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03 de setembro, de 2021 | 08:30

Como economizar na conta de energia

Professor de Engenharia Elétrica dá dicas para evitar cair na nova bandeira tarifária e lembra como o fim do horário de verão contribuiu para a crise energética

Arquivo DA
A taxa extra, vigente a partir deste mês, será de R$ 14,20 para cada 100 kilowatt-hora (KWh)A taxa extra, vigente a partir deste mês, será de R$ 14,20 para cada 100 kilowatt-hora (KWh)

Com a conta de energia elétrica mais cara a partir desta semana, a população precisa mudar os hábitos de consumo da energia e seguir algumas orientações para não ver a conta extrapolar o orçamento. O professor do curso de Engenharia Elétrica do Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste), Manuel Camela Rafael, reforça que algumas atitudes podem ajudar na economia do dia a dia e defende o incentivo a uma cultura de bons hábitos, mas ressalta que só é possível absorvê-la no cotidiano a longo prazo.

Terça-feira (31), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a criação de uma nova bandeira tarifária na conta de energia: a de escassez hídrica. A taxa extra será de R$ 14,20 para cada 100 kilowatt-hora (KWh) consumidos e já está em vigor, se estendendo até abril do ano que vem. O valor é 49,63% superior à bandeira vermelha patamar 2.

Potência e tempo

O professor Manuel Camela explica que o sistema elétrico é constituído de duas variáveis: potência e tempo. A potência tem definição vinda de fábrica nos aparelhos eletrônicos, os chamados selos de consumo de energia, e neste caso cabe ao consumidor escolher a potência que realmente precisa. Porém, segundo o professor, na maioria dos casos a compra acaba sendo por uma potência bem superior ao necessário e isso resulta no alto consumo de energia.

Mas já com o equipamento instalado, o consumo de energia irá depender também do tempo de consumo. “Alguns exemplos são os aparelhos de televisão que ficam ligados diretamente na tomada, e quando a família não está usando, desliga apenas no controle remoto, mas aquela luzinha vermelha ligada ali várias horas por dia acaba impactando na conta. E se você passa a desligar na tomada é como uma atitude de formiguinha, ao longo de vários dias irá sim, gerar uma certa economia”, explicou.

Outros vilões sempre citados por especialistas é o chuveiro e o ferro elétrico. Em relação a eles, o professor lembra sobre a boa prática de deixar para passar várias peças de roupas de uma só vez. “Outra forma de economia, que custa o preço de um hambúrguer, são as lâmpadas de led, eficientes na iluminação e de baixo consumo”.

Pico de consumo

Manuel destaca que os horários de pico de consumo interferem no valor da conta, o que potencializa a crise de energia. “A questão do horário é muito importante, pois a eletricidade é produzida conforme o consumo. É o que chamamos de curva da carga ou curva de consumo. A potência elétrica nas horas de pico, entre 17h e 21h, é quando as famílias estão em casa. Nesse momento a energia elétrica é mais cara porque esgota a capacidade do sistema nacional e é necessário acionar as usinar termoelétricas de produção mais cara”, detalhou.

O professor também lembra que a extinção do horário de verão, medida adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 25 de abril de 2019, sem dúvida contribuiu para o agravamento da crise porque “ajudava no deslocamento da curva de consumos, mas o grande agravador da crise é o regime hidrológico, ou seja, a falta de chuva”, aponta o professor, lembrando que o país vive a pior seca em 91 anos.

Cultura da economia

Criar uma cultura de bons hábitos de economia de energia e conscientização é uma questão de hábito e leva muito tempo. Na opinião do professor, o Brasil perdeu uma ótima oportunidade de continuar cultivando bons hábitos de encomia de energia a partir do ano de 2001, quando o país passou por outra grande crise energética nacional, chamada na época do “apagão”. “Naquela época tivemos muitos aprendizados, mas que se perderam com o tempo. O problema energético tem que ser tratado a longo prazo. É preciso cultivar uma cultura de economia na educação das crianças e colocando o consumidor como fator importante neste processo, hábitos são estabelecidos pouco a pouco e não de forma emergencial”, alerta Manuel Camela.

Soluções

Na opinião do docente, umas das possíveis soluções para desafogar o sistema elétrico são os sistemas de energia solar fotovoltaica, utilizando painéis solares instalados no telhado das casas e gerando energia elétrica com a luz do sol. Porém, com um custo ainda elevado para a maior parte da população, é necessário investimentos e incentivos públicos para adesão a esse sistema.
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