Alessandro de Sá/Arquivo pessoal
Imagem mostra bancos de areia em trecho do rio Doce, sentido aeroporto, em Santana do Paraíso
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)A situação hídrica em todo o país tem sido tema de debate entre especialistas e de preocupação por parte da população. Na região, a Copasa anunciou sistema de rodízio no distrito de Vale Verde de Minas, em Ipaba, o que acendeu o alerta para as demais cidades do Vale do Aço. O geógrafo e pós-graduado em Gestão Ambiental, Alessandro de Sá, assim como estudantes de Biologia sob sua supervisão de estágio, avaliam o cenário e apontam o que é possível ser feito para reduzir os impactos durante este momento de seca.
No caso da localidade de Vale Verde de Minas, a informação é de que, em razão de uma redução drástica do volume de água normalmente captado no manancial utilizado pela Copasa, a situação é causada pelo prolongado período de estiagem na bacia hidrográfica do Córrego Água Limpa, razão pela qual a companhia adotou, até o dia 19, o rodízio em toda a cidade, inclusive nas partes mais altas, variando o período de início e término, de acordo com a região.
Alessandro de Sá explica que a falta de aplicação de uma política pública com eficiência e resultados é a razão do problema. Ao longo das últimas décadas, aponta, os mananciais sofrem pela apropriação irregular do uso do solo, inexistência das matas ciliares, matas de recargas - responsáveis por equilibrar as vazões das nascentes -, e dos cursos da água. “Os desmatamentos e queimadas são implacáveis para toda a biodiversidade da fauna e flora e também proporcionalmente impactante na oferta de produção hídrica para o abastecimento de água para as residências e atividades econômicas. É necessário mudar o comportamento e utilizar a água de forma consciente, além de economizar com medidas de reaproveitamento e reuso nas atividades domésticas”, avalia.
SoluçãoPara sair desse cenário, ele entende como sendo importante a participação do poder público, empresas, órgãos de fiscalização e sociedade em geral. “A mudança para evitar o colapso hídrico, o racionamento e o desabastecimento deve ser urgente e com ações ainda mais imediatas. A recuperação dos mananciais para ofertar a produção hídrica passa por micro bacias que formam os grandes rios e grandes reservatórios. Por esses caminhos, vamos equilibrar o ciclo das chuvas e promover índices mais regulares e duradouros”, aponta Alessandro.
O estudante Davi Cotta Capachi salienta que a falta hídrica vem de várias partes que se encontram em um único fator, o relacionamento do ser humano com o meio ambiente. “Há tempos vemos o desmatamento exacerbado de áreas verdes, principalmente desmatamentos com tons criminosos, sabemos que é uma série em cadeia. Uma solução seria, antes do reflorestamento, a abertura de covas para a captação da água e um estudo rigoroso sobre as espécies nativas que podem ser replantadas nessa situação, as quais vão ofertar uma recuperação gradual da mata”, pontua.
Quanto ao cenário atual, a população deve ficar extremamente atenta à quantidade de água que possui em casa e a quantidade de água que é gasta. Tentar de alguma forma fazer um reservatório para água que possa vir a ser reutilizada, como por exemplo, a água da lavagem de roupas, que poderia ser utilizada para a limpeza doméstica.
Crise hídrica x oferta de energia“A maior parte da produção de energia elétrica em nosso país é resultado das usinas hidrelétricas (que utilizam a força das águas para produzir eletricidade), que causam extremo transtorno na paisagem natural e no ecossistema como um todo. Sabendo que o Brasil é um país que recebe grande radiação solar, poderia de alguma forma tornar acessível a construção de polos e produção da energia através da energia do sol, pois é um recurso bem aplicado no nosso território e que não apresenta uma possível escassez”, acrescenta Davi.
Educação ambiental como base A também estudante de Biologia, Caroline Paula, acredita que a educação ambiental é fundamental para reverter o cenário. “Só se preserva aquilo que se conhece e a população, ao compreender a importância de economizar, não desmatar, não queimar, perceberá que cuidar do meio ambiente de diversas formas é crucial para manutenção da vida”, afirma.
Kethellin Naiara endossa o discurso dos colegas estagiários e lembra o fator pandemia. “A situação de escassez hídrica pode estar relacionada à diminuição do nível de chuva na região, e também pelo aumento no consumo humano causando a diminuição dos mananciais. Este ano, a pandemia da covid-19 pode ter interferido na crise. O tempo da maioria das pessoas em casa aumentou, e isso gera um consumo maior de água”, conclui.