11 de junho, de 2021 | 14:27

Vivendo em um mundo de projeções e expectativas

Wanderson R. Monteiro *

Em nossa atualidade, não é difícil perceber que vivemos em um mundo movido a projeções. Há todo instante, e em qualquer situação, estaremos envolvidos em situações que nos levam a projetar em alguém, ou em algo, as nossas próprias expectativas, ou que levem alguém a projetar em nós as suas próprias expectativas e, até certo ponto, isso é natural, desde que tais projeções feitas sobre nós não tenham o poder de moldar nossas ações, nossos sentimentos, e nossa maneira de ser e pensar, e nos prive de nossa própria personalidade, de nossa própria individualidade.

Carregamos dentro de nós a vontade de agradar as outras pessoas, de atender à suas expectativas com relação a nós, principalmente aquelas pessoas mais próximas e que mais estimamos, que sempre projetam ou esperam algo de nós, e isso não é ruim, desde que não vivamos só para agradar e satisfazer as expectativas dos outros, em detrimento, muitas vezes, de nossa própria saúde, física e, principalmente emocional e psicológica.

Todos nós temos alguém cuja opinião é muito importante para nós, mas não podemos ser submissos a ponto de deixarmos que todas as nossas decisões sejam tomadas de acordo com as opiniões de outras pessoas, opiniões muitas vezes contrárias à nossa própria vontade.

Há uma diferença entre o desejo de aprovação e a necessidade de aprovação. O desejo de ser aprovado, de corresponder às expectativas, é normal, desde que não vivamos em prol disso, é normal desde que a opinião, as expectativas e as projeções das outras pessoas não interfiram naquilo que nós almejamos, e nem na imagem que temos de nós mesmos. Por outro lado, a necessidade de aprovação, a dependência da aprovação dos outros para dirigir nossas vidas, a negação sem limites de si mesmo em prol da aprovação do outro é uma característica de um transtorno chamado Transtorno de Personalidade Dependente (TPD), onde há a necessidade, a dependência de aprovação social, a vontade de viver de acordo com o desejo dos outros.

Pessoas que sofrem com essa necessidade de aprovação, por terem medo de serem reprovadas pelas outras pessoas, são sempre as mais agradáveis; são mansas, dóceis, amáveis, admiráveis, são pessoas dispostas a dar tudo de si, leais, inquestionáveis, compreensivas, esforçadas, carinhosas, atenciosas, etc. Por terem personalidade tão passiva, tendem a deixar não só seus desejos e vontades, como também tendem a abrir mão de seus princípios e distorcer seus próprios valores para sustentar a idealização, a projeção feita por alguém. Por medo de serem rejeitadas, preferem concordar com coisas que acreditam ser erradas do que arriscar a perder ou magoar tais pessoas.

Assim, vivendo em um mundo onde reina as projeções e as opiniões sobre todos nós, é extremamente necessário que saibamos quem nós realmente somos, para que não percamos a nossa vida buscando satisfazer as expectativas e projeções dos outros a nosso respeito, como muitos têm feito.

* Bacharel em Teologia pelo ICP / São Sebastião do Anta – MG / [email protected]
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