Bolsonaro lamenta 500 mil mortes, volta a defender tratamento precoce e se irrita com jornalistas

Bolsonaro mandou repórter calar a boca, fez ofensas à imprensa ao ser questionado sobre o fato de ter chegado a evento sem usar máscara e agradou aos seus seguidores

22/06/2021 às 06:35
Reprodução de vídeo
Bolsonaro irritado, proferiu ofensas, mandou jornalista calar a boca e agradou a muitos dos seguidores

O presidente Jair Bolsonaro quebrou nesta segunda-feira (21), o silêncio acerca da marca de 500 mil mortes pela pandemia de covid-19 no Brasil. O chefe da nação participou de uma cerimônia de formatura da Escola de Especialistas de Aeronáutica na manhã de segunda-feira em Guaratinguetá, em São Paulo, quando falou sobre o assunto quando questionado pela imprensa.

Desde o sábado, quando o Brasil chegou a meio milhão de óbitos na pandemia, o presidente não tinha tocado no assunto em suas mídias sociais, embora tenha feito dez publicações entre sábado e segunda-feira.

Ontem, entretanto, Bolsonaro afirmou: “lamento todos os óbitos, lamento. Muito. Qualquer óbito é uma dor na família. E nós, desde o começo, o governo federal teve coragem de falar em tratamento precoce. E alguns até dizem, né? Como está sendo conduzida essa questão, parece que é melhor se consultar com jornalistas do que com médicos”, afirmou quando questionado por profissionais da imprensa se iria se pronunciar a respeito das mortes.

Na prática, o que Bolsonaro chama de "tratamento precoce" não tem comprovação científica nem é recomendado por especialistas e autoridades sanitárias. Diversos estudos comprovaram que o uso de remédios como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina não previnem a covid-19 e podem levar a sérios riscos à saúde do paciente.

Mas o maior embate ocorreu após a solenidade, quando bateu boca com jornalistas e determinou que uma profissional calasse a boca, arrancando a máscara do rosto. E o resultado do comportamento surtiu efeito junto aos apoiadores, que replicaram as ofensas em suas mídias sociais. “Bravo, presidente”, afirmou um dos seguidores em mensagem publicada ontem a noite. Outro disparou: "Foi para isso mesmo que eu votei nele".

Mas nem todos apoiaram. Um dos seguidores escreveu: "As lideranças são exemplos a serem seguidos seja ela boa ou ruim. O que o Presidente fez foi uma incitação de violência ao profissional de imprensa. Sou de direita e sou contra esta falta de postura do presidente".

Máscara da discórdia

Bolsonaro havia tirado a máscara de cor azul marinho com emblema da Aeronáutica, ao posar para fotos e cumprimentar os formandos e se irritou ao ser questionado por jornalistas sobre ter sido multado pelo governo de São Paulo pelo não uso de máscara durante uma recente manifestação com motociclistas na capital paulista. O valor da autuação foi de R$ 552,71. O uso de máscaras em público é obrigatório no estado de São Paulo desde maio de 2020, conforme decreto nº 64.959 e resolução 96.

O uso de máscaras é defendido por especialistas e autoridades sanitárias em todo o mundo como uma medida eficaz para evitar a disseminação do coronavírus, que podem circular por meio de gotículas que as pessoas expelem ao falar. Além disso funciona como “barreira” para evitar que a pessoa leve o vírus para o rosto ao encostar a mão eventualmente contaminada, por exemplo.

Pois questionado a respeito das máscaras, Bolsonaro retirou a máscara que usava e mandou a repórter calar a boca. “Você tinha que ter vergonha na cara de prestar um serviço porco que é esse que você faz, para Rede Globo”, disparou.

Em seguida, demonstrando nervosismo, seguiu com as ofensas contra a empresa de comunicação, que ele elegeu como inimiga desde o começo de seu governo.

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