05 de setembro, de 2021 | 09:30

Fabricianense fica com mutilação após procedimento médico realizado sem autorização no parto normal

Divulgação/Ilustração
 Mulher já foi submetida a seis operações para corrigir sequela deixada por corte cirúrgico na região do períneo na hora do parto Mulher já foi submetida a seis operações para corrigir sequela deixada por corte cirúrgico na região do períneo na hora do parto

Era para ser o começo de um sonho: sair do hospital após um parto normal e com um recém-nascido saudável. Mas para a fabricianense, hoje com 40 anos, foi o início de um pesadelo quando sofreu uma fístula, um corte provocando uma ligação entre a vagina e o reto. Foi então o início de uma peregrinação por seis cirurgias e que ainda não teve fim. À espera da sétima intervenção médica, ela sonha com a solução do seu problema e enfim voltar a ter uma vida normal e sua autoestima recuperada.

A mulher, que prefere ter a identidade preservada e por isso vamos chamá-la de Maria, teve seu segundo filho em maio de 2017. Apesar de ter cerca de nove centímetros de dilatação na hora do parto, Maria sofreu uma episiotomia, um corte cirúrgico na região chamada de períneo. O corte é feito para ampliar a passagem do bebê no momento do parto normal, de forma lateralizada, também chamado de pique.

Atualmente a episiotomia é amplamente condenada por muitos médicos e também por diversos movimentos feministas e grupos de apoio a mães. No entanto, costuma ser decidida pela equipe médica durante o parto, mas a gestante pode recusar o procedimento e deixar claro que não aprova este tipo de procedimento. A episiotomia é considerada ilegal quando feita de forma abusiva ou desnecessária, como no início do trabalho de parto para acelerar o nascimento do bebê.

Mas a paciente em questão sequer foi consultada, muito menos comunicada sobre o procedimento. “Eu percebi porque o médico aplicou rapidamente a anestesia e fez o corte, mas ninguém me explicou porque foi necessário o corte ou me deu nenhuma autorização para a recuperação e nem me receitaram algum medicamento anti-inflamatório”, relembra.

Cirurgias

Quatro dias depois do parto, Maria sentiu algo de estranho no fluxo menstrual e percebeu que começou a sair fezes junto com a menstruação. Ao voltar ao hospital ela descobriu que tinha ficado com uma perfuração no reto e precisaria de uma cirurgia para a correção. Porém, a intervenção não obteve sucesso, já que o local de difícil cicatrização não dava condições para o fechamento do corte.

Quatro meses depois veio a segunda cirurgia, que também não deu certo. O médico na época sugeriu seguir o tratamento em Belo Horizonte, com especialistas mais indicados. Entretanto, sem autorização do plano de saúde, Maria continuou as tentativas no Vale do Aço, com mais duas operações. Na quarta tentativa, o corte chegou a fechar um pouco menor, porém, dias depois abriu tudo novamente, ficando ainda maior.

E houve mais duas tentativas. Ao todo foram seis cirurgias até agora, mas o problema ainda persiste. “Eu não tenho mais controle do intestino, se dá vontade de ir no banheiro e estiver perto, dá tempo, mas, se eu não estiver perto do banheiro, eu não consigo segurar. Se estiver na rua, vai sair na rua ou onde eu estiver”, contou.

Embora esteja realizando os procedimentos pela operadora de saúde, há alguns custos da mensalidade, além dos gastos com remédios e deslocamentos para Belo Horizonte. Atualmente a mulher tem recebido o apoio da administração municipal de Coronel Fabriciano para as viagens e algumas consultas.

Complicações

A advogada da paciente, Beatriz Magalhães, explica que além do corte, alguns procedimentos como não a colocação da bolsa de colostomia, para coleta das fezes, dificultou ainda a mais a recuperação da sua cliente. “E de tanto aquele tecido ser remendado e aberto, e costurado de novo, se perdeu um pouco da possibilidade de recomposição”, detalhou.

Sétima cirurgia

Ainda sem data marcada, Maria espera pela sétima cirurgia que será realizada em Belo Horizonte, no Hospital Felício Rocho. A expectativa é um misto de esperança pela solução, mas, por um outro lado, o medo de mais uma intervenção frustrada e de ficar para sempre com a sequela. Segundo ela, o próprio médico já alertou sobre a possibilidade de uma amputação “abdomino-perineal", quando o ânus é retirado e é preciso a utilização permanente de uma bolsa de colostomia. “Eu estou tentando ser mais forte possível, mas tá bem pesadão pra mim, eu tento esconder o máximo do meu filho, mas agora o médico falou que é a minha última chance, que se não der certo eu vou ter que usar bolsa para o resto da vida. Eu acho que eu não vou dar conta, se isso realmente acontecer”, lamenta.

Mesmo cansada com toda a situação e os quatro anos em busca de um tratamento eficaz, Maria ainda tem esperança em encontrar o apoio de mais médicos capacitados e experientes com esse tipo de diagnóstico.
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Comentários

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Valdilene Viana da Silva

06 de setembro, 2021 | 16:24

“Parabéns ao diário do aco por ajudar divulgando Deus abençoe vcs”

Conrado

05 de setembro, 2021 | 20:30

“Sem palavras.
Primeiro a medicina tem que junta esforços para resolver esse problemas .
Depois punir os q fizeram essa multilaçao .”

Joel

05 de setembro, 2021 | 20:11

“E o médico que fez a intervenção. publica ai diário. para outras mães se precaverem quando cruzar com ele. Pq o CRM deve estar protegendo-o, como sempre.”

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