Bruna Thariny
Ato foi realizado na manhã deste sábado (3)
Um grupo de manifestantes percorreu as ruas do Centro de Ipatinga na manhã deste sábado (3). Sob o lema “vacina no braço, comida no prato e fora Bolsonaro, Impeachment já!”, eles protestaram num ato convocado pelo Fórum em Defesa da Vida-Vale do Aço, que reúne diversas entidades e movimentos sociais populares, coletivos e partidos políticos.
Com as últimas revelações feitas na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, o desgaste do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acelerou o processo de mobilização nas ruas. Inicialmente, haveria um ato no dia 24 de julho, mas, diante dos novos escândalos envolvendo o governo, o dia 3 foi acrescido ao calendário.
Conforme divulgado pelo movimento, o objetivo é denunciar o “genocídio em curso, praticado pelo governo federal e seus apoiadores nos estados e municípios”, além de evidenciar os indícios de corrupção, envolvendo a aquisição de testes e vacinas contra a covid-19, além da venda de madeira ilegal, que custou a queda do ministro do Meio Ambiente.
Escândalo da CovaxinEm depoimento à CPI da Covid no dia 25, o servidor Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, disse ter sofrido uma "pressão incomum" para assinar o contrato com a empresa Precisa Medicamentos, que intermediou o negócio entre o governo brasileiro e a fabricante indiana Bharat Biotech. Esse negócio foi o único a envolver intermediários. O contrato de compra de 20 milhões de doses saiu a R$ 1,6 bilhão para o governo, com preço unitário de R$ 80,70 a dose, se tornando a vacina mais cara usada no Brasil.
Em comparação, as demais vacinas aplicadas no país tiveram o seguinte custo, por unidade: CoronaVac R$ 58,20, Janssen R$ 56,30, Pfizer R$ 56,30, AstraZeneca importada da Índia R$ 30,16 e AstraZeneca produzida pela Fiocruz R$ 19,84. Na terça-feira (29), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária do contrato, por recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU). O contrato com a farmacêutica indiana também foi fechado em velocidade atípica, 97 dias, enquanto a negociação com a Pfizer levou 330 dias para ser concluída. Todos esses indícios de corrupção são investigados pelos senadores na CPI e adiantaram os protestos nas ruas.