18 de setembro, de 2021 | 11:00

ESG qualifica empresas na busca por investidores

Fábio Orneles *

No início do segundo semestre o volume global investidos em fundos ESG ultrapassou o montante de US$ 2,3 trilhões, segundo dados da Morningstar. Por que essa sigla ganhou tanta notoriedade no mercado de capitais?

Para responder a essa pergunta, precisamos entender melhor os diferenciais das empresas focadas em boas práticas de sustentabilidade. Sabemos que ESG significa Environmental, Social and Corporate Governance (Ambiental, social e governança corporativa), mas o que isso muda para as organizações na prática?

O primeiro critério é o ambiental, além de considerar a responsabilidade das empresas em relação aos recursos naturais e o meio ambiente, leva em consideração a eficiência em suas operações. Por exemplo, um processo produtivo que consegue qualificar e reciclar os resíduos gerados, não somente contribui para o meio ambiente, mas também gera incremento de produtividade.

Em relação ao parâmetro social, avaliamos a postura da empresa em relação aos personagens envolvidos nos processos da organização (colaboradores, fornecedores, consumidores e comunidade em que opera).

No eixo colaboradores, por exemplo, é observado o empenho da companhia em garantir treinamentos e segurança nas atividades prestadas, além do fortalecimento da cultura no ambiente de trabalho. Já com os consumidores, o cuidado em oferecer serviços e produtos de boa qualidade e adequados às demandas.

"As empresas que se enquadram
como ESG terão maior facilidade
em cumprir os critérios propostos
pela ONU na Agenda 2030, que busca
contribuir para o alcance dos 17
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)"


Ainda nesse aspecto, busca-se também a prática de ações que promovam as comunidades envolvidas nas atividades da empresa, como tal, a realização de eventos beneficentes e a doação para grupos em situação de fragilidade social. Quando observado o aspecto de governança corporativa, empresas ESG devem adotar medidas que garantem a transparência na prestação de contas, respeito aos códigos de ética e equidade em relação aos seus acionistas, sobretudo minoritários. Organizações com boas práticas de governança proporcionam maior previsibilidade e alinhamento com o investidor.

É consenso também, que as empresas que se enquadram como ESG terão maior facilidade em cumprir os critérios propostos pela ONU na Agenda 2030, que busca contribuir para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelos 193 países-membros.

Agora que entendemos as características do ESG, podemos confirmar que a crescente busca dos investidores por essas empresas é motivada não somente pelas boas práticas que garantem respeito ao meio ambiente e sociedade, mas também por maior competitividade no longo prazo.

Temos que destacar, que a pandemia aumentou a preocupação das pessoas de forma geral com pautas ligadas a sustentabilidade. Já é percebido pelo mercado a busca por produtos e serviços que tenham impactos positivos no meio ambientee esse fator também pressiona as empresas a se adequarem como ESG.

Por fim, diante dessa tendência, várias organizações têm restruturado suas estratégias de negócio e marketing, direcionando esforços para atrair essa parcela de mercado preocupada com práticas socioambientais e produção limpa.

* Assessor da Atrio Investimentos

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