13 de junho, de 2021 | 09:00

Com reservatórios abaixo do ideal, consumidores podem ajudar a aliviar a carga no sistema elétrico 

Arquivo DA
Cemig orienta aos clientes que fiquem atentos para economizar e reduzir o valor da conta no fim do mês Cemig orienta aos clientes que fiquem atentos para economizar e reduzir o valor da conta no fim do mês

A situação dos reservatórios das hidrelétricas no país não é boa e a especulação sobre um possível apagão elétrico tem sido ventilada ao longo dos últimos dias, além de outras medidas em estudo pelo governo e o Operador Nacional do Sistema (ONS). A escassez de chuvas nas duas principais regiões geradoras, Sudeste e Centro-Oeste, é apontada como a causa da crise. O aumento na conta de energia, para custear o uso alternativo de geração não está descartado. O Diário do Aço conversou com especialistas da Cemig sobre o assunto. Conforme a explicação, o sistema de energia é interligado, não havendo possibilidade de interrupção dos serviços por regiões, mas que a conta pode ficar mais cara, dependendo dos níveis de água é uma realidade que ninguém afasta.

O gerente de Planejamento Energético da Cemig em Belo Horizonte, Ivan Sérgio Carneiro, pontua que a região Sudeste é responsável por grande parte do armazenamento do sistema interligado nacional e cerca de 70% do armazenamento está aqui. “Temos diversos relatórios com armazenamentos ruins, dado que neste momento já acabou o período úmido e não conseguimos recuperar grandes reservatórios. Da Cemig chamamos atenção para o reservatório de Nova Ponte (no Triângulo Mineiro), com 16% do volume útil e de Emborcação (na divisa dos estados de Minas Gerais e Goiás) com 22%. Nesses armazenamentos, ao fim do período úmido, em abril, praticamente atingimos a pior condição de armazenamento para Nova Ponte e o segundo pior para Emborcação”, observa.

Ivan aponta que a preocupação num primeiro momento é o equacionamento de usos múltiplos da água e que dependem desses reservatórios para perenizar os rios na estação seca. “Quando falo desses usos quero dizer captação para uso humano, para irrigação, navegação, enfim. Temos de ter em mente que vamos enfrentar um período seco em que vamos ter de articular isso para atravessar o período, onde teremos vazões baixas e com armazenamento baixo nos reservatórios. Temos de nos ajustar para essa condição excepcional”, alerta.

Apagão

Quanto ao suprimento energético, o gerente acrescenta que o sistema elétrico é interligado e toda a malha de grande parte do país é conectada e coordenada pelo Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS). Ali é feito despacho de hidrelétricas, termoelétricas e até mesmo o atendimento da geração que vem de fontes eólicas, fotovoltaicas, para garantir o suprimento energético como um todo. “O desabastecimento energético não é uma coisa regional, salvo problemas de malhas de transmissão e que geram um outro apagão. Mas o que houve em 2001 com o racionamento não é uma condição regionalizada, mas de um sistema como um todo. Quem tem condições de avaliar isso é o operador nacional de sistema elétrico. Não seria de competência da Cemig”, pondera.

No fim do mês de maio, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que as projeções do Governo Federal indicavam que o país irá atravessar a crise hídrica sem a necessidade de racionamento de energia.

“Não trabalhamos com essa possibilidade porque tudo indica que nós temos o controle da situação. Todos os nossos modelos, nossos acompanhamentos, indicam que não há risco de racionamento, de apagão, no ano de 2021”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.

O engenheiro de Eficiência Energética da Cemig em Belo Horizonte, Thiago Batista, salienta que os níveis de chuva estão recorrentemente abaixo da média nos últimos meses, colocando pressão sobre os reservatórios. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde estão as usinas de Minas Gerais, apresenta, por exemplo, o nível de armazenamento pouco superior a 30%, conforme dados do ONS.  

“Para garantir a integralidade dos reservatórios, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está despachando as usinas térmicas para suprir a demanda da população. Contudo, essas usinas utilizam combustíveis fósseis e encarecem o preço para a produção de energia. Por isso, a tendência é ficar na bandeira vermelha patamar 2 até que a situação melhore”, pondera.

Consumo

Nesta época da estiagem, a orientação da Cemig aos clientes é que as pessoas fiquem atentas aos seus comportamentos com o objetivo de economizar e reduzir o valor da conta no fim do mês, além de ajudar a aliviar a carga no sistema elétrico. “Neste fim de outono, quando as temperaturas estão mais baixas em Minas Gerais, os clientes devem ter uma atenção especial ao chuveiro elétrico. Em razão da sua elevada potência, esse equipamento pode representar até 30% da fatura. O consumo de energia depende de duas variáveis: da potência do equipamento (medida em watts) e do tempo de utilização. Como está mais frio e as pessoas tendem a utilizar o chuveiro em sua potência máxima, a melhor forma de economizar é reduzindo o tempo de banho. Como o consumo deste equipamento é muito representativo, uma redução no tempo de uso trará uma economia significativa”, aconselha.

Como muitas pessoas ainda estão no sistema de home office (trabalhando em casa), as famílias precisam ficar atentas ao consumo de computadores e periféricos. Ao se ausentar por curto período de tempo, o monitor deve ser desligado. Outros componentes, como impressoras e caixas de som também devem ficar desligados, quando o computador não estiver sendo utilizado. 
 
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Comentários

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Erre

13 de junho, 2021 | 19:21

“Bem que o governo poderia ajudar também para que mais brasileiros adquiram equipamentos de geração de energia solar. Fiz as contas aqui, pelo meu uso eu só passaria a ganhar após 10 anos. Estou considerando o investimento, mais a taxa de 75 reais que fica para pagar de conta da CEMIG, além de limpeza que tem que ser feito nas placas anualmente. Mas certamente esses valores vão subir durante esse tempo todo, ou seja, demoraria mais tempo ainda. Valor do sistema já melhorou bastante mas ainda está caro.”

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