.

A expectativa para a cotação do dólar também se manteve em R$ 5,20 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,23.
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Comentários

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Carla Gomes

21 de setembro, 2021 | 09:40

“Quem tem um mínimo de noção de macroeconomia sabe que essa situação toda está relacionada à política econômica do "posto Ipiranga", Paulo Guedes, o banqueiro. Afinal, com dólar a R$ 2,80, estava uma farra de empregadas domésticas indo para a Disney, Agora vir atribuir o caos em que estávamos ao Fique em Casa, como disse esse "observador" é uma canalhice de todo tamanho.”

Observador

21 de setembro, 2021 | 07:53

“Engraçado colocarem a culpa no presidente, quando os mesmos que estão criticando agora eram os que gritavam a plenos pulmões "fique em casa, economia a gente vê depois"

Cínicos !”

Paulo

21 de setembro, 2021 | 03:18

“Culpa do Bozo e do gado que o apoia.
Está nos levando ao abismo. É um péssimo gestor.”

Carlos Roberto Martins de Souza

20 de setembro, 2021 | 11:08

“E AGORA JOSÉ?
Carlos Roberto Martins de Souza

Com a alta inexplicável da gasolina
Estamos vendo o retorno da lenha
Da saudosa e respeitada lamparina
Viver a vida está sendo uma senha

Passar a roupa vai ser item de luxo
Só ferro aquecido na base da brasa
A preocupação do pobre é seu bucho
Ficar no prejuízo preso em sua casa

Políticos tem os seus Vales Gasolina
Da fumaça não conhecem nem fogão
O pau de lenha não é parte da rotina
Eles têm esmalte e não calos na mão

Nós vamos ver o cidadão sendo preso
Por ir ao mato buscar seu combustível
O crime ambiental é um grande peso
Ser condenado por fome é algo terrível

Se correr a polícia chega e te prende
Se ficar a fome vai te matar sem dó
São as coisas que ninguém entende
Ir para cadeia ou na sepultura virar pó

A fome não manda recados escritos
Não assina cheque ou a promissória
Vivemos em tempos duros e malditos
Somos vítimas de nossa dura história

Sobre o fogão de lenha o guerreiro
Vai ter o varal de arame pendurado
Com carne de porco no fumaceiro
Que a sua fumaça fará perfumando

A nobre lenha vai salvar muita gente
Cozinhar ferver a água do tal banho
O fogão a lenha vai voltar de valente
Vai ser do pobre seu grande ganho

Tá tudo errado no Brasil! E agora José?
Prometeram melhorar, a coisa só piorou
Pelo visto estão te fazendo de Zé Mané
E veio o pior do que tá, não fica! Ficou!

O lugar de tacho e da panela de ferro
És tu o velho e bravo fogão de lenha!
Vamos ver sua volta triunfal no berro
Antes que com as lutas a morte venha”

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