Tiago Araújo
Hercílio Diniz destacou que esperava uma reforma tributária que simplificasse e oferecesse uma maior segurança jurídica ao contribuinte
A proposta da reforma tributária está atualmente em discussão no Congresso Federal. O texto ainda não tem data para ser votado, mas já tem sido alvo de críticas devido às mudanças econômicas que irá causar, caso seja aprovado. Nesta quinta-feira (15), duas notícias do Diário do Aço mostraram impactos da proposta, para os trabalhadores e para os municípios. Em uma delas, a Confederação Nacional dos Municípios alerta que a reforma vai retirar R$ 13,1 bilhões dos municípios o que coloca em risco uma série de serviços prestados à população.
Para o deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB), a proposta da reforma tributária não está adequada e não deve ser aprovada na Câmara. Em entrevista ao Diário do Aço, o parlamentar, explicou que, quando foi apresentada a proposta da reforma, ele ficou surpreso com o texto. “Confesso que me causou uma estranheza muito grande. Uma decepção. Nós esperávamos uma reforma tributária que viesse para simplificar e para dar uma segurança jurídica maior ao contribuinte, favorecendo o ambiente de negócios. No entanto, o que nós vimos, até esse momento, apresentado pelo governo, foi simplesmente um aumento tributário descomunal”, afirmou.
Hercílio Diniz também destaca que a proposta da reforma está “com a ótica totalmente errada e descalibrada”.
“A proposta está fora do propósito de gerar segurança jurídica e fora do propósito de gerar simplificação. Então vamos ter que retrabalhar isso e rever, até mesmo porque até agora só uma parte que foi apresentada”, salientou.
Impacto no bolso Hercílio Diniz ainda afirma desconfiar que o governo federal tem a intenção de criar um imposto nos mesmos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que poderá impactar nos bolsos dos contribuintes brasileiros. “Acredito que do jeito que está, a reforma não vai ser aprovada. E vou trabalhar para que não possa ser aprovada nesse tom que está hoje”, concluiu.
ParecerO parecer preliminar da segunda fase da reforma tributária, apresentado na terça-feira (13), mostra que haverá um corte maior no Imposto de Renda das empresas para facilitar a aprovação da taxação de dividendos (parcela dos lucros que uma empresa distribui aos acionistas). O texto foi apresentado pelo deputado federal Celso Sabino (PSDB-BA), relator da proposta. Segundo o parlamentar, as mudanças foram necessárias para evitar aumento de carga tributária para o setor produtivo. Essa era uma das principais críticas dos empresários e de líderes de nove partidos da Câmara dos Deputados.
Carga de impostoNa semana passada, um grupo de 120 entidades empresariais enviou uma carta ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), queixando-se de que o texto original do governo elevaria a carga de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 34% para 43,2%. O parecer apresentado na terça-feira (13) amplia a redução do IRPJ, atualmente em 15% para as empresas que lucram até R$ 20 mil por ano e 25% para lucros acima desse valor. Em vez de 5 pontos percentuais (2,5 pontos em 2022 e 2,5 pontos em 2023), o corte será de 10 pontos em 2022 e de 2,5 pontos em 2023.
Outras mudanças A isenção de Imposto de Renda sobre o rendimento de fundos de investimentos imobiliários (FIIs) será mantida. A proposta original da equipe econômica previa uma taxação de 15%. A tributação sobre dividendos será retirada em uma situação: quando o lucro é distribuído entre subsidiárias de uma mesma holding. Nas demais situações, a alíquota de 20%, proposta pelo governo, foi mantida.
Pontos criticadosO relator manteve pontos criticados por empresários e por investidores. A cobrança de 20% de Imposto de Renda sobre dividendos continuou no texto, assim como o fim da dedução dos juros sobre capital próprio, forma de remunerar os acionistas que hoje resulta em menos imposto para as empresas. Sabino também manteve o limite proposto de R$ 40 mil de renda anual para a pessoa física poder declarar Imposto de Renda no modelo simplificado. Caso seja aprovada, a proposta impactará 6,8 milhões de contribuintes, que perderiam o benefício.